terça-feira, 27 de janeiro de 2015

LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS

VALIOSA OBSERVAÇÃO
Efigênio S. Vítor

Nas tarefas da noite de 3 de maio de 1956, recebemos a palavra do nosso amigo Efigênio S. Vítor, que abordou valioso tema, de sumo interesse para todos nós, os estudantes do Espiritismo.
Estejamos todos nós na paz do Senhor.
Com ligeiras palavras, abordaremos certo assunto que nos fala de perto aos serviços de intercâmbio.
Referimo-nos à estranheza que nos infundem muitas das dificuldades com que se evidenciam as entidades sofredoras e enfermiças em seus processos de comunicação.
Surgem nelas, quando menos esperamos, frustrações da memória com absoluta ocultação da personalidade, fazendo-se acompanhar por hiatos de cultura e de problemas sentimentais com que não contávamos, em se tratando de criaturas de nosso convívio pessoal, na experiência terrestre.
Criaturas que se nos afiguravam respeitáveis, emergem nas lides mediúnicas com expressões irreconhecíveis à nossa apreciação, e almas simples, que nos pareciam corretas, revelam-se de tal modo conturbadas, que as manifestações, a elas atribuídas, em várias circunstâncias mais se assemelham a tremendas mistificações.
Não podemos, entretanto, esquecer, nesse gênero de serviço, que nos achamos em contacto com Inteligências desencarnadas, muita vez padecendo ásperos choques em sua organização perispirítica, a se expressarem por amnésia parcial ou total.
O observador exigente poderá regalar-se na crítica, exigindo elementos de identificação individual imediata para que a sobrevivência seja necessariamente positivada, olvidando, porém, que ele mesmo, numa simples hora de temporário desprendimento, através do sono, não pode responder pelas próprias impressões, de vez que se envolve em campos emotivos, dificilmente  transitáveis,  adstritos  à  realidade  de  que  ainda  nos  vemos  muito  distantes  do  comando completo de nossa vida mental, em toda a sua maravilhosa extensão.
É indispensável reparar, assim, que, nas atividades de assistência aos nossos irmãos infelizes ou extraviados nas trevas, em muitas ocasiões tratamos de perto com Espíritos caídos nas faixas de existências pretéritas, respirando em linhas inferiores de sensações e impressões que eles mesmos acreditavam definitivamente abandonadas, quando, no campo denso, nada fizeram por extirpar as raízes dos sentimentos indesejáveis que nutriram apaixonadamente em outras épocas.
Esses fenômenos, quando surgem, revelam-se diante de nós como enigmas mediúnicos de tremenda importância para os apostulados de nossa fé; no entanto, basta nos acomodemos à lógica para observar, com justeza de propósitos, que se a nós mesmos é demasiado difícil o governo  das  potências  sensoriais,  enquanto  residimos  transitoriamente  na  carne,  durante  a hipnose espontânea, a exprimir-se no sono de cada dia, como será transcendente para os desencarnados, que não se prepararam ante a vida do espírito, o fenômeno da separação compulsória de tudo o que lhes constituía o império dos desejos e dos hábitos na Terra, império esse de que se afastaram pelo constrangimento da morte...
Daí nasce o impositivo de muita paciência e serenidade a quem assiste e a quem doutrina, a quem socorre e a quem ajuda no campo da obsessão, no qual mentes encarnadas e desencarnadas se jungem, desvairadamente, umas às outras, criando verdadeiras simbioses de perturbação e criminalidade.
É por isso que convidamos os companheiros à bondade e à tolerância, diante de qualquer indagação ou surpresa da esfera medianímica, guardando-se, inapagável, o lume da oração, porque através da prece o amparo dos Planos Superiores se manifesta, incontinenti, auxiliando-nos no trato pacífico e edificante com todas as lutas naturais no caminho de quantos se propõem à tarefa de auxílio às mentes transviadas na sombra.
Esperamos que nossos irmãos possam, em diferente oportunidade, examinar a tese com propriedade e brilho de conceituação, definindo, com clareza possível, tais fenômenos que, em muitas circunstâncias, nos compelem a dúvidas desnecessárias e a lamentável perda de tempo.

Efigênio S. Vítor

FIM

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