sexta-feira, 21 de novembro de 2014

LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS

DIANTE DO CRISTO
Alexandre Melo Morais

Com imensa alegria fomos visitados, na noite de 8 de dezembro de 1955, por novo mensageiro da Espiritualidade Superior. Esse mensageiro foi o Dr. Alexandre Melo Morais (Espírito) que, controlando as possibilidades mediúnicas, pronunciou a brilhante alocução que prazerosamente reproduzimos neste capítulo.

Diante do Cristo encontra-se o homem à frente da luz do mundo.
Antes dele, embora a ciência de Hermes, a filosofia de Sócrates e a religião de Buda, que lhe foram excelsos mensageiros, a vida no mundo era a absoluta dominação da conquista.
Tenebrosa noite envolvendo o sentimento, rios de sangue afogando a celebração...
Ei-lo, no entanto, que se manifesta no trono da humildade, convidando as Nações à glória da sabedoria e do amor.
Seu programa divino, a espelhar-se no Evangelho que lhe reúne as boas-novas da salvação,
preconiza a fraternidade ao invés do egoísmo, a renúncia edificante em vez da posse inútil, o perdão em lugar da vingança, o trabalho com a supressão da inércia, a liberdade, com o olvido da escravidão, e o auxílio à felicidade dos outros, como garantia da própria felicidade. 
Defendendo-lhe o código de luz, de Tibério a Diocleciano, milhares e milhares de criaturas
sofrem a flagelação e a morte no decurso de quase trezentos anos.
Além disso, desde a conversão de Constantino, em 312, até a morte de Isaac II, em 1204, do ocidente ao oriente todas as gerações de príncipes e guerreiros senhorearam a casta dos sacerdotes, oprimindo as lições do Senhor.
E desde a perseguição ordenada por Inocêncio III contra os albigenses, em 1209, até a Revolução Francesa, a casta dos sacerdotes, através de todos os processos da imposição inquisitorial, senhoreou as gerações de príncipes e guerreiros, deturpando os ensinamentos do Divino Enviado.
Durante quinze séculos sucessivos, os religiosos e os políticos, com justas exceções, empenharam-se ao dogmatismo e à violência, à crueldade e à devassidão, à vindita e ao banditismo coroado.
Eis, porém, que, na atualidade, com a evolução do Direito, acalentado ao sol dos princípios cristãos, culminando na extinção do cativeiro organizado, no seio de todos os povos cultos da Terra, temos no Espiritismo o Cristianismo renascente, concitando-nos, de novo, ao reinado do amor e da sabedoria.
Qual aconteceu ao próprio Evangelho, a Doutrina que o revive nasce sem guerras de sangue e lágrimas...
A fonte da Verdade e do Bem sulca o terreno moral do mundo, ao alcance de ignorantes e sábios, felizes e infelizes, justos e injustos.
Até ontem, à face da aventura política dominando tribunais e escolas, casernas e santuários, era de todo impraticável a experiência cristã na vida individual.
Hoje, entretanto, com o avanço da idéia religiosa que nos cabe preservar nobre e livre, pela dignificação e excelência de nossa conduta, conseguimos empreender o nosso reencontro com Jesus, elegendo-o Mestre incomparável de nossos destinos, podendo reverenciá-lo cada dia em nosso próprio espírito, repetindo a antiga saudação dos primeiros seguidores da Boa-Nova – “Salve Cristo!” - não mais com o objetivo de empunhar, de imediato, a palma do martírio e da morte, mas, a fim de viver e servir com, o nosso Mestre e Senhor para a eternidade.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS

CONSCIÊNCIA CULPADA
F. Cunha

Na noite de 23 de fevereiro de 1956, nossos benfeitores espirituais ofertaram-nos à consideração valioso estudo.
Trouxeram ao recinto o espírito que se deu a conhecer por F. Cunha, cuja mente eclipsada pelo remorso se mostrava inteiramente encarcerada nas teias do crime por ele cometido.
O comunicante, através do médium que lhe retratava a angústia na fisionomia congesta, falou-nos comovedoramente do seu drama intimo.
Explicaram-nos os Mentores de nosso templo que assim procediam para examinarmos as dolorosas condições da alma, como que cristalizada nos meandros da culpa, cerrada sobre si mesma, a reviver, indefinidamente, a lembrança do delito praticado, em lastimável e constante recapitulação.
Trovejante voz determina que eu fale. Estranho poder rearticula-me a garganta.
Falar, entretanto, para quê?
Para quem?
Quantas vezes já reconstituí minha história, acabar no mesmo tormento infernal?...
Onde estou?
Que vozes imperativas são essas que ordenam a exteriorização de minha palavra?
Falar para quem?
Para os duendes que povoam as minhas trevas e gargalham diante da minha dor?
Para a ventania que me açoita e que me trouxe aqui onde experimento a sensação do mendigo vagueante, a refugiar-se na carne morna de um animal? (1)
Falar para quê?
Sinto-me extremamente cansado...
Não tenho idéia de rumo.
Perdi a noção do caminho.
Sequei a fonte de minhas lágrimas.
Estou cego.
Tateio na escuridão...
Esgotei todas as blasfêmias que podiam assomar aos meus lábios.
Clamo debalde por socorro...
Bati à porta da oração; inutilmente...
Sou o judeu errante da lenda, mais infeliz que ele mesmo, porque não apenas caminho...
Sofro! Sofro terrivelmente.
Perdi a minha visão externa, mas guardo a minha visão do mundo íntimo para recomeçar sempre e interminavelmente o meu crime!
Confessar-me para que ouvidos?
Para que juizes?
Falar simplesmente para' a minha consciência culpada?
Entretanto, essa voz é dominadora e determina que eu conte minha história de novo...
Não precisarei, porém, gastar muita energia. Basta lembrar o recomeço...
Vejo a sala de nossa casa.
Tudo iluminado dentro da noite...
Desejava desfazer-me de minha irmã solteira. Herdáramos ambos grande fortuna.
Devia ela: associar-se-me ao destino.
Desejava, contudo, senhorear a sós o patrimônio financeiro que nos favorecia o mundo familiar.
Angelina era meu obstáculo.
Arquitetava planos de modo a eliminar-lhe a presença, até que uma noite minha irmã veio confessar-me um amor infeliz.
Amava e não era amada.
Pretendia comungar a sorte de um homem que lhe retribuía a afetividade com profunda aversão.
Estava doente, abatida.
Maquinando meu crime, roguei-lhe renunciasse àquela afeição mal nascida.
Ofereci-lhe ponderações.
Preparei deliberadamente o fratricídio.
Conduzi-a para a nossa pequena sala de leitura e de música.
Pedi-lhe, em nome de nossa grande amizade, escrevesse uma carta de despedida, ao ingrato que lhe não acolhera a ternura...
Como valorizar um homem que lhe menoscabava o coração?
Convenci-a.
Angelina, em pranto, grafou a missiva de adeus. Leu-a, comovidamente, para mim.
Aprovei-lhe os termos...
Em seguida, roguei-lhe tocasse ao piano velha música triste de nosso ambiente doméstico.
Desejava preparar meu delito.
Angelina tangeu suavemente o teclado.
Era uma valsa de despedida, predileta de meu pai que nos deixara, a caminho do sepulcro,
seguindo os passos de nossa mãe.
Logo após, aconselhei-lhe o recolhimento.
Sentia dores, repetiu...
Prometi-lhe uma fricção de óleo balsâmico no tórax, tão logo se visse recolhida ao leito.
Angelina obedeceu sem tergiversar.
Na penumbra, preparei meu revólver.
Envolvi minhas mãos em dois lenços para evitar qualquer vestígio que me denunciasse à autoridade policial.
Na sombra do quarto, procurei no peito o local dolorido e desfechei-lhe um tiro certeiro no coração... Ela morreu como uma ovelha imbele no matadouro. O sangue borbotou em torrentes.
Com cautela, prendi-lhe a. arma à mão flácida. . . Preparei o ambiente e, depois de algum tempo, clamei por socorro.
A tese do suicídio que eu apresentara foi amplamente aprovada.
Depois dos funerais, a visão do ouro superou o remorso.
Eu era, enfim, o dono de enorme fortuna.
Podia dispor dela à vontade.
E assim fiz.
Governei largos haveres.
Sufoquei a consciência.
Gozei a vida como melhor me pareceu.
Despendi largas somas.
Viajei. Dominei... Fiz o que meus caprichos reclamavam...
Até que, um dia, num desastre, não sei que gênios perversos me situaram o carro à frente de um abismo no qual me despenhei...
Meu corpo também foi aniquilado entre ferres torcidos...
Mas, desde então, sou como que uma esfera sombria.
Uma grande bola de chumbo aeriforme, porque tudo é treva por fora... mas tudo é claridade por dentro, obrigando-me a recomeçar o. processo de minha falta...
Tenho sede, tenho fome, contudo, tão-somente encontro cornucópias rubras a despejarem moedas e cédulas ensangüentadas sobre minha cabeça.
Pergunto às trevas a que me recolho, onde está o poder do tempo, para fazer que minhas horas recuem, a fim de que meus braços se imobilizem antes da fatal deliberação...
Pergunto onde vive a morte, para que ela, com seu ancinho infernal, me decepe a consciência...
Ninguém me responde.
Ouço gargalhadas.
Ouço gênios infernais que talvez estejam associados ao meu crime, mas que eu não posso divisar em sua feição exterior, porque, se tudo ouço, nada vejo...
Estou mergulhado nas trevas.
Minh’alma sente-se jungida ao remorso, assim como a lenha está presa ao fogo que a consome.
Onde está o repouso prometido aos penitentes?
Já gritei minha desdita aos quatro cantos da Terra. Suplico um amparo que nunca chega.
Trago comigo o inferno no coração.
Para quem estou falando nas sombras?
Será dia, no campo exterior em que minha voz se faz ouvida?
Quem me escuta?
Que vento me trouxe até aqui?
O remorso ,persegue-me , inalterável!...
Quem me ouve?
Os demônios e as fúrias da tempestade? Infelizmente, sou eu mesmo a testemunha da minha própria confissão.
Revejo o crime praticado...
Dinheiro!...
Ah! O dinheiro...
A fortuna de meus pais!...
Sangue... Sangue nas minhas mãos... Sangue na minha vida... Sangue no meu coração...
Para quem repetirei esta história?
Para quem?
Eis que o vento me retira de novo!...
Aonde irei? Para quem repetirei minha terrível história? Sou um fantasma no cárcere do remorso tardio!...
Que poder é este, a impelir-me para diante? O crime!... O crime não compensa, o dinheiro não compensa...
A culpa é, o meu grilhão!...

F. Cunha

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

LIVRO DEPOIS DA MORTE - O CAMINHO RETO - CAP. 56 *A LEI MORAL - 19-11-2014 - ANDRÉ LUIZ (ZECH) - 19-11-2014

LIVRO DEPOIS DA MORTE - O CAMINHO RETO - CAP. 56 *A LEI MORAL - 19-11-2014 - ANDRÉ LUIZ (ZECH) - 19-11-2014

LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS

CONSCIÊNCIA
José Xavier

No início da reunião da noite de 16 de agosto de 1956, nosso irmão Ênio Santos, companheiro de nosso grupo, leu edificante página sobre a reencarnação, dando ensejo a vivos comentários em nossa pequena assembléia.
Ao término de nossas tarefas, nosso amigo espiritual José Xavier ocupou o canal psicofônico e comentou, bem-humorado:

Meus amigos, nosso Ênio,
Prestimoso, calmo e atento,
Recordou com brilhantismo
A Lei do renascimento.
Temos nós muitos irmãos,
Guardando minguado siso,
Que esperam voar do mundo
À glória do paraíso.
E gritam que a pele humana
É cárcere deprimente,
Arrastando-se escorados
À revolta permanente.
Contudo, no exame claro
De nossa conversação,
Decerto problema exige
Carinho e meditação.
Eu também fui muito forte
Na terra de minha gente,
Mas na terra da verdade
Muita coisa é diferente.
Dizia: - “não torno à carne,
Abomino esta peneira...”,
Mas a morte me ensinou
A pensar de outra maneira.
Renascer e renovar
São cursos de elevação.
Em razão disso, nós temos
A lei da reencarnação.
Alma agarrada no mundo

Sofre do sangue o labéu,
Quem renuncia a si mesmo
Ascende ao fulgor do Céu.
Subir à glória solar
Ou descer à sombra atroz
Depende muito do espelho
Que temos dentro de nós.
Por isso, trazemos hoje,
Com gratidão a Jesus,
Alguém que nos falará
Sobre esse espelho de luz.
Retira-se o nosso irmão José Xavier e, rápido, transfigura-se o médium. Acha-se agora em contacto conosco o mensageiro anunciado. É o poeta Amadeu Amaral, que fala com empolgante acento:

Consciência

...E o Senhor concedeu-te esse espelho divino,
Claro, doce, sutil, como a aurora purpúrea,
E forte, quanto o mar em procelosa fúria,
Por face da verdade a reger-te o destino.
Grava-te, em cada instante, honesto e cristalino,
Toda idéia sublime e toda idéia espúria,
A virtude e a miséria, a grandeza e a penúria,
A esperança e a bondade, a treva e o desatino...
Conserva, pois, no bem o caminho alto e puro
Que te guarde o presente e renove o futuro,
Buscando na justiça a força que te exorte.
A consciência é a Lei que te acompanha e espreita,
O espelho do Senhor na Harmonia Perfeita,
A desnudar-te a vida em plena luz da morte.

Amadeu Amaral

terça-feira, 18 de novembro de 2014

ESTUDO DO EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAP.5 *BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS - INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS: IX – Provas Voluntárias e Verdadeiro Cilício - SALA JDE - ANDRÉ LUIZ (ZECH) 18-11-2014

http://youtu.be/9N_v9QeECHs

LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS

COMPANHEIRO DE REGRESSO
Antônio Sampaio Júnior

Não obstante residir no Rio de Janeiro, onde fazia parte do antigo “Grupo Regeneração”,
Antônio Sampaio Júnior era membro efetivo do “Grupo Meimei”, desde a hora da fundação.
Por duas a três vezes, anualmente, vinha a Pedro Leopoldo, reconfortando-nos com o seu apoio e com a sua presença.
Era ele a personificação da fé viva, da generosidade, do bom humor. Infundia-nos coragem nas horas mais difíceis e esperança nos obstáculos mais duros.
Desencarnado subitamente, em outubro de 1955, deixou-nos as melhores recordações.
Foi nosso abnegado e inesquecível Sampaio o amigo que compareceu no horário destinado à instrução, em nossa casa, na fase terminal da reunião, na noite de 22 de março de 1956, transmitindo-nos a confortadora mensagem que passamos a transcrever.

Meus amigos:
Louvado seja Nosso Senhor Jesus-Cristo.
Sou o Sampaio, de volta ao nosso grupo.
Dou, de imediato, o meu cartão de visita para que o pensamento de vocês me ajude a falar com segurança.
Reconheço-me ainda como o pássaro vacilante a arrastar-se fora do ninho, movimentando-me qual convalescente em recuperação depois de moléstia longa.
Mesmo assim, venho agradecer-lhes as preces com que me ajudam.
Recebam todos o meu reconhecimento por essa dádiva de carinho, porque assim como, para apreciar verdadeiramente um remédio, é preciso haver sofrido uma enfermidade grave, para reconhecer, de fato, o valor de uma oração, é necessário haver deixado o corpo da Terra.
Por outro lado, nossos Benfeitores permitiram amavelmente que eu lhes falasse, por haver prometido a mim mesmo trazer-lhes alguma notícia, depois da grande passagem.
Escusado será dizer que me lembrei dos irmãos de ideal na última hora... Não houve tempo, contudo, para qualquer recomendação. A morte arrebatou-me a vestimenta de carne, assim como a faísca elétrica derruba a árvore distraída.
Quanto a dizer-lhes, porém, com franqueza, o que me sucedeu, devo afirmar-lhes que, por enquanto, me sinto tão ignorante do fenômeno da morte, assim como, quando estava junto de vocês, desconhecia totalmente o processo de meu nascimento na esfera física.
Creio mesmo que, em minhas atuais condições, guardar a lembrança de que sou o Sampaio já é demais...
Posso, em razão disso, apenas notificar-lhes que acordei num leito muito limpo, acreditando-me em casa.
O corpo não se modificara.
Em minha imaginação, retomava a luta cotidiana em manhã vulgar... Mas quando vi minha mãe ao pé de mim, quando seus olhos me falaram sem palavras, ah! meus amigos, o meu deslumbramento deve ter sido igual ao do prisioneiro que se vê, repentinamente, transferido de um cárcere de trevas para a libertação em plena luz.
Graças a Deus, entendi tudo!...
Abracei mãe Antoninha (1) com as lágrimas felizes de uma criança que retorna ao colo materno...
Rebentava em mim, naquela hora, uma saudade penosamente sofrida, com muito choro represado no coração.
Que palavras da Terra descreveriam meu júbilo?
Ainda nos braços de minha mãe, compreendi que o Espiritismo no caminho humano é assim como a alfabetização de nossa alma para a vida eterna, pois não precisei de argumento algum para qualquer explicação a mim mesmo.
Entretanto, cessada que foi aquela primeira explosão de alegria, recordei o Sampaio carnal e vigorosa dor oprimiu-me o peito. Minhas velhas contas com a angina pareciam voltar.
A dispnéia assaltou-me de improviso, mas nova expressão de ventura aguardava-me o sentimento.
Nosso Dr. Bezerra (2) veio ter comigo e pude beijar-lhe as mãos.
Sabem lá o que seja isso?
Bastou que sua destra carinhosa me visitasse a fronte, para que o velho trapo de carne fosse esquecido...
Desde esse instante, vi-me à maneira do colegial satisfeito em nova escola.
Mãe Antoninha informou-me de que um hospital-educandário me havia admitido.
Meu tratamento restaurador obedeceu aos passes magnéticos e a linfoterapia, palavra nova em minha boca.
Termas enormes recolhem os enfermos, cada qual segundo as suas necessidades.
Por minha vez, de cada mergulho na água benfazeja e curativa, regressava sempre melhor, até que minhas forças se refizeram de todo.
Regularmente recuperado, pude voltar, em companhia de nossos Benfeitores às minhas casas inesquecíveis de trabalho e de fé, o “Regeneração” (3) e o “Meimei”.(4)
Graças a Jesus, tenho escutado o Evangelho com outros ouvidos e aprendido a nossa Doutrina com novo entendimento.
Tenho agora livros e livros ao meu dispor.
Muitos companheiros são trazidos ao nosso hospital, em terrível situação. Não se alfabetizaram para o continuísmo da existência e sofrem muito, requisitando o concurso de magnetizadores que lhes extraem as recordações, quais médicos arrancando tumores internos de vísceras doentes. Essas recordações projetam-se fora deles para que compreendam e se aquietem.
Mas, por felicidade deste criado de vocês, venho tomando contacto com a memorização, muito vagarosamente.
É imprescindível muita precaução para que nosso Espírito, despojado da matéria densa, não penetre de surpresa nos domínios do passado, habitualmente repleto de reminiscências menos dignas, que podem perturbar muitíssimo os nossos atuais desejos.
Via de regra, no mundo, sentimo-nos sequiosos pelo conhecimento do pretérito.
Aqui, suplicamos para que esse conhecimento seja adiado, reconhecendo que, na maioria dos casos, ele nos alcança qual ventania tumultuosa, abalando os alicerces ainda frágeis das boas idéias que conseguimos assimilar.
Por esse motivo, sou agora um aprendiz de mim mesmo, agindo com muita cautela para não estorvar a proteção que estou recebendo.
“Tudo aqui é como aí” (5), hoje percebo melhor o sentido da pequena mensagem que recebemos juntos: “Tudo aqui é como aí, mas aí não é como aqui”.
Nossas vestes, utilidades e alimentos, no plano de recém-desencarnados em que me encontro, embora mais sutis, são aproximadamente análogos aos da Terra.
Tenho perguntado a muitos amigos, com quem posso trocar idéias, quanto à formação das coisas que servem à nossa nova moradia... Todos abordam o assunto, de maneira superficial, como acontece no mundo, onde um químico discorre sobre a água, um botânico expõe teorias quanto à natureza das plantas ou um médico leciona sobre o corpo humano... Mas, no fundo, o químico estuda o hidrogênio e o oxigênio sem conhecer-lhes a origem, o botânico fala da planta, incapaz de penetrar-lhe o segredo, e o médico avança desassombrado em torno da constituição do corpo humano, ocultando com terminologia complicada o enigma da simples gota de sangue.
Aqui também, na faixa de luta em que me encontro, apenas sabemos que a matéria se encontra em novo estado. Dinamizada especificamente para nossos olhos, para nossos ouvidos e para as nossas necessidades, como na Terra surge graduada para as exigências e problemas da escola humana.
Não me alongarei, porém, neste assunto.
Somente aspiro a algum contacto com vocês para dizer-lhes que o velho amigo está reconhecido e satisfeito.
Desfruto hoje a alegria do paralítico que recobrou os movimentos, do cego que tornou à claridade, da criança embrutecida que alcançou o princípio da própria educação...
Sinto-me outro, contudo devo afirmar-lhes que a desencarnação exige grande preparo a fim de que seja uma viagem tranqüila.
Tudo aqui sobrevive. Os hábitos, os desejos, as inclinações, as boas idéias e os pensamentos indignos reaparecem conosco, além-túmulo, tanto quanto as qualidades nobres ou deprimentes ressurgem, acordadas em nós, na experiência física, depois do repouso noturno, cada manhã.
Dois flagelos ainda agora me atormentam: o costume de fumar e a conversação sem proveito.
Tenho sido carinhosamente auxiliado para que me liberte de semelhantes viciações.
Com respeito ao fumo, o verdadeiro prejudicado sou eu próprio, no entanto, a palavra inútil impõe-me o remorso do tempo perdido pela desatenção.
Apesar de tudo, estou renovado e otimista, esperando continuar estudando o Evangelho, para que eu possa transferir-me, do hospital-educandário em que ainda me vejo, para o trabalho ativo, porquanto, aprendendo a viver em regime de utilidade para os outros, estarei cooperando em favor de mim mesmo.
Que Jesus seja louvado!
Antônio Sampaio Júnior

(1) Refere-se o amigo à sua genitora, há muito desencarnada. – Nota do Organizador.
(2) Dr. Adolfo Bezerra de Menezes.
(3) Grupo Espírita Regeneração, sediado no Rio de Janeiro.
(4) Grupo Meimei, sediado em Pedro Leopoldo, Minas. – Notas do Organizador.
(5) Refere-se o visitante à singela mensagem que recebemos juntos no Grupo Espírita

Meimei, quando um amigo desencarnado sintetizou para nós as suas notícias do mundo espi55
ritual com as seguintes palavras: - “Tudo aqui é como aí, mas aí não é como aqui.” – Nota
do Organizador.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

ESTUDO DO LIVRO DEPOIS DA MORTE DE LEON DENIS - *O CAMINHO RETO ... CAP. 55 *QUESTÕES SOCIAIS - SALA JDE - EXPOSITOR: ANDRÉ LUIZ (ZECH) - 17-11-2014

http://youtu.be/ma91nyQqNbQ

LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS

CEITIL POR CEITIL
Valéria

Na reunião de 25 de agosto de 1955, foi Valéria, abnegada amiga espiritual, que nos visitou, através do médium, contando-nos algo de sua romagem última pelos caminhos da Terra.
Em traços simples, mas profundamente humanos e expressivos, plasmou o formoso estudo da lei de causa e efeito que passamos a apresentar.

Amigos.
Trazida ao recinto por nossos Instrutores, ofereço-vos alguma coisa de minha história obscura.
É um episódio de dor, porque nascido da culpa, mas também de alegria, por erguer-se à redenção.
Observo que a verdade aqui se exprime, veloz, por intermédio de vossa boca; no entanto, para comigo, externou-se ela, devagarinho, pelas amargas lições da lepra.
Não obstante o anonimato de meu berço e a singeleza de minha existência, em minha última romagem na Terra guardava todos os títulos da mulher venturosa.
No entanto, quando mais me orgulhava do lar feliz, coroado pele presença de um esposo e quatro filhos, cujo amor supunha invulnerável, eis que a Justiça divina delegou à morféia o poder de expurgar-me o coração.
Nunca me esquecerei do pavor que vi desenhar-se no semblante daqueles que eu mais amava, quando regressei da cidade ao campo, com o diagnóstico terrível.
O desprezo de que me vi objeto doía muito mais que a própria enfermidade.
Meu companheiro e meus filhos, amedrontados, desfizeram-se do sítio florescente em que minhas mãos lhes afagavam a vida, e fugiram de mim, legando-me apenas desguarnecida palhoça, no seio da mata, onde me caberia morrer.
Narrar-vos o que foi meu drama expiatório, por mais de dez anos consecutivos, é tarefa impraticável, em meus recursos de expressão.
Conheci, de perto, o infortúnio e a necessidade.
O pão esmolado tinha gosto de fel.
O escárnio do próximo, jogado francamente ao meu rosto, era assim como um relho em brasas, revolvendo-me as chagas vivas.
Por agasalho, possuía o musgo com que me socorria a mãe Natureza e por únicas companhias, no mato agreste, além dos lobos que uivavam a pequena distância, encontrava somente a formiga e a varejeira, com o alívio das lágrimas e o reconforto da oração.
O  corpo  apodreceu,  pouco  a  pouco,  guerreando-me  o  egoísmo  e  estraçalhando-me  a vaidade.
E quando meus pés, por excesso de feridas, se recusaram ao movimento, confiei-me à inanição.
Suspirar pela morte no leito de palha era meu único sonho, entre a sede e a fome, a aflição e o delírio.
Sofri pavorosamente, até que numa noite de estio, dessas em que o orvalho do céu não consegue acalmar a secura escaldante da terra, perguntei a Deus, em pranto mudo, pela razão dos estranhos padecimentos a que o destino me precipitara, indefesa... 
Foi, então, que a febre descerrou inesperados painéis ao meu olhar.
Não podia saber se o presente retornava ao passado ou se o passado me atingia o presente.
Vi-me, engrinaldada de fortuna e beleza, numa cidade espanhola de época recuada.
Nela, possuía um  irmão  consangüíneo para quem  roguei ao Santo  Ofício,  com  falsos testemunhos, a pena de prisão incomunicável, temendo-lhe a palavra, já que tivera a desventura de conhecer-me os crimes inconfessáveis.
Arranquei-o à esposa e aos filhinhos, impus-lhe a solidão e o desespero no calabouço, em que se demorou, por mito tempo, até que requisitei para ele o suplício do fogo, que lhe foi aplicado, por fim, na cela onde agonizava...
Via-lhe ainda as vísceras fumegantes e escutava-lhe os gritos aterradores, quando me senti de volta à carne torturada.
De novo, o silêncio, a angústia e a monotonia...
Experimentara um pesadelo ou havia conhecido a verdade? A Providência Divina teria dado resposta às minhas súplicas?
Formulava semelhantes indagações a mim mesma, quando assinalei os passos de dois homens que se aproximavam...
Mantinham conversação clara e ativa. Ouvia-lhes o diálogo, incapaz de qualquer reação.
- Tem visto você a megera leprosa? – indagou um deles.
- Creio terá morrido, pelo cheiro de peste reinante no ar – respondeu o outro.
- Não será conveniente uma verificação?
- Não me animo a enfrentar essa bruxa, que, a estas horas, não passará de um cadáver.
- Então – rematou o mais afoito -, ajudemo-la para que os corvos não lhe espalhem no campo os restos envenenados...
Anotei o ruído de um fósforo a inflamar-se ao compasso de risos estridentes.
As chamas crepitaram rápidas.
Inutilmente procurei clamar por socorro. A garganta jazia semimorta e a boca cerrada não conseguia nem mesmo balbuciar uma prece.
As labaredas pareciam serpentes rubras a me enlaçarem para a morte.
Como descrever-vos a flagelação do momento final?
Sei apenas que, por minutos, que se desdobraram para mim como séculos, vi-me na posição de tocha viva a estertorar-se...
Mas, reduzido o meu corpo a cinzas, ergui-me do pó, vestida em roupa leve e alva.
A gritar de júbilo, vi que meu rosto se reconstituíra, que minhas mãos estavam limpas, que meus cabelos estavam intactos... E, através das chamas que me libertavam, amigos de olhar brando me estendiam braços amorosos, em ósculos de luz.
Ajoelhei-me, feliz, e em lágrimas de ventura agradeci a Deus as úlceras salvadoras e a fogueira da redenção!...
Ah! meus amigos, a evolução do Direito concede-vos hoje sacerdotes e juízes respeitáveis na galeria dos povos mais cultos da Terra. A Inquisição é um fantasma no tempo e o mundo começa a acalentar, com segurança, preciosos institutos de benemerência e solidariedade humana, contudo, abstende-vos do crime, porque a culpa é assim como a jaula a encarcerar-nos  a  consciência,  da  qual  somente  nos  libertamos  pela  Bondade  Inexaurível  do  Pai Celestial que, desse ou daquele modo, nos concede o ensejo de saldar nossos débitos, ceitil por ceitil.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

ESTUDO DO EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAP.5 *BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS: VII - A Melancolia - SALA JDE - ANDRÉ LUIZ (ZECH) - 13-11-2014

http://youtu.be/c9z0clJ_Mfk

LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS

CARIDADE NA BOCA
José Xavier
Reunião da noite de 19 de abril de 1956. 

O  encerramento  de  nossas  tarefas  trouxe-nos  a  presença  do  amigo  José  Xavier,  que, com a sua maneira peculiar de dizer, pronunciou a interessante alocução poética que vamos ler.

Amigos, embora seja
A minha frase mal posta,
Recordemos a palavra
De Pedro da Rocha Costa. (1)
Inda agora o nosso Ênio (2)
Releu com toda a atenção
O ensinamento do Mestre,
Referente à compaixão.
Contra a guerra persistente
Da maldade estranha e louca,
Adotemos a campanha
Da caridade na boca.
O Espiritismo é doutrina
De bênçãos do amor cristão,
Que nos pede cada dia
Mais ampla renovação.
Renovação, entretanto,
Quer dizer em toda idade
Constante esforço no bem,
Perdão e boa vontade.
Mas muitos de nós mantemos
O vício gritante e feio
De comentar com volúpia
Os infortúnios alheios.
Onde a desculpa escasseia,
De luz a paz morre à míngua.
Usemos, pois, com cuidado
A força de nossa língua.
“Palavras o vento leva”
- Exclama velho rifão. 

Mas há palavras que esmagam
A vida do coração.
Ditamos afirmativas,
Em tom carinhoso e ameno,
Que valem por temporais
De lodo, lama e veneno.
De outras vezes, nosso verbo
Parece robusto e forte,
Mas reduz-se a sabre firme,
Abrindo chagas de morte.
Há línguas de acento nobre
Em que a eloqüência não falha,
Que vergastam como açoite
E cortam mais que navalha.
Há muita boca elegante,
Aveludada de arminho,
Que cospe na caminhada
Corda e pedra, fogo e espinho.
É que na Terra esquecemos,
Na sombra de nosso trato,
Que, além da morte, encontramos
O nosso próprio retrato.

Caridade!... Caridade!...
Quanta fala escura e inversa!...
Quem deseja auxiliar
Principia na conversa.
Não olvidemos na vida,
Na sede de luz total,
Que a boca maledicente
É uma oficina infernal.
Toda frase escura e torpe,
De que o torvo mal se ceva,
É uma força vigorosa
Que estende o poder da treva.
Quanto ao mais, Deus nos ajude
A guardar a Lei de cor, 
Procurando em Jesus-Cristo
A nossa vida maior.
E, ao despedir-me, repito
Para o que der e vier:
Guardai convosco a amizade
Do irmão José Xavier.

José Xavier
(1) Refere-se nosso amigo ao comunicante da reunião precedente.
(2) Reporta-se o companheiro ao nosso amigo Ênio Santos, da equipe do Grupo Meimei, que, no início das tarefas, havia lido um trecho do Evangelho, acerca do perdão – Notas do Organizador.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

ESTUDO DO LIVRO DEPOIS DA MORTE DE LEON DENIS - *O CAMINHO RETO ... CAP. 54 *A EDUCAÇÃO - SALA JDE - EXPOSITOR: ANDRÉ LUIZ (ZECH) - 12-11-2014

http://youtu.be/DXJwtWdkr3Y

LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS

CALÚNIA
A. Ferreira

Na noite de 8 de março de 1956, tivemos nossa atenção voltada para o triste relato do Espírito A. Ferreira que, ocupando os recursos psicofônicos do médium, nos ofertou significativa lição com respeito à calúnia, conforme as suas experiências.
De todas as potências do corpo humano, a língua será talvez aquela que mais nos reclama a vigilância.
Por ela, começa a glória da cultura nos cinco continentes, mas, através dela, igualmente principiam todas as guerras que atormentam o mundo.
Por ela, irradia-se o mel de nossa ternura, mas também, através dela, derrama-nos o fel da cólera.
Muitas vezes é fonte que refresca e muitas outras é fogo que consome.
Em muitas ocasiões, é ferramenta que educa e, em muitas circunstâncias, é lamina portadora da destruição ou da morte.
Sou uma das vítimas da língua, não conforme acontece na existência humana, em que os caluniados caem na Terra para se erguerem no Céu, em sublime triunfo, mas, segundo os padrões da vida real, em que os caluniadores que triunfaram entre os homens experimentam, além, do sepulcro, a extrema derrota do espírito.
Determinam nossos amigos espirituais vos ofereça minha história.
Contá-la-ei, sintetizando tanto quanto possível, para não fatigar-vos a atenção.
Há quase trinta anos, nossa família, chefiada por pequeno comerciante, no varejo do Rio, era serena e feliz.
Em casa, éramos quatro pessoas.
Nossos pais, Afrânio e o servidor que vos fala.
Entre meu irmão e eu, contudo, surgiam antagonismos irreconciliáveis.
Afrânio era a bondade.
Eu era a maldade oculta.
Meu irmão era a brandura, eu era a crueldade...
Nele aparecia a luz da franqueza aberta.
Escondia-se em mim a mentira torpe.
Afrânio era a virtude, eu era o vício contumaz.
Na época em que figuro o principio de meu relato, meu irmão desposara Celina, uma jovem reta e generosa que lhe aguardava o primeiro filhinho.
Quanto a mim, entregue às libações da irresponsabilidade, encontrara na jovem Marcela, tão leviana quanto eu mesmo, uma companheira ideal para o meu clima de aventura.
Entretanto, tão logo a vi, aguardando uma criança, sob minha responsabilidade direta, abandonei-a, desapiedado, embora lhe vigiasse os menores movimentos.
Foi assim que, em nublada manhã de junho, observei um automóvel a procurar-lhe o refúgio.
Coloquei-me de atalaia, reparando o homem de fronte descoberta que lhe buscava a moradia e reconheci meu próprio mano.
Surpreso e estarrecido, dei curso aos maus sentimentos que geraram, em minhas idéias, a infâmia que passou a dominar-me a cabeça.
Encontrara, enfim - concluí malicioso -, a brecha por onde solapar-lhe a reputação, e afastei-me apressado.
Joguei e beberiquei, voltando à noite para o santuário doméstico, onde encontrei aflitiva ocorrência.
Afrânio, em se ausentando de nossa pequena loja para depositar num banco a expressiva importância de cinqüenta contos de réis - fruto de nossas economias de dois anos, para a realização do nosso velho plano de casa própria -, perdera a soma aludida, sem conseguir justificar-se.
Ouvi-lhe as alegações inquietantes, simulando preocupação, mas, dando largas aos meus projetos delituosos, arquitetei a mentira que deveria arruiná-lo.
Chamei meu pai a íntimo entendimento e envenenei-o pelos ouvidos.
Com a minha palavra fácil, teci a calúnia que serviu para impor ao meu irmão irremediável
infortúnio, contando a meu pai que o vira, em companhia de mulher menos respeitável, perdendo toda a nossa fortuna numa casa de jogo, e acrescentei que observara o quadro lamentável com os meus próprios olhos.
Minha mãe e Celina, a reduzida distância, sem que eu lhes reparasse a presença, anotaram-me a punhalada verbal, e todos os nossos, dando crédito ao meu verbo delinqüente, passaram da confiança ao menosprezo, dispensando ao acusado o tratamento cruel que lhe desmantelou a existência.
Por seis dias Afrânio, desesperado, procurou debalde o dinheiro.
E, ao fim desse tempo, incapaz de resistir ao escárnio de que era vítima, preferiu o suicídio à vergonha, ingerindo o veneno que lhe roubou a vida física.
A desgraça penetrou-nos a luta diária.
Todos, menos eu, que me regozijava com a escura vingança, renderam-se à tensão e ao desespero.
Inquirida Marcela por meu pai, viemos, porém, a saber, que Afrânio lhe visitara o abrigo por solicitação dela mesma, que se achava em extrema penúria.
Nosso espanto, contudo, não ficou aí, porque findos três dias após os funerais, um chofer humilde procurou-nos, discreto, para entregar uma bolsa que trazia os documentos de Afrânio, acompanhados pelos cinqüenta contos, bolsa essa que meu irmão perdera inadvertidamente no carro que o servira.
Minha cunhada, num parto prematuro, faleceu em nossa casa.
Minha mãe, prostrada no leito, não mais se levantou e, findos três meses, após a morte dela, ralado por infinito desgosto, meu pai acompanhava-lhe os passos ao cemitério do Caju.
Achava-me, então, sozinho.
Tinha dinheiro e busquei a vida fácil, mas o remorso passara a residir em minha consciência, atormentando-me o coração.
Alcoolizava-me para esquecer, mas, entontecida a cabeça, passava a ver, junto de mim, a sombra de meus pais e a sombra de Celina, perguntando-me, agoniados:
- Caim, que fizeste de teu irmão?
A loucura que me espreitava dominou-me por fim...
Conduzido ao casarão da Praia Vermelha, ali gastei quanto possuía para, depois de um ano de suplício moral e irremediável tormento físico, abandonar os meus ossos exaustos na terra, em cujo seio, debalde, imploro consolação, porque o sofrimento e a vergonha sitiaram-me a vida, destruindo-me a paz.
Tenho amargado, através de todos os processos imagináveis, as conseqüências do meu crime.
Tenho sido um fantasma, desprezado em toda parte, sorvendo o fel e o fogo do arrependimento tardio.
Somente agora, ouvindo as lições do Evangelho, consegui acender em minh'alma leves fagulhas de esperança...
E à maneira do mendigo que bate à porta do reconforto e do alívio, encontro presentemente um novo caminho para a reencarnação, que, muito breve, me oferecerá a bênção sagrada do esquecimento.
Entretanto, não sei quando poderei encontrar, de novo, meu pai e minha mãe, meu irmão e minha cunhada, credores em meu destino, para resgatar, diante deles, o debito imenso que contraí.
Por enquanto, serei apenas internado na carne para considerar os problemas que eu mesmo criei, em prejuízo de minha alma...
Brevemente, voltarei ao campo dos homens, mas reaparecerei, entre eles, sem a graça da família a fim de valorizar o santuário doméstico, e renascerei mudo para aprender a falar.
Que Deus nos abençoe.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

ESTUDO DO EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAP.5 *BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS - INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS: VII - A Verdadeira Desgraça - SALA JDE - ANDRÉ LUIZ (ZECH) 11-11-2014

http://youtu.be/MmShUSDFed0

LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS

AVISO OPORTUNO
Inácio Bittencourt

Nas tarefas da noite de 10 de novembro de 1955, profunda alegria felicitou-nos o grupo em prece.
Pela vez primeira; o inolvidável companheiro Inácio Bittencourt visita-nos a casa. Senhoreando as possibilidades do médium, o grande lidador do Espiritismo no Brasil dirige-nos a  sua  palavra  clara  e  incisiva,  concitando-nos  às responsabilidades  que  nos  competem  na Doutrina de Luz que abraçamos.
Meus amigos: Louvado seja o Senhor.
Em minha última romagem no campo físico, mobilizando os poucos préstimos de minha boa-vontade, devotei-me ao serviço da cura mediúnica; no entanto, desencarnado agora, observo que a turba de doentes, que na Terra me feria a visão, aqui continua da mesma sorte, desarvorada e sofredora.
Os gemidos no reino da alma não são diferentes dos gemidos nos domínios da carne.
E dói-me o coração reparar as filas imensas de necessitados e de aflitos a se movimentarem depois do sepulcro, entre a perturbação e a enfermidade, exigindo assistência.
É por esta razão, hoje reconhecemos, que acima do remédio do corpo temos necessidade de luz no espírito.
Sabemos que redenção expressa luta que resultados colheremos no combate evolutivo, se os soldados e obreiros das nossas empresas de recuperação jazem desprevenidos e vacilantes, infantilizados e trôpegos?
Nas vastas linhas de nossa fé, precisamos armar-nos de conhecimento e qualidade que nos habilitem para a vitória nas obrigações assumidas. Conhecimento que nasça do estudo edificante  e  metódico,  e  qualidade  que  decorra  das  atitudes  firmes  na  regeneração  de  nós mesmos.
Devotamento à lição que ilumine e à atividade que enobreça.
Indubitavelmente, ignoramos por quanto tempo ainda reclamaremos no mundo o concurso da medicina e da farmácia, do bálsamo e do anestésico, da água medicamentosa e do passe magnético, à feição dê socorro urgente aos efeitos calamitosos dos grandes males que geramos na vida, cujas causas nem por isso deixarão de ser removidas por nós mesmos, com a cooperação do tempo e da dor. 
Mas, porque disponhamos de semelhante alívio, temporário embora; não será lícito olvidar que o presente de serviço é a valiosa oportunidade de nossa edificação.
A falta de respeito para com a nossa própria consciência dá margem a deploráveis ligações com os planos inferiores, estabelecendo em nosso prejuízo, moléstias e desastres morais cuja extensão não conseguimos sequer pressentir; e a ausência de estudo, acalenta em nossa estrada os processos da ignorância, oferecendo azo às mais audaciosas incursões da fantasia em nosso mundo mental, como sejam: a acomodação com fenômenos de procedência exótica, presididos por rituais incompatíveis com a pureza de nossos princípios, o indevido deslumbramento diante de profecias mirabolantes e a conexão sutil com Inteligências desencarnadas menos dignas, que se valem da mediunidade incauta e ociosa entre os homens, para a difusão de notícias e mensagens supostamente respeitáveis, pela urdidura fantasmagórica, e que encerram em si o ridículo finamente trabalhado, com o evidente intuito de achincalhar o ministério da verdade e do bem.
A morte não é milagre e o Espiritismo desceu à Humanidade terrestre com o objetivo de 
espiritualizar a alma humana.
Evitemos proceder como aquele artífice do apólogo, que pretendia consertar a vara torta buscando aperfeiçoar-lhe a sombra.
Iluminemos o santuário de nossa vida interior e a nossa presença será luz.
Eis a razão por que, em nos comunicando convosco, reportamo-nos aos quadros dolorosos que anotamos aqui, na esfera dos ensinamentos desaproveitados, para destacar o impositivo daquela oração e daquela vigilância, perenemente lembradas a nós todos pela advertência do nosso Divino Mestre, a fim de que estejamos seguros no discernimento e na fé, na fortaleza e na razão, encarando o nosso dever face a face.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

ESTUDO DO LIVRO DEPOIS DA MORTE DE LEON DENIS - *O CAMINHO RETO ... CAP. 53 *O ESTUDO - SALA JDE - EXPOSITOR: ANDRÉ LUIZ (ZECH) - 10-11-2014

http://youtu.be/Yx8ILLs-nIQ

LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS

AUTO FLAGELAÇÃO
Dias da Cruz

Depois de prolongada ausência, O Espírito Dias da Cruz compareceu em nosso grupo, na noite de 29 de setembro de 1955, e, controlando as faculdades do médium, pronunciou 
notável estudo em torno da autoflagelação, estudo esse que passamos a apresentar.

Meus amigos:
Embora  não  nos  seja  possível,  por  enquanto,  apreciar convosco  a  fisiologia  da  alma, como seria desejável, de modo a imprimir ampla clareza ao nosso estudo, para breve comentário, em torno da flagelação que muitas vezes impomos, inadvertidamente, a nós mesmos, imaginemos o corpo terrestre como sendo a máquina da vida humana, através da qual a mente se manifesta, valendo-se de três dínamos geradores, com funções específicas, não obstante extremamente ligados entre si por fios e condutos, de variada natureza.
O ventre é o dínamo inferior.
O tórax é o dínamo intermediário.
O cerebelo é o dínamo superior.
O primeiro recolhe os elementos que lhe são fornecidos pelo meio externo, expresso na alimentação usual, e fabrica uma pasta aquosa, adequada à sustentação do organismo.
O segundo recebe esse material e, combinando-o com os recursos nutritivos do ar atmosférico, transmuta-o em líquido dinâmico.
O terceiro apropria-se desse líquido, gerando correntes de energia incessante.
No dínamo-ventre, detemos a produção do quilo.
No dínamo-tórax, presenciamos a metamorfose do quilo em glóbulo sanguíneo.
No  dínamo-cerebelo,  reparamos  a  transubstanciação  do  glóbulo  sanguíneo  em  fluido nervoso.
Na parte superior da região cerebral, temos o córtex encefálico, representando a sede do espírito, algo semelhante a uma cabine de controle, ou a uma secretária simbólica, em que o “eu” coordena as suas decisões e produz a energia mental com que governa os dínamos geradores a que nos reportamos.
O ser humano, desse modo, em sua expressão fisiológica, considerado superficialmente, pode ser comparado a uma usina inteligente, operando no campo da vida, em câmbio de emissão e recepção.
Concentramos, assim, força mental em ação contínua e despendemo-la nos mínimos atos da existência, através dos múltiplos fenômenos da atenção com que assimilamos as nossas experiências diuturnas, atuando sobre as criaturas e coisas que nos cercam e sendo por elas constantemente influenciados.
Toda vez, contudo, em que nos tresmalhamos na cólera ou na crueldade, contrariando os dispositivos da Lei de Deus, que é amor, exteriorizamos correntes de enfermidade e de morte, que, atingindo ou não o alvo de nossa intemperança, se voltam fatalmente contra nós, pelo princípio inelutável da atração que podemos observar no imã comum.
Em nossas crises de revolta e desesperação, de maledicência e leviandade, provocamos sobre nós verdadeira tempestade magnética que nos desorganiza o veículo de manifestação, seja nos círculos espirituais em que nos encontramos, ou, na Terra, enquanto envergamos o envoltório de matéria densa, sobre a qual os efeitos de nossas agressões mentais, verbais ou físicas, assumem o caráter de variadas moléstias, segundo o ponto vulnerável de nossa usina orgânica, mas particularmente sobre o mundo cerebral em que as vibrações desvairadas de nossa impulsividade mal dirigida criam doenças neuropsíquicas, de diagnose complexa, desde a cefalagia à meningite e desde a melancolia corriqueira à loucura inabordável.
Toda violência praticada por nós, contra os outros, significa dilaceração em nós mesmos.
Guardemo-nos,  assim,  na  humildade  e  na  tolerância,  cumprindo  nossos  deveres  para com o próximo e para com as nossas próprias almas, porque o julgamento essencial daqueles que nos cercam, em verdade, não nos pertence.
Desempenhando  pacificamente  as  nossas  obrigações,  evitaremos  as  deploráveis  ocorrências da autoflagelação, em que quase sempre nos submergimos nas trevas do suicídio indireto, com graves compromissos.
Preservando-nos,  pois,  contra  semelhante  calamidade,  não  nos  esqueçamos  da  advertência  de nosso  Divino  Mestre no  versículo 41,  do capítulo  26,  das  anotações do apóstolo Mateus: - “Orai e vigiai, para não entrardes em tentação.”

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

SEMINARIO COM GÉRSON SIMÕES MONTEIRO - MATERIALIZAÇÕES ESPÍRITAS - C.E.I. - PARTE 1

http://youtu.be/UOVyjNPAxBU

SEMINARIO COM GÉRSON SIMÕES MONTEIRO - MATERIALIZAÇÕES ESPÍRITAS - C.E.I. - PARTE 2

http://youtu.be/FUT7o6hcO9g

LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS

ATO DE CARIDADE
A.C.

Em nossa reunião da noite de 7 de Junho de 1956, nossos Benfeitores trouxeram-nos ao recinto o Espírito de A. C., que nos contou a sua significativa experiência, aqui transcrita.
Oxalá possa ela acordar-nos para mais ampla exatidão, no desempenho de nossos compromissos, na esfera da caridade que, realmente, seja onde for e com quem for, é nosso simples dever.
Espiritismo...
Sou espírita...
Fora da caridade não há salvação...
Maravilhosas palavras!...
Contudo, quase sempre chegamos a perceber-lhes o divino significado depois da morte, com o desapontamento de uma pessoa que perdeu o trem para uma viagem importante, guardando, inutilmente, o bilhete na mão.
Utilizei-me de um corpo físico durante cinqüenta e cinco anos, na derradeira romagem física.
Era casado.
Residia no Rio de Janeiro.
Mantinha a esposa e duas filhas.
Desempenhava a função de operoso corretor de imóveis.
E era espírita à maneira de tantos...
Nunca me interessei por qualquer meditação evangélica.
Não cheguei a conhecer patavina da obra de Allan Kardec.
Entretanto, intitulava-me espírita...
Frequentava sessões.
Aplaudia conferencistas.
Acompanhava as orações dos encarnados e as preleções dos desencarnados, com a cabeça pendida em reverência.
Todavia, encerrados os serviços espirituais, tinha sempre afeiçoados no recinto, a quem oferecer terras e casas, a quem vender casas e terras...
E o tempo foi passando.
Cuidava devotadamente do meu conforto doméstico.
Meu rico dinheiro era muito bem empregado.
Casa bem posta, mesa farta, tudo do bom e do melhor...
Às vezes, um companheiro mais persistente na fé convidava-me a atenção para o culto do Evangelho no lar.
Mas eu queria lá saber disso?...
A meu ver, isso daria imenso trabalho.
Minha mulher dedicava-se à, vida que lhe era própria.
Minhas filhas deveriam crescer tão livremente como desejassem, e qualquer reunião de ordem moral, em minha casa, era indiscutìvelmente um tropeço ao meu bem-estar.
E o tempo foi passando...
Fui detentor de uma bronquite que me recebia a melhor enfermagem.
Era o dodói de meus dias.
Se chamado a qualquer atividade de beneficência, era ela o meu grande escolho.
No verão, estimava a sombra e a água fresca.
No inverno, preferia o colchão de mola e o cobertor macio.
E o tempo foi passando...
Sessões semanais bem frequentadas...
Orações bem ouvidas...
Negócios bem feitos...
Aos cinqüenta, e cinco anos, porém, um edema do pulmão arrebatou-me o corpo.
Francamente, a surpresa foi grande.
Apavorado, compreendi que eu não merecia o interesse de quem quer que fosse, a não ser das entidades galhofeiras que me solicitaram a presença em atividades criminosas que não condiziam com a minha vocação.
Entre o Centro Espírita e o lar, minha mente conturbada passou a viver uma experiência demasiado estranha...
Em casa, outros assuntos não surgiam a meu respeito que não fossem o inventário para a indispensável partilha dos bens.
E, no Centro, as entidades elevadas e amigas surgiam tão intensivamente ocupadas aos meus olhos, que de todo não me era possível qualquer interferência, nem mesmo para fazer insignificante petitório.
Para ser verdadeiro, não havia cultivado a oração com sentimento e, por isso mesmo, passei a ser uma espécie de estrangeiro em mim próprio, ilhado no meu grande egoísmo.
Ausentando-me do santuário de minha suposta fé, interiormente desapontado, encontrava o circulo doméstico, e, por vezes, ensaiava, na calada da noite, surpreender a companheira com meus apelos ; entretanto, nos primeiros tentames senti tamanha repulsão da parte dela, a exprimir-se na gritaria mental com que me induzia a procurar os infernos, que eu, realmente, desisti da experiência.
Minhas filhas, visitadas por minha presença, não assinalavam, de modo algum, qualquer pensamento meu, porquanto se encontravam profunda-mente engolfadas na idéia da herança.
Não havia outra recordação para o carinho paterno que não fosse à herança... a herança...
a herança...
Passei a viver, assim, dentro de casa, a maneira de um cão batido por todos, porque, francamente, não dispunha de outro clima que me atraísse.
Apenas o calor de meu lar sossegava-me as ânsias.
Alguns meses decorreram sobre a difícil posição em que me encontrava.
Alimentava-me e dormia nas horas certas, copiando os meus antigos hábitos.
Certa noite, porém, tive tanta sede de espiritualidade, tanto anseio de confraternização que, vagueando na rua, procurei o Alto da Tijuca para meditar, chorar e penitenciar-me...
Minha lágrimas, contudo, eram dessa vez tão sinceras que alguém se compadeceu de mim.
Surgiu-me à frente um irmão dos infortunados e, com muita bondade, reconduziu-me ao velho templo espírita a que antigamente me afeiçoara.
Era noite avançada, mas o edifício estava repleto.
Um mensageiro do Plano Superior dirigia grande assembléia.
E o enfermeiro que, paciente, me encaminhara, esclareceu-me que ali se verificava o encontro de um benfeitor do Alto com os desencarnados que se caracterizavam por mais ampla sede de luz.
Esse Instrutor penetrava-nos a consciência, anotando o mérito ou o demérito de que éramos portadores para demandar a suspirada renovação de clima.
Muitos irmãos eram ouvidos pessoalmente.
Após duas horas de expectativa, chegou minha vez.
Pelo olhar daquele Espírito extremamente lúcido, deduzi que nenhum pensamento meu lhe seria ocultado.
Aqueles olhos varriam os mais fundos escaninhos do meu ser.
Anotei meu problema.
Desejava mudança.
Ansiava melhorar minha triste situação.
Perguntou-me o Instrutor qual havia sido o meu modo de vida.
Creio que ele não tinha necessidade de indagar coisa alguma, no entanto, a casa acolhia numerosos necessitados e, a meu ver, a lição administrada a qualquer de nós deveria servir a outrem.
Aleguei, preocupado, que havia protegido corretamente a família terrestre e que havia preservado a minha saúde com segurança.
Ele sorriu e respondeu que semelhantes misteres eram comuns aos próprios animais.
Pediu que, de minha parte, confessasse algum ato que pudesse enobrecer as minhas palavras, algo que lhe fosse apresentado como justificativa de auxilio às minhas pretensões de trabalho, melhoria e ascensão.
Minha memória vasculhou os anos vividos, inutilmente...
Não encontrei um ato sequer, capaz de alicerçar-me a esperança.
Não que o serviço de corretor de imóveis seja indigno, mas é que eu capitalizava o dinheiro haurido em minhas lides profissionais, qual terra seca coletando a água da chuva:
chupava... chupava... chupava... sem restituir gota alguma.
Depois de agoniados instantes, lembrei-me de que em certa ocasião encontrara três amigos de nosso templo, na Praça da Bandeira, a insistirem comigo para que lhes acompanhasse a jornada caridosa até um lar humilde, na Favela do esqueleto.
Fiz tudo para desvencilhar-me do convite que me pareceu aborrecido e imprudente.
Mas o grupo, que se constituía de uma senhora e dois companheiros, desenvolveu sobre mim tamanho constrangimento afetivo, que não tive outro recurso senão atender à carinhosa exigência.
Dai a alguns minutos, varávamos estreita choupana de lata velha, onde fomos defrontados por um quadro desolador.
Pobre mulher tuberculosa agonizava.
Nosso conjunto, entretanto, logo à chegada, fragmentou-se, pois a companheira foi convocada pelo esposo ao retorno imediato e o outro amigo deu-se pressa em voltar, pretextando serviço urgente.
Não pude, todavia, imitar-lhes a decisão.
Os olhos da enferma eram de tal modo suplicantes que uma força irresistível me fez dobrar os joelhos para socorrê-la no leito, mal amanhado no chão.
Perguntei-lhe o nome.
Gaguejou... gaguejou... e informou chamar-se Maria Amélia da Conceição.
Seus familiares, uma velha e dois meninos que se assemelhavam a cadáveres ambulantes, não lhe podiam prestar auxílio.
Inclinei-me e coloquei-lhe a cabeça suarenta nos braços, tentando suavizar-lhe a dispnéia ; no entanto, depois de alguns minutos, a infeliz, numa golfada de sangue, entregou-se à morte.
Senti-me sumamente contrafeito.
Mas para ver-me livre de quadro tão deprimente, pela primeira vez arranquei da bolsa uma importância mais farta, transferindo-a para as mãos da velhinha, com vistas aos funerais.
Afastei-me, irritadiço.
E, antes da volta a casa, procurei um hotel para um banho de longo curso, com desinfetante adequado.
E, no outro dia, consultei um médico sobre o assunto, com receio de contágio...
O painel que o tempo distanciara assomou-me à lembrança, mas tentei sufocá-la na minha imaginação, pois aquele era um ato que eu havia levado a efeito constrangidamente, sem mérito algum, de vez que o socorro a Maria Amélia da Conceição fora simplesmente para mim um aborrecimento indefinível...
Contudo, enquanto a minha mente embatucada não conseguia resposta, desejando asfixiar a indesejável reminiscência, alguém avançou da assembléia e abraçou-me.
Esse alguém era a mesma mulher da triste vila do Esqueleto.
Maria Amélia da Conceição vinha em meu socorro.
Pediu ao benfeitor que nos dirigia recompensasse o meu gesto, notificando que eu lhe havia ofertado pensamentos de amor na extrema hora do corpo e que lhe havia doado, sobretudo, um enterro digno com o preço de minha dedicação fraternal, como se a fraternidade, algum dia, houvesse andado em minhas cogitações...
As lágrimas irromperam-me dos olhos e, desde aquela hora, para felicidade minha, retornei ao trabalho, sendo investido na tarefa de amparar os agonizantes, tarefa essa em cujo prosseguimento venho encontrando abençoadas afeições, reerguendo-me para luminoso porvir.
Bastou um simples ato de amor, embora constrangidamente praticado, para que minha embaraçosa inquietação encontrasse alívio.
É por isso que, trazido à vossa reunião de ensinamento e serviço, sou advertido a contar-vos minha experiência dolorosa e simples, para reafirmar-vos o imperativo de sermos espíritas pelo coração e pela alma, pela vida e pelo entendimento, pela teoria e pela prática, porque em verdade, como espíritas, à luz do Espiritismo Cristão, podemos e devemos fazer muito na construção sublime do bem.
Por esse motivo, concluo reafirmando:
Espiritismo...
Sou espírita...
Fora da caridade não há salvação...
Maravilhosas palavras!...
Que Jesus nos abençoe.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

ESTUDO DO EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAP.5 *BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS - INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS: VI – Os tormentos voluntários - SALA JDE - ANDRÉ LUIZ (ZECH) - 06-11-2014

http://youtu.be/SRntQP6Aoe4

LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS

APONTAMENTOS DE AMIGO
André Luiz

No término de nossas atividades, na reunião da noite de 13 de outubro de 1955, foi nosso amigo André Luiz quem compareceu, através do médium, induzindo-nos à serenidade e à coragem, com a mensagem seguinte.

Amigos:
Em vossos dias cinzentos, lembrai aqueles irmãos que perambulam nas trevas.
Padecendo as pedras da estrada, recordai os que se encontram atados ao leito imóvel.
Sob  o  aguaceiro  das  provas, não vos  esqueçais  dos que  estão  soterrados na lama  das grandes culpas.
Diante da mesa pobre, refleti nos companheiros sob o flagelo da fome.
Sofrendo a roupa escassa, contemplai as criaturas que a expiação veste de chagas.
Entre as alfinetadas dos dissabores, não olvideis os que tombam sob o punhal da grande miséria.
Não vos aconselheis com a desesperação.
Não vos acomodeis com a rebeldia.
Esperar com paciência, ofertando ao caminho o melhor de nós, é o segredo do grande Triunfo.
O tempo que faz a noite é o tempo que traz o dia.
Para escalar a montanha salvadora, fitemos quem brilha à frente!...
Para não cairmos, aniquilados pelo desânimo, na marcha de cada dia, reparemos quem chora na retaguarda!...
A luta é um instrumento divino.
Não a menosprezeis!...

*

Com estas palavras, apresentamos à nossa casa a irmã Francisca Júlia da Silva, que, havendo atravessado aflitivas provações, à morte do corpo físico, atualmente se propõe trabalhar no combate ao suicídio.
Rogamos, assim, alguns minutos de silêncio, a fim de que ela possa transmitir sua mensagem.
Logo após retirar-se, a poetiza anunciada tomou as possibilidades mediúnicas, com maneiras características, e pronunciou o belo soneto que ela própria intitulou com o expressivo apelo – Lutai!
Lutai!
Francisca Júlia da Silva

Por mais vos fira o sonho, a rajada violenta
Do temporal de fel que enlouquece e vergasta,
Suportai, com denodo, a fúria iconoclasta 
E o granizo cruel da lúrida tormenta.
Carreia a dor consigo a beleza opulenta
Da verdade suprema, eternamente casta;
Recebei-lhe o aguilhão que nos lacera e arrasta,
Ouvindo a voz da fé que vos guarda e apascenta.
De alma erguida ao Senhor varai a sombra fria! ...
Por mais horrenda noite, há sempre um novo dia,
Ao calor da esperança – a luz que nos enleva...
A aflição sem revolta é paz que nos redime.
Não olvideis na cruz redentora e sublime
Que a fuga para a morte é um salto para a treva.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

ESTUDO DO LIVRO DEPOIS DA MORTE DE LEON DENIS - *O CAMINHO RETO ... - CAP. 52 *TRABALHO, SOBRIEDADE, CONTINÊNCIA - SALA JDE - EXPOSITOR: ANDRÉ LUIZ (ZECH) - 05-11-2014

http://youtu.be/BiNRg1MrFqM

LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS

APONTAMENTOS CRISTÃOS
André Luiz

No término das nossas atividades na reunião da noite de 9 de fevereiro de 1956, recebemos a palavra do nosso abnegado instrutor André Luiz, que nos transmitiu estes preciosos 
"apontamentos cristãos".

Meus amigos:
Jesus conosco.
Em tarefa junto de nosso agrupamento, valemo-nos do ensejo para transmitir, à nossa casa alguns apontamentos cristãos:
1º) Não te encolerizes.
O punhal da nossa ira alcança-nos a própria saúde, impondo-nos o vírus da enfermidade.

2º) Não critiques.
A  lâmina  de  nossa  reprovação  volta-se,  invariavelmente,  contra  nós,  expondo-nos  as próprias deficiências.

3º) Não comentes o mal do próximo.
O lodo da maledicência derramar-se-á sobre os nossos passos, enodoando-nos o caminho.

4°) Não apedrejes.
Os calhaus da nossa violência de hoje tomarão amanhã, por alvo, a nossa própria cabeça.

5°) Não desesperes.
O raio de nossa inconformação aniquilará a sementeira de nossos melhores sonhos.

6°) Não perturbes.
O ruído de nossa dissensão desorientar-nos-á o próprio raciocínio.

7°) Não escarneças.
O fel de nosso sarcasmo azedará o vinho da alegria no vaso de nosso coração, envenenando-nos a existência.

8°) Não escravizes.
As algemas do nosso egoísmo aprisionar-nos-ão no cárcere da loucura.

9°) Não odeies.
A labareda de nosso ódio incendiar-nos-á o próprio destino.

10°) Não firas.
O golpe da nossa crueldade, brandido na direção, dos outros, retornará a nós mesmos, 
inevitavelmente, fazendo chagas de dor e aflição no corpo de nossa vida.

André Luiz