O CÍRCULO DE ORAÇÃO
F. Labouriau
Noite de 11 de agosto de 1955.
Em finalizando as nossas tarefas no socorro aos sofredores desencarnados, comparece o irmão José Xavier que nos recomenda fraternalmente:
- Solicitamos dos companheiros alguns momentos de acurada meditação para articularmos com mais segurança o “tono vibratório” de nossa reunião, porque, hoje, um novo amigo, o Professor Labouriau, ocupará o canal mediúnico, a fim de expressar-se quanto ao valor de um círculo de oração.
Com efeito, daí a instantes transfigura-se o médium.
A entidade comunicante senhoreira-lhe todas as forças. Levanta-se. Fala-nos à maneira de um preceptor interessado na educação dos aprendizes. E transmite-nos o fulgurante estudo que oferecemos neste capítulo.
Comentemos a importância de um círculo de oração nos serviços de assistência medianímica, como um aparelho acelerador de metamorfose espiritual.
Imaginemo-lo assim como um ciclotron da ciência atomística dos tempos modernos.
Os companheiros do grupo funcionam como eletroímãs, carregados de força magnética positiva, e negativa, constituindo uma corrente alternada de alta freqüência, através da qual o socorro do Plano Superior, transmitido por intermédio do dirigente físico, exterioriza-se como sendo um projétil de luz sobre o desencarnado em sombra que, simbolizando o núcleo atômico a ser atingido, permanece justaposto ao alvo mediúnico.
No bombardeio nuclear, sabemos que um próton, arremessado sobre o objetivo, imprime-lhe transformação compulsória à estrutura essencial.
Um átomo elevar-se-á na escala do sistema periódico, na medida das cargas dos corpúsculos que lhe forem agregados.
Assim sendo, a projeção de um próton sobre certa unidade química determina a subida de um ponto em sua posição na série estequiogenética.
A carga do único próton do núcleo do átomo de Hidrogênio, de número atômico 1, arrojada sobre o Lítio, cujo número atômico é 3, modificá-lo-á para Berílio, que tem número atômico 4; ou, sobre o Alumínio, de número atômico 13, alterá-lo-á para Silício, cujo número atômico é 14.
Nesse mesmo critério, a injeção de um núcleo de átomo de Hélio com seus dois prótons, de número atômico 2, sobre Berílio, de número atômico 4, adicionar-lhe-á dois pontos acima, convertendo-o em Carbono, cujo número atômico é 6.
Recorremos a figurações elementares do mundo químico para dizer que no círculo de oração o impacto das energias emitidas de nosso plano, através do orientador encarnado, em base de radiações por enquanto inacessíveis à perquirição terrestre, provoca sensíveis alterações na mente perturbada, conduzida à assistência cristianizadora.
Consciências estagnadas nas trevas da ignorância ou da insânia perversa, são trazidas à retorta mediúnica para receberem o bombardeio controlado de forças e idéias transformadoras que lhes renovam o campo íntimo, e, daí, nasce a guerra franca e sem quartel, declarada a todos os grupos respeitáveis do Espiritismo pelas Inteligências que influenciam na sombra e que fazem do vampirismo a sua razão de ser.
Todos vós, que recolhestes do Senhor os mandatos do esclarecimento, os recursos da mediunidade e os títulos da cooperação, no trato com os reinos do Espírito, sabei que para conservardes um círculo de oração, equilibrado e seguro, é imprescindível pagar os mais altos tributos de sacrifício, porque, em verdade, retendes convosco poderosa máquina de transmutação espiritual, restaurando almas enfermas e transviadas em núcleo de ação eficiente, que vale por reduto precioso de operações da Esfera divina, no amparo às necessidades e problemas da Terra.
Unamo-nos, assim, no trabalho do Cristo, como obreiros da Grande Fraternidade, mantendo-nos diligentes e alertas, na batalha incessante do bem contra o mal em que devemos servir para a vitória da Luz.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS
NOITE DE FINADOS
Augusto dos Anjos
Terminávamos nossas lides espirituais da noite de 3 de novembro de 1955, quando notável surpresa nos felicitou os corações.
Pela primeira vez em nossa casa, o Espírito Augusto dos Anjos, o inesquecível poeta paraibano, se utilizou das faculdades psicofônicas do médium, transmitindo-nos o poema aqui transcrito, por ele pronunciado com inflexão de profunda emotividade e grande beleza.
Finados. Noite. Em lúgubres acentos,
Passa ululando horrenda ventania,
Cantochão estendendo a nevoa fria
Na cidade dos vermes famulentos.
Avançam larvas com medonha fúria,
Insensíveis ao fausto das legendas,
Congestionando o chão aberto em fendas,
No pungente festim da carne espúria.
Dormem os anjos de pedra sobre as lousas...
Dos mausoléus ao solo miserando,
Choram rosas e goivos, irmanando
A poeira da carne e o pó das cousas.
De aprimorados nichos e capelas
Que definem o brio dos coveiros,
Envolvendo ciprestes e salgueiros,
Sai o cheiro de morte que há nas veias.
O doloroso pio das corujas,
Como sinal soturno em fim de festa,
Da glória humana é tudo quanto resta
Nos mármores que guardam cinzas sujas.
Ao nosso olhar, no quadro em desconforto,
Estranhos círios luzem comovidos:
São as preces vazadas nos gemidos
De quem sofre no mundo amargo e morto.
São as flores do pranto agro e sem nome
Que a saudade verteu, desfalecida,
Atrelada à esperança de outra vida
Para a vida de angústia que a consome.
Aqui, apelos desconsoladores
Lembram noivas e mães infortunadas...
Mais além, petições desesperadas
Trazem consigo o fel das grandes dores.
Desce, porém, do Espaço almo e profundo
A luminosa e bela romaria
Dos mortos que renascem na alegria
Em socorro dos mortos deste mundo.
Chamas divinas da Divina Chama,
Entrelaçam-se em torno à Terra obscura,
Despertando os que jazem na amargura
Dos sepulcros carnais de treva e lama.
Trazem cantando o lábaro fremente
Do amor universal que tudo aquece,
Clamando para a dor da humana espécie:
— Somos filhos de Deus eternamente.
Finados!... Grita a morte estranha e crua
Na química fatal do transformismo.
Mas, transposto o cairel do grande abismo,
Eis que a Vida Infinita continua...
Augusto dos Anjos
Terminávamos nossas lides espirituais da noite de 3 de novembro de 1955, quando notável surpresa nos felicitou os corações.
Pela primeira vez em nossa casa, o Espírito Augusto dos Anjos, o inesquecível poeta paraibano, se utilizou das faculdades psicofônicas do médium, transmitindo-nos o poema aqui transcrito, por ele pronunciado com inflexão de profunda emotividade e grande beleza.
Finados. Noite. Em lúgubres acentos,
Passa ululando horrenda ventania,
Cantochão estendendo a nevoa fria
Na cidade dos vermes famulentos.
Avançam larvas com medonha fúria,
Insensíveis ao fausto das legendas,
Congestionando o chão aberto em fendas,
No pungente festim da carne espúria.
Dormem os anjos de pedra sobre as lousas...
Dos mausoléus ao solo miserando,
Choram rosas e goivos, irmanando
A poeira da carne e o pó das cousas.
De aprimorados nichos e capelas
Que definem o brio dos coveiros,
Envolvendo ciprestes e salgueiros,
Sai o cheiro de morte que há nas veias.
O doloroso pio das corujas,
Como sinal soturno em fim de festa,
Da glória humana é tudo quanto resta
Nos mármores que guardam cinzas sujas.
Ao nosso olhar, no quadro em desconforto,
Estranhos círios luzem comovidos:
São as preces vazadas nos gemidos
De quem sofre no mundo amargo e morto.
São as flores do pranto agro e sem nome
Que a saudade verteu, desfalecida,
Atrelada à esperança de outra vida
Para a vida de angústia que a consome.
Aqui, apelos desconsoladores
Lembram noivas e mães infortunadas...
Mais além, petições desesperadas
Trazem consigo o fel das grandes dores.
Desce, porém, do Espaço almo e profundo
A luminosa e bela romaria
Dos mortos que renascem na alegria
Em socorro dos mortos deste mundo.
Chamas divinas da Divina Chama,
Entrelaçam-se em torno à Terra obscura,
Despertando os que jazem na amargura
Dos sepulcros carnais de treva e lama.
Trazem cantando o lábaro fremente
Do amor universal que tudo aquece,
Clamando para a dor da humana espécie:
— Somos filhos de Deus eternamente.
Finados!... Grita a morte estranha e crua
Na química fatal do transformismo.
Mas, transposto o cairel do grande abismo,
Eis que a Vida Infinita continua...
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS
NO TRATO COM OS SOFREDORES
Efigênio S. Vítor
Reunião da noite de 20 de setembro de 1956.
Para reconforto da nossa equipe de trabalho, quem compareceu no horário dedicado às instruções foi o nosso amigo espiritual Efigênio S. Vitor, que prelecionou, com felicidade e segurança, quanto ao impositivo da fraternidade cristã, no trato com os Espíritos sofredores.
Nossos modestos apontamentos desta noite objetivam acordar-nos a atenção para a responsabilidade no trato com os desencarnados sofredores, transviados em treva e perturbação.
É imprescindível aplicar a psicologia cristã em todas as fases do intercâmbio.
Em várias circunstâncias, essas entidades jazem extremamente ligadas aos nossos corações.
O obsessor muita vez será o companheiro enternecidamente querido à nossa alma e que se nos distanciou do caminho. Será um pai muito amado que nos partilhou a luta em passado
próximo... Será uma criatura jungida a nós outros, através de vínculos preciosos que o pretérito nos restitui...
A amnésia temporária, que nos é imposta durante a reencarnação, à maneira de supremo recurso da Lei Divina para acomodar-nos a mente enfermiça à extirpação dos males profundos que nos atormentam a alma, não nos exime da cortesia e do respeito para com os seres que nos compartilham a sorte.
Daí procede o imperativo de muito carinho, prudência e ponderação na abordagem das mentes desequilibradas que nos visitam.
A sessão mediúnica para socorro a desencarnados padecentes pode ser comparada a uma clínica psiquiátrica, funcionando em nome da bondade de Nosso Senhor Jesus - Cristo.
O doutrinador ou os doutrinadores são médicos e enfermeiros com obrigações muito graves para com os necessitados e pacientes que os procuram.
Não podemos esquecer que o desencarnado dessa condição, transportando imensos conflitos em si próprio, é assim como pilha ressecada, com perda quase absoluta de potência elétrica, acolhendo-se numa pilha nova, carregada de energia – o médium a que se ajusta -, fazendo retinir a campainha das manifestações sensoriais, de modo a reequilibrar-se com a eficiência possível.
O médico sensato, frente ao enfermo que lhe pede auxílio, decerto não entrará em pormenorizadas indagações quanto a deslizes que terá ele cometido, por infortúnio da própria situação.
Não usará franqueza destrutiva.
Saberá dosar a verdade, veiculando-a através da água viva do amor, suscetível de regenerar os tecidos lesados por moléstias indefiníveis.
Invocará a essência do socorro divino, que palpita em toda a Natureza, estimulando-lhe, assim, a confiança.
Situá-lo-á no otimismo, na alegria e na esperança, a fim de que o poder curativo do Criador em cada célula viva possa entrar em ação.
E o doutrinador, na assembléia mediúnica, é um agente da mesma espécie, atendendo a uma dupla de pacientes, que, no caso, vem a ser o desencarnado doente e o médium que o abriga, pois que qualquer golpe vibrado sobre a entidade comunicante percutirá, de modo imediato, sobre a organização perispirítica do instrumento em serviço.
É por essa razão que, muitas vezes, se o doutrinador não se precata contra semelhantes perigos, o medianeiro humano, não obstante amparado por benfeitores responsáveis, costuma retirar-se da tarefa assistencial predisposto a perturbações orgânicas, porquanto, entre a organização medianímica que auxilia e o doutrinador que esclarece, se entrosam elos sutis de força, em torno do necessitado que está recolhendo o recurso de que precisa, a fim de refazer-se.
O desencarnado sofredor, no momento em que se comunica, permanece, dessa forma, temporariamente, quase que na posição de um filho espiritual das forças conjugadas do doutrinador e do médium.
Eis aí a razão por que devemos prezar com mais veemência a responsabilidade nos serviços desse teor.
Fazem-se indispensáveis a serenidade e a tolerância. E em qualquer fase mais complexa do esforço protecionista recordemos a oportunidade da prece como medicação inadiável para que a bênção de Mais Alto se registre na obra de solidariedade cristã que nos propomos efetuar.
Não nos esqueçamos, assim, de que na comunhão com as mentes torturadas, já libertas do vaso físico, é imprescindível aprendamos, com Jesus, a servir com paciência e carinho, para que a nossa máquina de trabalho não se resseque, por falta de combustível da humildade e do amor.
Efigênio S. Vítor
Reunião da noite de 20 de setembro de 1956.
Para reconforto da nossa equipe de trabalho, quem compareceu no horário dedicado às instruções foi o nosso amigo espiritual Efigênio S. Vitor, que prelecionou, com felicidade e segurança, quanto ao impositivo da fraternidade cristã, no trato com os Espíritos sofredores.
Nossos modestos apontamentos desta noite objetivam acordar-nos a atenção para a responsabilidade no trato com os desencarnados sofredores, transviados em treva e perturbação.
É imprescindível aplicar a psicologia cristã em todas as fases do intercâmbio.
Em várias circunstâncias, essas entidades jazem extremamente ligadas aos nossos corações.
O obsessor muita vez será o companheiro enternecidamente querido à nossa alma e que se nos distanciou do caminho. Será um pai muito amado que nos partilhou a luta em passado
próximo... Será uma criatura jungida a nós outros, através de vínculos preciosos que o pretérito nos restitui...
A amnésia temporária, que nos é imposta durante a reencarnação, à maneira de supremo recurso da Lei Divina para acomodar-nos a mente enfermiça à extirpação dos males profundos que nos atormentam a alma, não nos exime da cortesia e do respeito para com os seres que nos compartilham a sorte.
Daí procede o imperativo de muito carinho, prudência e ponderação na abordagem das mentes desequilibradas que nos visitam.
A sessão mediúnica para socorro a desencarnados padecentes pode ser comparada a uma clínica psiquiátrica, funcionando em nome da bondade de Nosso Senhor Jesus - Cristo.
O doutrinador ou os doutrinadores são médicos e enfermeiros com obrigações muito graves para com os necessitados e pacientes que os procuram.
Não podemos esquecer que o desencarnado dessa condição, transportando imensos conflitos em si próprio, é assim como pilha ressecada, com perda quase absoluta de potência elétrica, acolhendo-se numa pilha nova, carregada de energia – o médium a que se ajusta -, fazendo retinir a campainha das manifestações sensoriais, de modo a reequilibrar-se com a eficiência possível.
O médico sensato, frente ao enfermo que lhe pede auxílio, decerto não entrará em pormenorizadas indagações quanto a deslizes que terá ele cometido, por infortúnio da própria situação.
Não usará franqueza destrutiva.
Saberá dosar a verdade, veiculando-a através da água viva do amor, suscetível de regenerar os tecidos lesados por moléstias indefiníveis.
Invocará a essência do socorro divino, que palpita em toda a Natureza, estimulando-lhe, assim, a confiança.
Situá-lo-á no otimismo, na alegria e na esperança, a fim de que o poder curativo do Criador em cada célula viva possa entrar em ação.
E o doutrinador, na assembléia mediúnica, é um agente da mesma espécie, atendendo a uma dupla de pacientes, que, no caso, vem a ser o desencarnado doente e o médium que o abriga, pois que qualquer golpe vibrado sobre a entidade comunicante percutirá, de modo imediato, sobre a organização perispirítica do instrumento em serviço.
É por essa razão que, muitas vezes, se o doutrinador não se precata contra semelhantes perigos, o medianeiro humano, não obstante amparado por benfeitores responsáveis, costuma retirar-se da tarefa assistencial predisposto a perturbações orgânicas, porquanto, entre a organização medianímica que auxilia e o doutrinador que esclarece, se entrosam elos sutis de força, em torno do necessitado que está recolhendo o recurso de que precisa, a fim de refazer-se.
O desencarnado sofredor, no momento em que se comunica, permanece, dessa forma, temporariamente, quase que na posição de um filho espiritual das forças conjugadas do doutrinador e do médium.
Eis aí a razão por que devemos prezar com mais veemência a responsabilidade nos serviços desse teor.
Fazem-se indispensáveis a serenidade e a tolerância. E em qualquer fase mais complexa do esforço protecionista recordemos a oportunidade da prece como medicação inadiável para que a bênção de Mais Alto se registre na obra de solidariedade cristã que nos propomos efetuar.
Não nos esqueçamos, assim, de que na comunhão com as mentes torturadas, já libertas do vaso físico, é imprescindível aprendamos, com Jesus, a servir com paciência e carinho, para que a nossa máquina de trabalho não se resseque, por falta de combustível da humildade e do amor.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS
NO CELEIRO DA PRECE
Múcio Teixeira
Na reunião de 28 de julho de 1955, a presença espiritual do grande poeta Múcio Teixeira foi carinhosamente anunciada pelo nosso companheiro José Xavier. Daí a momentos, o
generoso visitante empolgou a organização mediúnica, ofertando-nos o belo soneto que passamos à sensibilidade dos nossos leitores.
Nevoeiro... Torpor... Eis que a treva se adensa.
E na senda abismal, sem luz que a reconforte,
Vagueia a multidão dos viajores da morte,
Sob rude aquilão na treva espessa e imensa.
Trazem na mente em sombra a insensatez sem norte,
O vício, a usura, a inveja, a maldade e a descrença,
O desencanto, o fel...e tudo o que condensa
A dor de quem viveu no escárnio à própria sorte.
Irmãos que partilhais os dons da escola humana,
Vinde à prece e ajudai a triste caravana
Em desesperação no caminho inseguro!...
E aprendei, desde agora, a servir cada instante,
Preparando no bem luminoso e incessante
A glória do presente e a ascensão do futuro.
Múcio Teixeira
Na reunião de 28 de julho de 1955, a presença espiritual do grande poeta Múcio Teixeira foi carinhosamente anunciada pelo nosso companheiro José Xavier. Daí a momentos, o
generoso visitante empolgou a organização mediúnica, ofertando-nos o belo soneto que passamos à sensibilidade dos nossos leitores.
Nevoeiro... Torpor... Eis que a treva se adensa.
E na senda abismal, sem luz que a reconforte,
Vagueia a multidão dos viajores da morte,
Sob rude aquilão na treva espessa e imensa.
Trazem na mente em sombra a insensatez sem norte,
O vício, a usura, a inveja, a maldade e a descrença,
O desencanto, o fel...e tudo o que condensa
A dor de quem viveu no escárnio à própria sorte.
Irmãos que partilhais os dons da escola humana,
Vinde à prece e ajudai a triste caravana
Em desesperação no caminho inseguro!...
E aprendei, desde agora, a servir cada instante,
Preparando no bem luminoso e incessante
A glória do presente e a ascensão do futuro.
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS
MENSAGEM DE ALERTA
Antônio Luiz Sayão
Reunião de 16 de junho de 1955.
Com instruções dos benfeitores Espirituais para a organização de um novo livro de anotações e ensinamentos, o Grupo Meimei, ao término dos serviços da noite, começou a recolher, como de hábito, através da mediunidade do companheiro Francisco Cândido Xavier, o material destinado a esse fim, com a visita do respeitável instrutor Antônio Luiz Sayão, inolvidável pioneiro do Espiritismo no Brasil, que pronunciou a comovente mensagem que se segue, alusiva às nossas necessidades de vigilância.
Irmãos:
Permaneçamos na paz de Nosso Senhor Jesus.
O acicate das provações necessárias fere o mundo.
O avanço da inteligência moderna mais se assemelha a rude sarcasmo, tributando a Civilização com vexames e calamidades de toda espécie.
O homem, efetivamente, multiplicou os poderes da máquina que lhe soluciona variados problemas da luta material, mas sofre o escárnio desse avanço, visto que o imenso progresso industrial, que lhe assinala a experiência de agora, mais lhe destaca a miserabilidade do espírito, acelerando-lhe a corrida para os desastres e crises de toda ordem.
Registrando o apontamento, não temos o gosto de manejar a picareta derrotista, nem somos profetas do pessimismo ou da decadência.
Compreendemos o sofrimento individual e coletivo como imposição natural e justa de que não nos é lícito escapar, tanto quanto, na existência comum, ninguém foge ao serviço da limpeza, se pretende evoluir ou preservar-se.
Não há tempestade sem benefício, como não existe noite sem alvorada.
Desejamos apenas comentar com os nossos irmãos de fé a necessidade de mais ampla assimilação do Evangelho em nossas linhas de atividade.
O título de espírita, atualmente, vale por cristão redivivo, envolvendo a inadiável obrigação de socorro ao mundo.
E todos nós, que já recebemos, por mercê do Senhor, o conhecimento da Justiça Divina, através da reencarnação, e a certeza da imortalidade da alma, constituímos, em nome do Mestre, vasta frente de servidores com o dever de ajudar a Humanidade que se debate no caos.
Para que estejamos, porém, investidos do poder que semelhante mandato nos faculta, é indispensável, não apenas pregar o evangelho, mas incorporá-lo a nós mesmos, para que a nossa vida fale mais alto que as nossas palavras.
Nas vastidões obscuras das esferas inferiores, choram os soldados que perderam inadvertidamente a oportunidade da vitória. São aqueles companheiros nossos que transitaram no luminoso carreiro da Doutrina, exigindo baixasse o Céu até eles, sem coragem para o sacrifício de se elevarem até o Céu. Permutando valores eternos pelo prato de lentilhas da facilidade humana, precipitaram-se no velho rochedo da desilusão, a que se prendem pelo desespero e pelo arrependimento tardio.
E o grande conflito entre o bem e o mal continua fragoroso e terrível, concitando-nos à humildade e ao trabalho, ao amor e à renúncia.
Espíritas, irmãos de ideal, se quiserdes o triunfo nas promessas que assinastes Mais Alto, antes de empreenderdes a presente romagem no mundo, é preciso acordar para as responsabilidades de viver e de crer, lutando destemerosamente na regeneração de nós mesmos e no soerguimento moral da Terra!
Guardemos a provação por bênção, o trabalho por alimento espiritual de cada dia, o
obstáculo por medida de nossa confiança, a fé por nosso incessante estímulo e a consciência
tranqüila por nosso melhor galardão.
A batalha neste século é decisiva para nós, espiritistas e servidores da Boa-Nova, quinhoados com a riqueza do conhecimento renovador! Aceitaremos o Cristo, libertando-nos definitivamente das trevas, ou permaneceremos nas trevas, adiando indefinidamente a nossa libertação com o Cristo.
Que Nossa Mãe Santíssima nos proteja e nos abençoe.
Antônio Luiz Sayão
Reunião de 16 de junho de 1955.
Com instruções dos benfeitores Espirituais para a organização de um novo livro de anotações e ensinamentos, o Grupo Meimei, ao término dos serviços da noite, começou a recolher, como de hábito, através da mediunidade do companheiro Francisco Cândido Xavier, o material destinado a esse fim, com a visita do respeitável instrutor Antônio Luiz Sayão, inolvidável pioneiro do Espiritismo no Brasil, que pronunciou a comovente mensagem que se segue, alusiva às nossas necessidades de vigilância.
Irmãos:
Permaneçamos na paz de Nosso Senhor Jesus.
O acicate das provações necessárias fere o mundo.
O avanço da inteligência moderna mais se assemelha a rude sarcasmo, tributando a Civilização com vexames e calamidades de toda espécie.
O homem, efetivamente, multiplicou os poderes da máquina que lhe soluciona variados problemas da luta material, mas sofre o escárnio desse avanço, visto que o imenso progresso industrial, que lhe assinala a experiência de agora, mais lhe destaca a miserabilidade do espírito, acelerando-lhe a corrida para os desastres e crises de toda ordem.
Registrando o apontamento, não temos o gosto de manejar a picareta derrotista, nem somos profetas do pessimismo ou da decadência.
Compreendemos o sofrimento individual e coletivo como imposição natural e justa de que não nos é lícito escapar, tanto quanto, na existência comum, ninguém foge ao serviço da limpeza, se pretende evoluir ou preservar-se.
Não há tempestade sem benefício, como não existe noite sem alvorada.
Desejamos apenas comentar com os nossos irmãos de fé a necessidade de mais ampla assimilação do Evangelho em nossas linhas de atividade.
O título de espírita, atualmente, vale por cristão redivivo, envolvendo a inadiável obrigação de socorro ao mundo.
E todos nós, que já recebemos, por mercê do Senhor, o conhecimento da Justiça Divina, através da reencarnação, e a certeza da imortalidade da alma, constituímos, em nome do Mestre, vasta frente de servidores com o dever de ajudar a Humanidade que se debate no caos.
Para que estejamos, porém, investidos do poder que semelhante mandato nos faculta, é indispensável, não apenas pregar o evangelho, mas incorporá-lo a nós mesmos, para que a nossa vida fale mais alto que as nossas palavras.
Nas vastidões obscuras das esferas inferiores, choram os soldados que perderam inadvertidamente a oportunidade da vitória. São aqueles companheiros nossos que transitaram no luminoso carreiro da Doutrina, exigindo baixasse o Céu até eles, sem coragem para o sacrifício de se elevarem até o Céu. Permutando valores eternos pelo prato de lentilhas da facilidade humana, precipitaram-se no velho rochedo da desilusão, a que se prendem pelo desespero e pelo arrependimento tardio.
E o grande conflito entre o bem e o mal continua fragoroso e terrível, concitando-nos à humildade e ao trabalho, ao amor e à renúncia.
Espíritas, irmãos de ideal, se quiserdes o triunfo nas promessas que assinastes Mais Alto, antes de empreenderdes a presente romagem no mundo, é preciso acordar para as responsabilidades de viver e de crer, lutando destemerosamente na regeneração de nós mesmos e no soerguimento moral da Terra!
Guardemos a provação por bênção, o trabalho por alimento espiritual de cada dia, o
obstáculo por medida de nossa confiança, a fé por nosso incessante estímulo e a consciência
tranqüila por nosso melhor galardão.
A batalha neste século é decisiva para nós, espiritistas e servidores da Boa-Nova, quinhoados com a riqueza do conhecimento renovador! Aceitaremos o Cristo, libertando-nos definitivamente das trevas, ou permaneceremos nas trevas, adiando indefinidamente a nossa libertação com o Cristo.
Que Nossa Mãe Santíssima nos proteja e nos abençoe.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS
MEDIUNIDADE E ESPIRITISMO
Efigênio S. Vitor
No remate das nossas tarefas da noite de 28 de Junho de 1956, nosso núcleo foi honrado com a visita do nosso amigo espiritual Efigênio S. Vítor, que controlou o médium e discorreu brilhantemente sobre Espiritismo e Mediunidade.
Roguemos a bênção de Jesus em nosso favor.
Assuntos existem, no âmbito de nossa construção doutrinária, que nunca serão comentados em excesso.
Reportamo-nos aqui ao tema “Espiritismo e Mediunidade”, para alinhar algumas anotações que consideramos indispensáveis à segurança de nossas diretrizes.
Mediunidade é atributo peculiar ao psiquismo de todas as criaturas.
Espiritismo é um corpo de princípios morais, objetivando a libertarão da alma humana para a Vida Maior.
Médium, em boa sinonímia, segundo cremos, quer dizer “meio”.
Médium, em razão disso, dentro de nossas fileiras, significa intermediário, medianeiro, intérprete.
Médiuns, por isso, existiram em todos os tempos. Na antiguidade remota, eram adivinhos e pitonisas que, frequentemente, pagavam com a vida o conhecimento inabitual de que se faziam portadores.
Na Idade Medieval, eram santos e santas, quando se afinavam à craveira religiosa da época, ou, então, feiticeiros e bruxas, recomendados à. fogueira ou à forca, quando se não ajustavam aos preconceitos do tempo em que nasceram.
Hoje, possuímo-los em todos os tons, em dilatadas expressões polimórficas.
Médiuns psicógrafos, clarividentes, clariaudientes, curadores, poliglotas, psicofônicos,
materializadores, intuitivos...
Médiuns de efeitos físicos ou de efeitos intelectuais...
No próprio Evangelho, em cujas raízes divinas o Espiritismo jaz naturalmente mergulhado, vamos encontrar um perfeito escalonamento de valores, definições e atividades mediúnicas.
Vemos a mediunidade, absolutamente sublimada, em nossa Mãe Santíssima, quando regista a visitarão das entidades angélicas.
Reconhecemos a clariaudiência avançada em José da Galileia, quando recolhe dos mensageiros do Plano Superior comentários e noticias acerca da gloriosa missão de Jesus.
Simão, Pedro era médium da sombra, quando se adaptava à influência perturbadora de que muitas vezes se sentiu objeto, e era médium da luz, quando partilhava a claridade divina em sua vida mental.
O mesmo Simão Pedro, Tiago e João foram médiuns materializadores no Tabor, favorecendo a aparição tangível de grandes instrutores da mais elevada hierarquia.
João, o grande evangelista, foi médium, na mais sublime acepção da palavra, quando anotou as visões do Apocalipse.
Os companheiros do Senhor, na dia inolvidável do Pentecostes, foram médiuns de efeitos físicos, médiuns poliglotas e psicofônicos da mais nobre expressão.
Saulo de Tarso foi notável médium de clarividência e clariaudiência, às portas de Damasco, ao ensejo de seu encontro pessoal com o Divino Mestre.
Todavia, não será lícito esquecer que os possessos, os doentes mentais e os obsidiados de todos os matizes, que enxameavam a estrada do Cristo de Deus, quando de sua passagem direta entre os homens, eram também médiuns.
Precisamos, assim, na atualidade, encarecer a diferença, a fim de que não venhamos a guardar injustificável assombro, diante de fenômenos que não condizem com o imperativo de nossa formação moral.
Médiuns existem, tanto aí quanto aqui, nas esferas de serviço em que nos situamos.
Médiuns permanecem em toda a parte, porque mediunidade é meio de manifestação do Espírito em seus diversos degraus de evolução.
Por esse motivo, o grande problema dos trabalhadores mediúnicos é aquele da sustentação de boas companhias espirituais, em caráter permanente.
Mal se descerram faculdades psíquicas ou percepções mentais um tanto mais avançadas em alguém, corre na direção desse alguém a malta dos desencarnados que não plantaram o bem e que, por isso, não podem recolher o bem, de imediato, nas leiras da vida.
Mal surge um médium promissor e mil ameaças se lhe agigantam no caminho, porque o vampirismo vive atuante, qual gafanhoto faminto devorando a erva tenra.
Eis porque um fulcro de fenômenos medianímicos é motivo para vasta meditação de nossa parte, competindo-nos a obrigação de prestar-lhe incessante socorro, pois, em verdade, são muito raras as criaturas encarnadas ou desencarnadas que logram manter contacto permanente com a orientação superior, de vez que, se é fácil acomodar-nos no convívio das Inteligências ambientadas nas zonas inferiores, é muito difícil acompanhar os servos da verdade e do amor que, em procurando a comunhão com o Cristo, se confiam, intrépidos e humildes, ao apostolado da Grande Renúncia.
Imperioso, assim, e que vivamos alertas, sem exigir dos médiuns favores que não nos podem dar e sem conferir-lhes privilégios que não podem receber, garantindo-se, desse modo, a estabilidade e a pureza de nossa Doutrina, porquanto o Espiritismo é como o Sol, que resplende para todos, e a Mediunidade é a ferramenta que cada criatura pode manobrar no campo da vida, na edificação da própria felicidade.
Quantas, porém, se utilizam de semelhante ferramenta para a aquisição de compromissos escusos com a delinqüencia?!...
Em razão disso, é indispensável compreender que Mediunidade é Mediunidade e Espiritismo é Espiritismo.
Ajustemo-nos, desse modo, aos princípios salvadores de nossa fé! E, na posição de instrumentos do progresso e do bem, com mais ou menos expressão de serviço nas atividades mediúnicas, diretas ou indiretas, conscientes ou inconscientes, procuremos, antes de tudo, a nossa efetiva integração com o Mestre Divino, para que não nos falte ao roteiro a necessária luz.
Efigênio S. Vitor
No remate das nossas tarefas da noite de 28 de Junho de 1956, nosso núcleo foi honrado com a visita do nosso amigo espiritual Efigênio S. Vítor, que controlou o médium e discorreu brilhantemente sobre Espiritismo e Mediunidade.
Roguemos a bênção de Jesus em nosso favor.
Assuntos existem, no âmbito de nossa construção doutrinária, que nunca serão comentados em excesso.
Reportamo-nos aqui ao tema “Espiritismo e Mediunidade”, para alinhar algumas anotações que consideramos indispensáveis à segurança de nossas diretrizes.
Mediunidade é atributo peculiar ao psiquismo de todas as criaturas.
Espiritismo é um corpo de princípios morais, objetivando a libertarão da alma humana para a Vida Maior.
Médium, em boa sinonímia, segundo cremos, quer dizer “meio”.
Médium, em razão disso, dentro de nossas fileiras, significa intermediário, medianeiro, intérprete.
Médiuns, por isso, existiram em todos os tempos. Na antiguidade remota, eram adivinhos e pitonisas que, frequentemente, pagavam com a vida o conhecimento inabitual de que se faziam portadores.
Na Idade Medieval, eram santos e santas, quando se afinavam à craveira religiosa da época, ou, então, feiticeiros e bruxas, recomendados à. fogueira ou à forca, quando se não ajustavam aos preconceitos do tempo em que nasceram.
Hoje, possuímo-los em todos os tons, em dilatadas expressões polimórficas.
Médiuns psicógrafos, clarividentes, clariaudientes, curadores, poliglotas, psicofônicos,
materializadores, intuitivos...
Médiuns de efeitos físicos ou de efeitos intelectuais...
No próprio Evangelho, em cujas raízes divinas o Espiritismo jaz naturalmente mergulhado, vamos encontrar um perfeito escalonamento de valores, definições e atividades mediúnicas.
Vemos a mediunidade, absolutamente sublimada, em nossa Mãe Santíssima, quando regista a visitarão das entidades angélicas.
Reconhecemos a clariaudiência avançada em José da Galileia, quando recolhe dos mensageiros do Plano Superior comentários e noticias acerca da gloriosa missão de Jesus.
Simão, Pedro era médium da sombra, quando se adaptava à influência perturbadora de que muitas vezes se sentiu objeto, e era médium da luz, quando partilhava a claridade divina em sua vida mental.
O mesmo Simão Pedro, Tiago e João foram médiuns materializadores no Tabor, favorecendo a aparição tangível de grandes instrutores da mais elevada hierarquia.
João, o grande evangelista, foi médium, na mais sublime acepção da palavra, quando anotou as visões do Apocalipse.
Os companheiros do Senhor, na dia inolvidável do Pentecostes, foram médiuns de efeitos físicos, médiuns poliglotas e psicofônicos da mais nobre expressão.
Saulo de Tarso foi notável médium de clarividência e clariaudiência, às portas de Damasco, ao ensejo de seu encontro pessoal com o Divino Mestre.
Todavia, não será lícito esquecer que os possessos, os doentes mentais e os obsidiados de todos os matizes, que enxameavam a estrada do Cristo de Deus, quando de sua passagem direta entre os homens, eram também médiuns.
Precisamos, assim, na atualidade, encarecer a diferença, a fim de que não venhamos a guardar injustificável assombro, diante de fenômenos que não condizem com o imperativo de nossa formação moral.
Médiuns existem, tanto aí quanto aqui, nas esferas de serviço em que nos situamos.
Médiuns permanecem em toda a parte, porque mediunidade é meio de manifestação do Espírito em seus diversos degraus de evolução.
Por esse motivo, o grande problema dos trabalhadores mediúnicos é aquele da sustentação de boas companhias espirituais, em caráter permanente.
Mal se descerram faculdades psíquicas ou percepções mentais um tanto mais avançadas em alguém, corre na direção desse alguém a malta dos desencarnados que não plantaram o bem e que, por isso, não podem recolher o bem, de imediato, nas leiras da vida.
Mal surge um médium promissor e mil ameaças se lhe agigantam no caminho, porque o vampirismo vive atuante, qual gafanhoto faminto devorando a erva tenra.
Eis porque um fulcro de fenômenos medianímicos é motivo para vasta meditação de nossa parte, competindo-nos a obrigação de prestar-lhe incessante socorro, pois, em verdade, são muito raras as criaturas encarnadas ou desencarnadas que logram manter contacto permanente com a orientação superior, de vez que, se é fácil acomodar-nos no convívio das Inteligências ambientadas nas zonas inferiores, é muito difícil acompanhar os servos da verdade e do amor que, em procurando a comunhão com o Cristo, se confiam, intrépidos e humildes, ao apostolado da Grande Renúncia.
Imperioso, assim, e que vivamos alertas, sem exigir dos médiuns favores que não nos podem dar e sem conferir-lhes privilégios que não podem receber, garantindo-se, desse modo, a estabilidade e a pureza de nossa Doutrina, porquanto o Espiritismo é como o Sol, que resplende para todos, e a Mediunidade é a ferramenta que cada criatura pode manobrar no campo da vida, na edificação da própria felicidade.
Quantas, porém, se utilizam de semelhante ferramenta para a aquisição de compromissos escusos com a delinqüencia?!...
Em razão disso, é indispensável compreender que Mediunidade é Mediunidade e Espiritismo é Espiritismo.
Ajustemo-nos, desse modo, aos princípios salvadores de nossa fé! E, na posição de instrumentos do progresso e do bem, com mais ou menos expressão de serviço nas atividades mediúnicas, diretas ou indiretas, conscientes ou inconscientes, procuremos, antes de tudo, a nossa efetiva integração com o Mestre Divino, para que não nos falte ao roteiro a necessária luz.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS
LUTAI!
Francisca Júlia da Silva
No termino das nossas atividades, na reunião da noite de 13 de outubro de 1955, foi nosso amigo André Luiz quem compareceu, através do médium, induzindo-nos a serenidade
e coragem, após uma mensagem apresentou-nos a irmã. Francisca Júlia da Silva, que, havendo atravessado aflitivas provações, à morte do corpo físico, atualmente se propõe trabalhar no combate ao suicídio.
Rogamos, assim, alguns minutos de silêncio, a fim de que ela possa transmitir sua mensagem.
Logo após André Luiz retirar-se, a poetisa anunciada tomou as possibilidades mediúnicas, com maneiras características, e renunciou o belo soneto que ela própria intitulou com o
expressivo apelo.
Por mais vos fira o sonho, a rajada violenta
Do temporal de fel que enlouquece e vergasta,
Suportai, com denodo, a fúria iconoclasta
E o granizo cruel da lúrida tormenta.
Carreia a dor consigo a beleza opulenta
Da verdade suprema, eternamente casta;
Recebei-lhe o aguilhão que nos lacera e arrasta,
Ouvindo a voz da fé que vos guarda e apascenta.
De alma erguida ao Senhor varai a sombra fria!...
Por mais horrenda noite, há sempre um novo dia,
Ao calor da esperança – a luz que nos enleva...
A aflição sem revolta é paz que nos redime,
Não olvideis na cruz redentora e sublime
Que a fuga para a morte é um salto para a treva.
Francisca Júlia da Silva
No termino das nossas atividades, na reunião da noite de 13 de outubro de 1955, foi nosso amigo André Luiz quem compareceu, através do médium, induzindo-nos a serenidade
e coragem, após uma mensagem apresentou-nos a irmã. Francisca Júlia da Silva, que, havendo atravessado aflitivas provações, à morte do corpo físico, atualmente se propõe trabalhar no combate ao suicídio.
Rogamos, assim, alguns minutos de silêncio, a fim de que ela possa transmitir sua mensagem.
Logo após André Luiz retirar-se, a poetisa anunciada tomou as possibilidades mediúnicas, com maneiras características, e renunciou o belo soneto que ela própria intitulou com o
expressivo apelo.
Por mais vos fira o sonho, a rajada violenta
Do temporal de fel que enlouquece e vergasta,
Suportai, com denodo, a fúria iconoclasta
E o granizo cruel da lúrida tormenta.
Carreia a dor consigo a beleza opulenta
Da verdade suprema, eternamente casta;
Recebei-lhe o aguilhão que nos lacera e arrasta,
Ouvindo a voz da fé que vos guarda e apascenta.
De alma erguida ao Senhor varai a sombra fria!...
Por mais horrenda noite, há sempre um novo dia,
Ao calor da esperança – a luz que nos enleva...
A aflição sem revolta é paz que nos redime,
Não olvideis na cruz redentora e sublime
Que a fuga para a morte é um salto para a treva.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS
LOUCURA E RESGATE
Raimundo Teixeira
Na noite de 26 de abril de 1956, foi trazido à comunicação o Espírito Raimundo Teixeira, que sofreu aflitiva prova na alienação mental.
Os apontamentos do visitante, que foram alinhados sob a legenda “loucura e resgate”, valem igualmente, a nosso ver, por precioso estudo no tema “reencarnação e justiça”.
Conduzido ao recinto por devotados Instrutores Espirituais, recomendam eles algo vos diga de minhas provas.
Entretanto, minhas dificuldades são quase insuperáveis para relacionar com a palavra os tremendos episódios de minha terrível experiência.
Sou uma alma pobre que ainda convalesce de aflitiva loucura no campo físico.
Não creio que o verbo articulado possa exprimir com segurança tudo aquilo que expresse meus estados emocionais.
Ainda assim, posso garantir-vos que tenho atravessado inimagináveis suplícios.
Por mais de vinte anos, fui vítima de flagelações e tormentos que culminaram em transes de pavoroso desespero, não pelas dores de origem material que me dilaceravam o corpo, mas sim porque, na condição de alienado mental, guardava, no fundo de meu ser, a consciência de todos os meus atos, embora não pudesse governar meus infelizes impulsos.
Perambulei no mundo à maneira de alguém que se visse sob o guante invencível de Inteligências perversas, como pode acontecer a um homem irremediavelmente prisioneiro de malfeitores, em sua própria moradia.
Por mais orasse, por mais anelasse o bem e por mais quisesse comandar a própria existência, os terríveis carcereiros das minhas atividades mentais compeliam-me a atitudes deploráveis que, de início, me angariaram o desafeto dos familiares mais queridos ao coração.
Era constrangido a práticas ignominiosas, impelido a pronunciar palavras que me afastavam toda e qualquer simpatia e a perpetrar atos que provocavam, em torno de mim, repugnância e temor.
E, por essa razão, relegado à atmosfera deprimente dos loucos, nela padeci não apenas os mais dolorosos processos de tratamento médico, como sejam, a insulinoterapia, a malarioterapia e o eletrochoque, mas também os bofetões de enfermeiros desapiedados e o poste de martírio, a camisa de força e a solidão.
Isso tudo sofri com a tácita aprovação de minha consciência, pois no íntimo me reconhecia culpado.
Colocava-me na situação de quantos me assistiam caridosamente e concluía que, na posição deles, infligiria a mim mesmo os mais duros castigos, de vez que os ocupantes de meu campo mental me impeliam à delinqüência e ao desrespeito, ao insulto e à viciação.
Chorei tanto, que acredito haverem as lágrimas aniquilado os meus olhos encadeados a medonhas alucinações.
Amarguei tanto a vida que o sofrimento por fim me venceu diante das testemunhas implacáveis de minha dor – testemunhas que me acusavam sem que ninguém as ouvisse, que me espancavam sem que ninguém lhes presenciasse os assaltos, que me acompanhavam dia e noite sem que ninguém lhes pressentisse a presença.
E tamanho foi o meu infortúnio que, em me libertando do cárcere da prova, desarvorado e desiludido, pedi à Providência Divina, através de mil modos, que uma explicação me aliviasse o torturado raciocínio, porquanto, ainda mesmo fora do corpo carnal, a malta de perseguidores continuava assacando contra mim gritos soezes, tentando escravizar-me de novo a mente desditosa...
Foi, então, que, ao socorro de Instrutores Amigos, me vi em surpreendente retorno à condição em que me achava antes da internação na carne para a terrível provação da loucura...
Identifiquei-me em pleno espaço, desolado e errante, cercado por centenas de verdugos que me buscavam o Espírito, impondo-me à visão tremendos quadros – quadros esses que, pouco a pouco, me reconduziram ao posto que eu deixara anteriormente, através da morte...
Sim, eu havia sido um juiz que abusara da dignidade do meu cargo.
Vi-me envergando a toga do magistrado, que me competia preservar impoluta, desfrutando invejável eminência social na Terra, mas enceguecido pelos interesses do grupo político a que me filiara, com desvairada paixão.
Torcia o direito para quase todos aqueles que me buscavam, tangidos pelas circunstâncias, conspurcando o tribunal que me respeitava, transformando-o em ominoso instrumento de crime e revolta, perversidade e miséria, desânimo e desespero, porque as minhas sentenças forjavam todos esses males.
Mas não consegui ludibriar a verdadeira justiça.
Deixando o veículo físico, as minhas vítimas se converteram em meus juízes e todas aquelas que me não podiam perdoar seguiram-me os passos na esfera espiritual, tecendo-me a cadeia de tormentos inomináveis, a explodirem no pavoroso desequilíbrio com que ressurgi entre as criaturas humanas, na existência última.
Atravessei uma infância atormentada...
Para os médicos, eu não passava de pobre exemplar da esquizofrenia.
Alcancei a juventude tumultuária e triste dos que não possuem qualquer estabilidade de raciocínio para a fixação dos bons propósitos, e, tão logo atingi a maioridade, meus implacáveis acusadores senhorearam-me a estrada, conturbando-me a vida, e, desse modo, como alienado mental fui submetido ao julgamento de todos eles, experimentando, por mais de quatro lustros, flagelações e torturas que não posso desejar aos próprios Espíritos satanizados nas trevas.
Sou, assim, um doente desventurado procurando restaurar a si mesmo, depois de terrível inferno no coração.
Não acredito que a minha palavra possa trazer qualquer apontamento que induza ao consolo.
Entretanto, o juiz louco que fui, o juiz que impôs a si próprio horrenda enfermidade da alma, pode oferecer alguma advertência aos que manobram com a autoridade no mundo e a todos os que ainda podem recuar nas deliberações infelizes!...
Diante de mim vibra o Tempo, o grande julgador...
Possa a Divina Compaixão conceder-me com esse juiz silencioso, cujas palavras para nós são as horas e os dias do mundo terrestre, a oportunidade de ressarcir minhas faltas, porque, por enquanto, o juiz que dementou a si mesmo apenas ingressou na fase inicial do reajuste, da qual se transferirá para o campo expiatório, onde, face a face com as suas antigas vítimas, será obrigado a solver seus clamorosos débitos, ceitil por ceitil.
Deus seja louvado!...
Raimundo Teixeira
Raimundo Teixeira
Na noite de 26 de abril de 1956, foi trazido à comunicação o Espírito Raimundo Teixeira, que sofreu aflitiva prova na alienação mental.
Os apontamentos do visitante, que foram alinhados sob a legenda “loucura e resgate”, valem igualmente, a nosso ver, por precioso estudo no tema “reencarnação e justiça”.
Conduzido ao recinto por devotados Instrutores Espirituais, recomendam eles algo vos diga de minhas provas.
Entretanto, minhas dificuldades são quase insuperáveis para relacionar com a palavra os tremendos episódios de minha terrível experiência.
Sou uma alma pobre que ainda convalesce de aflitiva loucura no campo físico.
Não creio que o verbo articulado possa exprimir com segurança tudo aquilo que expresse meus estados emocionais.
Ainda assim, posso garantir-vos que tenho atravessado inimagináveis suplícios.
Por mais de vinte anos, fui vítima de flagelações e tormentos que culminaram em transes de pavoroso desespero, não pelas dores de origem material que me dilaceravam o corpo, mas sim porque, na condição de alienado mental, guardava, no fundo de meu ser, a consciência de todos os meus atos, embora não pudesse governar meus infelizes impulsos.
Perambulei no mundo à maneira de alguém que se visse sob o guante invencível de Inteligências perversas, como pode acontecer a um homem irremediavelmente prisioneiro de malfeitores, em sua própria moradia.
Por mais orasse, por mais anelasse o bem e por mais quisesse comandar a própria existência, os terríveis carcereiros das minhas atividades mentais compeliam-me a atitudes deploráveis que, de início, me angariaram o desafeto dos familiares mais queridos ao coração.
Era constrangido a práticas ignominiosas, impelido a pronunciar palavras que me afastavam toda e qualquer simpatia e a perpetrar atos que provocavam, em torno de mim, repugnância e temor.
E, por essa razão, relegado à atmosfera deprimente dos loucos, nela padeci não apenas os mais dolorosos processos de tratamento médico, como sejam, a insulinoterapia, a malarioterapia e o eletrochoque, mas também os bofetões de enfermeiros desapiedados e o poste de martírio, a camisa de força e a solidão.
Isso tudo sofri com a tácita aprovação de minha consciência, pois no íntimo me reconhecia culpado.
Colocava-me na situação de quantos me assistiam caridosamente e concluía que, na posição deles, infligiria a mim mesmo os mais duros castigos, de vez que os ocupantes de meu campo mental me impeliam à delinqüência e ao desrespeito, ao insulto e à viciação.
Chorei tanto, que acredito haverem as lágrimas aniquilado os meus olhos encadeados a medonhas alucinações.
Amarguei tanto a vida que o sofrimento por fim me venceu diante das testemunhas implacáveis de minha dor – testemunhas que me acusavam sem que ninguém as ouvisse, que me espancavam sem que ninguém lhes presenciasse os assaltos, que me acompanhavam dia e noite sem que ninguém lhes pressentisse a presença.
E tamanho foi o meu infortúnio que, em me libertando do cárcere da prova, desarvorado e desiludido, pedi à Providência Divina, através de mil modos, que uma explicação me aliviasse o torturado raciocínio, porquanto, ainda mesmo fora do corpo carnal, a malta de perseguidores continuava assacando contra mim gritos soezes, tentando escravizar-me de novo a mente desditosa...
Foi, então, que, ao socorro de Instrutores Amigos, me vi em surpreendente retorno à condição em que me achava antes da internação na carne para a terrível provação da loucura...
Identifiquei-me em pleno espaço, desolado e errante, cercado por centenas de verdugos que me buscavam o Espírito, impondo-me à visão tremendos quadros – quadros esses que, pouco a pouco, me reconduziram ao posto que eu deixara anteriormente, através da morte...
Sim, eu havia sido um juiz que abusara da dignidade do meu cargo.
Vi-me envergando a toga do magistrado, que me competia preservar impoluta, desfrutando invejável eminência social na Terra, mas enceguecido pelos interesses do grupo político a que me filiara, com desvairada paixão.
Torcia o direito para quase todos aqueles que me buscavam, tangidos pelas circunstâncias, conspurcando o tribunal que me respeitava, transformando-o em ominoso instrumento de crime e revolta, perversidade e miséria, desânimo e desespero, porque as minhas sentenças forjavam todos esses males.
Mas não consegui ludibriar a verdadeira justiça.
Deixando o veículo físico, as minhas vítimas se converteram em meus juízes e todas aquelas que me não podiam perdoar seguiram-me os passos na esfera espiritual, tecendo-me a cadeia de tormentos inomináveis, a explodirem no pavoroso desequilíbrio com que ressurgi entre as criaturas humanas, na existência última.
Atravessei uma infância atormentada...
Para os médicos, eu não passava de pobre exemplar da esquizofrenia.
Alcancei a juventude tumultuária e triste dos que não possuem qualquer estabilidade de raciocínio para a fixação dos bons propósitos, e, tão logo atingi a maioridade, meus implacáveis acusadores senhorearam-me a estrada, conturbando-me a vida, e, desse modo, como alienado mental fui submetido ao julgamento de todos eles, experimentando, por mais de quatro lustros, flagelações e torturas que não posso desejar aos próprios Espíritos satanizados nas trevas.
Sou, assim, um doente desventurado procurando restaurar a si mesmo, depois de terrível inferno no coração.
Não acredito que a minha palavra possa trazer qualquer apontamento que induza ao consolo.
Entretanto, o juiz louco que fui, o juiz que impôs a si próprio horrenda enfermidade da alma, pode oferecer alguma advertência aos que manobram com a autoridade no mundo e a todos os que ainda podem recuar nas deliberações infelizes!...
Diante de mim vibra o Tempo, o grande julgador...
Possa a Divina Compaixão conceder-me com esse juiz silencioso, cujas palavras para nós são as horas e os dias do mundo terrestre, a oportunidade de ressarcir minhas faltas, porque, por enquanto, o juiz que dementou a si mesmo apenas ingressou na fase inicial do reajuste, da qual se transferirá para o campo expiatório, onde, face a face com as suas antigas vítimas, será obrigado a solver seus clamorosos débitos, ceitil por ceitil.
Deus seja louvado!...
Raimundo Teixeira
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS
LIÇÃO NO APÓLOGO
André Luiz
Na noite de 26 de janeiro de 1956, fomos agraciados com a visita de nosso amigo espiritual André Luiz, que nos ofereceu à meditação à página simples e expressiva que ele próprio intitulou "Lição no apólogo".
Diante das perturbações e das lágrimas que nos visitam cada noite o santuário de socorro espiritual, lembraremos velho apólogo, dezenas de vezes repetido na crônica de vários países do mundo e que, por pertencer à alma do povo, é também uma pérola da Filosofia a enriquecer-nos os corações. Certo cavalheiro que possuía três amigos foi convocado a comparecer no fórum, de modo a oferecer solução imediata aos problemas e enigmas que lhe manchavam a vida, porquanto já se achava na iminência de terrível condenação.
Em meio das dificuldades de que se via objeto, procurou os seus três benfeitores, suplicando-lhes proteção e conselho.
Arrogante, replicou-lhe o primeiro:
- Mais não posso fazer por ti que obter-te uma roupa nova para que compareças dignamente diante do juiz.
Muito preocupado, disse-lhe o segundo:
- Não obstante devotar-te a mais profunda estima, posso apenas fortalecer-te e acompanhar-te ate à porta do tribunal.
O terceiro, porém, afirmou-lhe humilde:
- Irei contigo e falarei por ti.
E esse último, estendendo-lhe os braços, amparou-o em todos os lances da luta e falou com tanta segurança e com tanta eloqüência em benefício dele, diante da justiça, que o mísero suspeito foi absolvido com a aprovação dos próprios acusadores que lhe observavam o processo.
Neste símbolo, temos a nossa própria história à frente da morte.
Todos nós, diante do sepulcro, somos chamados a exame na Contabilidade Divina.
E todos recorremos àqueles que nos protegem.
O primeiro amigo, o doador de trajes novos, é o dinheiro que nos garante as exéquias.
O segundo, aquele que nos acompanha até à porta do tribunal, é o mundo representado na pessoa dos nossos parentes ou na presença das nossas afeições mais queridas, que compungidamente nos seguem até à beira da sepultura.
O terceiro, contudo, é o bem que praticamos, a transformar-se em gênio tutelar de nossos destinos, e que, falando em nós e por nós, diante da justiça, consegue angariar-nos mais amplas oportunidades de serviço, quando não nos conquista a plena liberação do Espírito para a Vida Eterna.
Atendamos assim ao bem, onde estivermos, agora, hoje, amanhã e sempre, na certeza de que o bem que realizamos é a única luz do caminho infinito e que jamais se apagará.
André Luiz
André Luiz
Na noite de 26 de janeiro de 1956, fomos agraciados com a visita de nosso amigo espiritual André Luiz, que nos ofereceu à meditação à página simples e expressiva que ele próprio intitulou "Lição no apólogo".
Diante das perturbações e das lágrimas que nos visitam cada noite o santuário de socorro espiritual, lembraremos velho apólogo, dezenas de vezes repetido na crônica de vários países do mundo e que, por pertencer à alma do povo, é também uma pérola da Filosofia a enriquecer-nos os corações. Certo cavalheiro que possuía três amigos foi convocado a comparecer no fórum, de modo a oferecer solução imediata aos problemas e enigmas que lhe manchavam a vida, porquanto já se achava na iminência de terrível condenação.
Em meio das dificuldades de que se via objeto, procurou os seus três benfeitores, suplicando-lhes proteção e conselho.
Arrogante, replicou-lhe o primeiro:
- Mais não posso fazer por ti que obter-te uma roupa nova para que compareças dignamente diante do juiz.
Muito preocupado, disse-lhe o segundo:
- Não obstante devotar-te a mais profunda estima, posso apenas fortalecer-te e acompanhar-te ate à porta do tribunal.
O terceiro, porém, afirmou-lhe humilde:
- Irei contigo e falarei por ti.
E esse último, estendendo-lhe os braços, amparou-o em todos os lances da luta e falou com tanta segurança e com tanta eloqüência em benefício dele, diante da justiça, que o mísero suspeito foi absolvido com a aprovação dos próprios acusadores que lhe observavam o processo.
Neste símbolo, temos a nossa própria história à frente da morte.
Todos nós, diante do sepulcro, somos chamados a exame na Contabilidade Divina.
E todos recorremos àqueles que nos protegem.
O primeiro amigo, o doador de trajes novos, é o dinheiro que nos garante as exéquias.
O segundo, aquele que nos acompanha até à porta do tribunal, é o mundo representado na pessoa dos nossos parentes ou na presença das nossas afeições mais queridas, que compungidamente nos seguem até à beira da sepultura.
O terceiro, contudo, é o bem que praticamos, a transformar-se em gênio tutelar de nossos destinos, e que, falando em nós e por nós, diante da justiça, consegue angariar-nos mais amplas oportunidades de serviço, quando não nos conquista a plena liberação do Espírito para a Vida Eterna.
Atendamos assim ao bem, onde estivermos, agora, hoje, amanhã e sempre, na certeza de que o bem que realizamos é a única luz do caminho infinito e que jamais se apagará.
André Luiz
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS
LENDA DA ESTRELA DIVINA
Irmão X
Reunião da noite de 5 de julho de 1956.
Para surpresa nossa, quem nos brindou com a sua visita, ao final de nossas tarefas, foi o Irmão X, que pela primeira vez falou em nosso recinto, insuflando-nos vigorosa emoção.
De passagem por nosso templo, trago-vos à meditação um apólogo simples.
Convencido de que somente através do próprio trabalho conseguiria entesourar as bênçãos de seu Divino Criador, o Homem compareceu diante do Altíssimo e rogou humildemente:
Pai, aspiro a conquistar a vossa grandeza infinita... Que fazer para penetrar os domínios da vossa glória?
O Todo-Compassivo louvou-lhe os propósitos e determinou:
– Desce à Terra e convive com os teus irmãos.
O Homem nasceu e renasceu, muitas vezes, adquirindo experiência em diversas nações, e voltou ao Paraíso, ostentando na fronte a auréola da Cultura.
Não contente, entretanto, pediu ao Soberano da Vida:
Pai, anseio conhecer-vos a força... Como proceder para atingir semelhante graça?
O Todo-Bondoso afagou-lhe a alma inquieta e ordenou:
– Desce à Terra e dirige os teus irmãos.
O Homem nasceu e renasceu, muitas e muitas vezes, fazendo leis e gastando fortunas, construindo fronteiras e levantando monumentos religiosos, plasmando a beneficência e disciplinando as sociedades, brandindo armas e desfraldando bandeiras, mandando e comandando, fascinado pelos poderes e pelos bens da Terra, como se os bens e os poderes da Terra lhe pertencessem, e retornou ao Lar Eterno, guardando nas mãos o cetro da Autoridade.
Não contente, todavia, suplicou ao Senhor Supremo:
– Pai, suspiro por aprender convosco a criar emoções sublimes... Como agir para entender a vossa beleza augusta?
O Todo-Sábio contemplou-o, benevolente, e aconselhou:
– Desce à Terra e procura formar pensamentos iluminados e nobres para consolo e progresso de teus irmãos.
O Homem nasceu e renasceu, muitas e muitas vezes, trabalhando a pedra e o metal, a madeira e a argila, a palavra e o som, o pincel e a rima, e retornou à Luz das Luzes, transportando nos olhos e nos ouvidos, na língua e nos dedos a magia da Arte.
Contudo, não satisfeito ainda, rojou-se aos pés do Senhor e pediu em lágrimas:
– Meu Pai, tenha saudades de vosso convívio... Não quero apartar-me de vosso olhar!
Que fazer para demorar-me nos Céus?
O Todo-Misericordioso abraçou-o com ternura e ajuntou:
– Ah! meu filho, que pedes tu agora? Para, que te detenhas no Céu é necessário desças à Terra e ajudes a teus irmãos.
E o Homem nasceu e renasceu, por longos e longos séculos, sofrendo, sem reclamar, injúrias e ultrajes, lapidações e calúnias, miséria e abandono, chagas e açoites, procurando auxiliar os outros sem cogitar do auxílio a si mesmo, até que, um dia, terrivelmente fatigado e sozinho, mas de coração alegre e consciência tranquila, retornou aos Eternos Tabernáculos.
Não precisou, no entanto, anunciar a sua presença, porque as Portas Celestiais se lhe descerraram ditosas.
Flores inclinaram-se-lhe à passagem.
Constelações saudavam-no em regozijo.
Anjos cantavam, em surdina, celebrando-lhe o triunfo.
E o próprio Senhor, na carruagem resplendente de sua Glória, veio recebê-lo nos Pórticos Sagrados, exclamando, de braços abertos:
- Bem-aventurado sejas, filho meu!... Agora a Criação inteira é tua... Todos os meus segredos te pertencem. E, estejas onde estiveres, viveremos juntos para sempre.
Esmagado de júbilo, em riso e pranto, o Homem compreendeu, sem palavras, que a felicidade do amor puro lhe fluía sublime dos refolhos do ser, em torrentes de alegria misteriosa...
É que ele trazia, fulgente no coração, a Estrela Divina da Humildade.
Desde então, pôde habitar na Casa do Senhor por longos dias...
Irmão X
Reunião da noite de 5 de julho de 1956.
Para surpresa nossa, quem nos brindou com a sua visita, ao final de nossas tarefas, foi o Irmão X, que pela primeira vez falou em nosso recinto, insuflando-nos vigorosa emoção.
De passagem por nosso templo, trago-vos à meditação um apólogo simples.
Convencido de que somente através do próprio trabalho conseguiria entesourar as bênçãos de seu Divino Criador, o Homem compareceu diante do Altíssimo e rogou humildemente:
Pai, aspiro a conquistar a vossa grandeza infinita... Que fazer para penetrar os domínios da vossa glória?
O Todo-Compassivo louvou-lhe os propósitos e determinou:
– Desce à Terra e convive com os teus irmãos.
O Homem nasceu e renasceu, muitas vezes, adquirindo experiência em diversas nações, e voltou ao Paraíso, ostentando na fronte a auréola da Cultura.
Não contente, entretanto, pediu ao Soberano da Vida:
Pai, anseio conhecer-vos a força... Como proceder para atingir semelhante graça?
O Todo-Bondoso afagou-lhe a alma inquieta e ordenou:
– Desce à Terra e dirige os teus irmãos.
O Homem nasceu e renasceu, muitas e muitas vezes, fazendo leis e gastando fortunas, construindo fronteiras e levantando monumentos religiosos, plasmando a beneficência e disciplinando as sociedades, brandindo armas e desfraldando bandeiras, mandando e comandando, fascinado pelos poderes e pelos bens da Terra, como se os bens e os poderes da Terra lhe pertencessem, e retornou ao Lar Eterno, guardando nas mãos o cetro da Autoridade.
Não contente, todavia, suplicou ao Senhor Supremo:
– Pai, suspiro por aprender convosco a criar emoções sublimes... Como agir para entender a vossa beleza augusta?
O Todo-Sábio contemplou-o, benevolente, e aconselhou:
– Desce à Terra e procura formar pensamentos iluminados e nobres para consolo e progresso de teus irmãos.
O Homem nasceu e renasceu, muitas e muitas vezes, trabalhando a pedra e o metal, a madeira e a argila, a palavra e o som, o pincel e a rima, e retornou à Luz das Luzes, transportando nos olhos e nos ouvidos, na língua e nos dedos a magia da Arte.
Contudo, não satisfeito ainda, rojou-se aos pés do Senhor e pediu em lágrimas:
– Meu Pai, tenha saudades de vosso convívio... Não quero apartar-me de vosso olhar!
Que fazer para demorar-me nos Céus?
O Todo-Misericordioso abraçou-o com ternura e ajuntou:
– Ah! meu filho, que pedes tu agora? Para, que te detenhas no Céu é necessário desças à Terra e ajudes a teus irmãos.
E o Homem nasceu e renasceu, por longos e longos séculos, sofrendo, sem reclamar, injúrias e ultrajes, lapidações e calúnias, miséria e abandono, chagas e açoites, procurando auxiliar os outros sem cogitar do auxílio a si mesmo, até que, um dia, terrivelmente fatigado e sozinho, mas de coração alegre e consciência tranquila, retornou aos Eternos Tabernáculos.
Não precisou, no entanto, anunciar a sua presença, porque as Portas Celestiais se lhe descerraram ditosas.
Flores inclinaram-se-lhe à passagem.
Constelações saudavam-no em regozijo.
Anjos cantavam, em surdina, celebrando-lhe o triunfo.
E o próprio Senhor, na carruagem resplendente de sua Glória, veio recebê-lo nos Pórticos Sagrados, exclamando, de braços abertos:
- Bem-aventurado sejas, filho meu!... Agora a Criação inteira é tua... Todos os meus segredos te pertencem. E, estejas onde estiveres, viveremos juntos para sempre.
Esmagado de júbilo, em riso e pranto, o Homem compreendeu, sem palavras, que a felicidade do amor puro lhe fluía sublime dos refolhos do ser, em torrentes de alegria misteriosa...
É que ele trazia, fulgente no coração, a Estrela Divina da Humildade.
Desde então, pôde habitar na Casa do Senhor por longos dias...
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS
LEMBRA-TE DE DEUS
Meimei
Reunião da noite de 31 de maio de 1956.
Encerrando-nos as lides da noite, comunicou-se Meimei, a abnegada irmã de nosso grupo, que nos ofertou, como de outras vezes, a sua palavra generosa e consoladora.
Lembra-te de Deus para que não olvides a tua alma no labirinto das sombras.
O Criador vive e palpita na Criação que o reflete.
Quando estiveres ferido pelas farpas do sofrimento, lembra-te de Deus que, em muitas ocasiões, socorre a terra seca, por intermédio de nuvens tempestuosas.
Quando te sentires revoltado ante as misérias do mundo, lembra-te de Deus, cuja majestade permanece incorruptível, no próprio fruto podre, através da semente pura em que a planta se renovará exuberante e vitoriosa.
Lembra-te de Deus e aprende a não julgar com os olhos físicos, que apenas assinalam na Terra ligeiras nuances da verdade.
Tudo nos infinitos domínios do Infinito Universo transformação incessante para a glória do bem.
Em razão disso, o mal sempre efêmero nevoeiro na exaltação da eterna paz, e toda sombra, por mais dilatada no espaço e no tempo, não passa de expressão transitória no jogo das aparências.
Não reproves, assim, o solo estéril pela carência que patenteia e nem condenes a víscera cadavérica pelo bafio que exala, porque, amanhã, a Bondade de Deus pode reunir um e outro,
com eles edificando um berçário de lírios.
Não te antecipes à. Justiça do Pai Celeste quando fores incomodado, porque o Pai Celeste sabe distribuir o pão e a corrigenda com os filhos que lhe constituem o patrimônio de
excelso amor.
Ainda mesmo diante do inferno que nós criamos na consciência com os nossos erros deliberados, ei-lo, bondoso, a expressar-se com o seu Divino Devotamento, transformando-o em lixívia que nos sane as mazelas da alma.
Trabalha, ajudando sempre, na certeza de que Deus sustenta a vida, para que a vida se aprimore.
Assim sendo, no principio de cada dia ou no começo de cada tarefa nova, faze da oração a nota inicial de teu passo primeiro, para que te não falte a inspiração do Céu em toda a medida justa.
Quando fatigado, seja Deus teu descanso.
Quando aflito, seja Deus teu console.
Quando supostamente derrotado, seja Deus teu arrimo.
Quando em desalento, seja Deus tua fé.
Ergue, diariamente, um templo vivo de amor a Deus em teu espírito e rende-lhe preito incessante, através do serviço ao próximo, nas lutas de cada hora.
Em todos os lances de nossa peregrinação para os cimos, lembremo-nos de Deus para que não estejamos esquecidos de nós.
Meimei
Reunião da noite de 31 de maio de 1956.
Encerrando-nos as lides da noite, comunicou-se Meimei, a abnegada irmã de nosso grupo, que nos ofertou, como de outras vezes, a sua palavra generosa e consoladora.
Lembra-te de Deus para que não olvides a tua alma no labirinto das sombras.
O Criador vive e palpita na Criação que o reflete.
Quando estiveres ferido pelas farpas do sofrimento, lembra-te de Deus que, em muitas ocasiões, socorre a terra seca, por intermédio de nuvens tempestuosas.
Quando te sentires revoltado ante as misérias do mundo, lembra-te de Deus, cuja majestade permanece incorruptível, no próprio fruto podre, através da semente pura em que a planta se renovará exuberante e vitoriosa.
Lembra-te de Deus e aprende a não julgar com os olhos físicos, que apenas assinalam na Terra ligeiras nuances da verdade.
Tudo nos infinitos domínios do Infinito Universo transformação incessante para a glória do bem.
Em razão disso, o mal sempre efêmero nevoeiro na exaltação da eterna paz, e toda sombra, por mais dilatada no espaço e no tempo, não passa de expressão transitória no jogo das aparências.
Não reproves, assim, o solo estéril pela carência que patenteia e nem condenes a víscera cadavérica pelo bafio que exala, porque, amanhã, a Bondade de Deus pode reunir um e outro,
com eles edificando um berçário de lírios.
Não te antecipes à. Justiça do Pai Celeste quando fores incomodado, porque o Pai Celeste sabe distribuir o pão e a corrigenda com os filhos que lhe constituem o patrimônio de
excelso amor.
Ainda mesmo diante do inferno que nós criamos na consciência com os nossos erros deliberados, ei-lo, bondoso, a expressar-se com o seu Divino Devotamento, transformando-o em lixívia que nos sane as mazelas da alma.
Trabalha, ajudando sempre, na certeza de que Deus sustenta a vida, para que a vida se aprimore.
Assim sendo, no principio de cada dia ou no começo de cada tarefa nova, faze da oração a nota inicial de teu passo primeiro, para que te não falte a inspiração do Céu em toda a medida justa.
Quando fatigado, seja Deus teu descanso.
Quando aflito, seja Deus teu console.
Quando supostamente derrotado, seja Deus teu arrimo.
Quando em desalento, seja Deus tua fé.
Ergue, diariamente, um templo vivo de amor a Deus em teu espírito e rende-lhe preito incessante, através do serviço ao próximo, nas lutas de cada hora.
Em todos os lances de nossa peregrinação para os cimos, lembremo-nos de Deus para que não estejamos esquecidos de nós.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS
RECADO DA ESPERANCA
Nas provações que te surjam,
Ergue a fronte e segue à frente,
Aceita, firme e contente,
O caminho tal qual é...
De pensamento tranquilo,
Não pares. Segue e não temas,
Sem crises e sem problemas
Ninguém sabe se tem fé.
Contratempo, desencanto,
Infortúnio, prejuízo,
Tribulações de improviso,
Dificuldades no lar...
Tudo isso se resume
Na escola que nos ensina
A entender a Lei Divina
Que nos impele a marchar.
Esquece os males do mundo,
Mesmo os mais rudes e amargos,
Abraço os próprios encargos
Por íntimos cireneus;
Onde estiveres, relembra
Que o mérito vem da prova,
Que o sofrimento renova
E a dor é bênção de Deus.
Nas provações que te surjam,
Ergue a fronte e segue à frente,
Aceita, firme e contente,
O caminho tal qual é...
De pensamento tranquilo,
Não pares. Segue e não temas,
Sem crises e sem problemas
Ninguém sabe se tem fé.
Contratempo, desencanto,
Infortúnio, prejuízo,
Tribulações de improviso,
Dificuldades no lar...
Tudo isso se resume
Na escola que nos ensina
A entender a Lei Divina
Que nos impele a marchar.
Esquece os males do mundo,
Mesmo os mais rudes e amargos,
Abraço os próprios encargos
Por íntimos cireneus;
Onde estiveres, relembra
Que o mérito vem da prova,
Que o sofrimento renova
E a dor é bênção de Deus.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS
HORA EXTREMA
Antônio Nobre
Na noite de 30 de agosto de 1956, nosso Grupo recebeu, emocionadamente, a visita do Espírito Antônio Nobre, o inesquecível poeta português que, após controlar as faculdades do médium, expressou-se com intraduzível beleza, transmitindo-nos o soneto abaixo transcrito.
HORA EXTREMA
- A vida é sombra de ilusão funesta...
Exclamava chorando, ao fim do dia.
- Lodo, miséria e pó, na noite fria...
De toda lide humana é quanto resta.
- E o amor, a beleza, e o sol em festa?
- Cinza e nada!... – a mim mesmo respondia.
- E o pesadelo estranho da agonia
Nos tormentos da angústia que me empesta?
Pranto e dor estrangulam-me a garganta...
Nisso, porém, a morte calma e santa
Vence o gelo da treva que me invade.
Partem-se algemas... Luzes brilham perto...
E, deslumbrado, escuto, enfim liberto,
A divina canção da Eternidade.
Antônio Nobre
Na noite de 30 de agosto de 1956, nosso Grupo recebeu, emocionadamente, a visita do Espírito Antônio Nobre, o inesquecível poeta português que, após controlar as faculdades do médium, expressou-se com intraduzível beleza, transmitindo-nos o soneto abaixo transcrito.
HORA EXTREMA
- A vida é sombra de ilusão funesta...
Exclamava chorando, ao fim do dia.
- Lodo, miséria e pó, na noite fria...
De toda lide humana é quanto resta.
- E o amor, a beleza, e o sol em festa?
- Cinza e nada!... – a mim mesmo respondia.
- E o pesadelo estranho da agonia
Nos tormentos da angústia que me empesta?
Pranto e dor estrangulam-me a garganta...
Nisso, porém, a morte calma e santa
Vence o gelo da treva que me invade.
Partem-se algemas... Luzes brilham perto...
E, deslumbrado, escuto, enfim liberto,
A divina canção da Eternidade.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS
ESTUDA
Leôncio Correia
No encerramento de nossas atividades, na noite de 23 de junho de 1955, nosso amigo espiritual José Xavier anunciou através do médium:
- Solicitamos aos companheiros alguns momentos de oração silenciosa, a fim de que possamos receber a visitado amigo Leôncio Correia, que deseja comunicar-se no grupo, encarecendo o impositivo do estudo edificante.
Afastou-se o irmão a que nos referimos e, de imediato, com expressiva transfiguração fisionômica do médium, o grande poeta paranaense transmitiu-nos o seguinte soneto:
Estuda e encontrarás a lâmpada divina
Que, excelsa, te clareia o templo da memória,
Descerrando-te aos pés a senda meritória,
Em que a vida imortal se revela e domina.
Estuda e atingirás a visão peregrina
Da Ciência e do Amor, da Beleza e da História,
Antegozando a luz, na sombra transitória,
E prelibando o Céu na Terra pequenina.
Estuda e entenderás a glória que se expande,
Da alma que, na humildade, aprendeu a ser grande,
Para quem a ilusão se prosterna de rastros...
O livro que aprimora é um mentor que nos guia.
Estuda e sentirás, chorando de alegria,
O coração de Deus pulsando além dos astros.
Leôncio Correia
No encerramento de nossas atividades, na noite de 23 de junho de 1955, nosso amigo espiritual José Xavier anunciou através do médium:
- Solicitamos aos companheiros alguns momentos de oração silenciosa, a fim de que possamos receber a visitado amigo Leôncio Correia, que deseja comunicar-se no grupo, encarecendo o impositivo do estudo edificante.
Afastou-se o irmão a que nos referimos e, de imediato, com expressiva transfiguração fisionômica do médium, o grande poeta paranaense transmitiu-nos o seguinte soneto:
Estuda e encontrarás a lâmpada divina
Que, excelsa, te clareia o templo da memória,
Descerrando-te aos pés a senda meritória,
Em que a vida imortal se revela e domina.
Estuda e atingirás a visão peregrina
Da Ciência e do Amor, da Beleza e da História,
Antegozando a luz, na sombra transitória,
E prelibando o Céu na Terra pequenina.
Estuda e entenderás a glória que se expande,
Da alma que, na humildade, aprendeu a ser grande,
Para quem a ilusão se prosterna de rastros...
O livro que aprimora é um mentor que nos guia.
Estuda e sentirás, chorando de alegria,
O coração de Deus pulsando além dos astros.
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS
ESPIRITISMO II
L. Esteves
Noite de 21 de junho de 1956, o visitante anunciado se fez sentir, operando larga transfiguração no semblante mediúnico e passando a proferir o notável soneto aqui apresentado.
Ei-lo! a mensagem nova!... É a nova luz que avança,
Paz e consolação, ideal e doutrina,
Exumando da treva a chama peregrina
Do Evangelho imortal do amor e da esperança.
É a lição do Senhor que torna cristalina
A refazer-se, pura, e a fulgir sem mudança,
O eterno dom de Deus que novamente alcança
A Terra imersa em dor, que se eleva e ilumina.
É a fé que purifica o lar, a escola e o templo,
Exaltando a vitória e a beleza do exemplo,
No culto à caridade, incessante e profundo...
O Espiritismo em Cristo é o céu que vem de novo
Revelar-se, divino, ao coração do povo Para a glória da vida e redenção do mundo.
L. Esteves
Noite de 21 de junho de 1956, o visitante anunciado se fez sentir, operando larga transfiguração no semblante mediúnico e passando a proferir o notável soneto aqui apresentado.
Ei-lo! a mensagem nova!... É a nova luz que avança,
Paz e consolação, ideal e doutrina,
Exumando da treva a chama peregrina
Do Evangelho imortal do amor e da esperança.
É a lição do Senhor que torna cristalina
A refazer-se, pura, e a fulgir sem mudança,
O eterno dom de Deus que novamente alcança
A Terra imersa em dor, que se eleva e ilumina.
É a fé que purifica o lar, a escola e o templo,
Exaltando a vitória e a beleza do exemplo,
No culto à caridade, incessante e profundo...
O Espiritismo em Cristo é o céu que vem de novo
Revelar-se, divino, ao coração do povo Para a glória da vida e redenção do mundo.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS
ESPIRITISMO I
Jose Xavier
Concluíamos as nossas atividades, na reunião da noite de 21 de junho de 1956, quando nosso companheiro espiritual Jose Xavier ocupou as faculdades psicofônicas do médium e
ditou, contente:
Meus irmãos, no encerramento
Das nossas horas de luz,
Mantenhamos nossas almas
Na inspiração de Jesus.
Um novo amigo na estrada
É sempre bela conquista.
Nós hoje receberemos
Um sacerdote paulista.
O estimado padre Esteves,
Servo do bem contra o mal,
É hoje instrutor da vida
No plano espiritual.
Vamos ouvir-lhe a palavra
Com respeitosa atenção,
Guardando minutos breves,
De silêncio e de oração.
Jose Xavier
Concluíamos as nossas atividades, na reunião da noite de 21 de junho de 1956, quando nosso companheiro espiritual Jose Xavier ocupou as faculdades psicofônicas do médium e
ditou, contente:
Meus irmãos, no encerramento
Das nossas horas de luz,
Mantenhamos nossas almas
Na inspiração de Jesus.
Um novo amigo na estrada
É sempre bela conquista.
Nós hoje receberemos
Um sacerdote paulista.
O estimado padre Esteves,
Servo do bem contra o mal,
É hoje instrutor da vida
No plano espiritual.
Vamos ouvir-lhe a palavra
Com respeitosa atenção,
Guardando minutos breves,
De silêncio e de oração.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS
ESCLARECIMENTO
André Luiz
Na parte final de nossas tarefas da noite de 1º de setembro de 1955, foi nosso benfeitor André Luiz quem se valeu do horário das instruções para estimular-nos ao estudo com o seu verbo amigo e sábio.
Com a franqueza e a simplicidade que lhe são peculiares, deixou-nos o precioso esclarecimento, apresentado linhas abaixo.
Quando alinhamos nossas despretensiosas anotações acerca de “Nosso Lar” (1), relacionando a nossa alegria diante da Vida Superior, muitos companheiros inquiriram espantados: - “Afinal, o que vem a ser isso? Os desencarnados olvidam assim a paragem de que procedem? Se as almas, em se materializando na Terra, chegam do mundo espiritual, por que as exclamações excessivas de júbilo quando para lá regressam, como se fossem estrangeiros ou filhos adotivos de nova pátria?”
O assunto, simples embora, exige reflexão.
E é necessário raciocinar dentro dele, não em termos de vida exterior, mas de vida íntima.
Cada criatura atravessa o portal do túmulo ou transpõe o limiar do berço, levando consigo a visão conceptual do Universo que lhe é própria.
Almas existem que varam dezenas de reencarnações sem a menor notícia da Espiritualidade Superior, em cuja claridade permanecem como que hibernadas, na condição de múmias vivas, já que não dispõem de recursos mentais para o registro de impressões que não sejam puramente de ordem física.
Assemelham-se, de alguma sorte, aos nossos selvagens, que, trazidos aos grandes espetáculos da ópera lírica, suspiram contrafeitos pela volta ao batuque.
E muitos de nós, como tantos outros, em seguida a romagens infelizes ou semi-corretas, tornamos do mundo às esferas espirituais compatíveis com a nossa evolução deficiente, e, além desses lugares de purgação e reajuste, habitualmente somos conduzidos por nossos Instrutores e Benfeitores para ensaios de sublimação a círculos mais nobres e mais elevados, nos quais nem sempre nos mantemos com o equilíbrio desejável, já que nos achamos saudosos de contato mais positivo com as experiências terrestres.
Agimos, então, como alunos inadaptados de Universidade venerável, cuja disciplina nos desagrada, por guardarmos o pensamento na retaguarda distante, ansiosos de comunhão com o ambiente doméstico, em razão do espírito gregário que ainda prevalece em nosso modo de ser.
Como é fácil observar, raras Inteligências descem, efetivamente, das esferas divinas para se reencarnarem na esfera física.
Todos alcançamos as estações do berço e do túmulo, condicionando nossas percepções do mundo externo aos valores mentais que já estabelecemos para nós mesmos, porque todos nos ajustamos, bilhões de encarnados e desencarnados, a diferentes faixas vibratórias de matéria, guardando, embora, o Planeta como nosso centro evolutivo, no trabalho comum.
Desse modo, a mais singela conquista interior corresponde para nossa alma a horizontes novos, tanto mais amplos e mais belos, quanto mais bela e mais ampla se faça a nossa visão espiritual.
Construamos, pois, o nosso paraíso por dentro.
Lembremo-nos que os grandes culpados que edificaram o inferno, em que se debatem, respiram o ambiente da Terra – da Terra que é um santuário do Senhor, evoluindo em pleno Céu.
Nosso ligeiro apontamento em torno do assunto destina-se, desse modo, igualmente a reconhecermos, mais uma vez, o acerto e a propriedade da palavra de Nosso Divino Mestre, quando nos afirmou , convincente: - “O reino de Deus está dentro de nós.”
André Luiz
Na parte final de nossas tarefas da noite de 1º de setembro de 1955, foi nosso benfeitor André Luiz quem se valeu do horário das instruções para estimular-nos ao estudo com o seu verbo amigo e sábio.
Com a franqueza e a simplicidade que lhe são peculiares, deixou-nos o precioso esclarecimento, apresentado linhas abaixo.
Quando alinhamos nossas despretensiosas anotações acerca de “Nosso Lar” (1), relacionando a nossa alegria diante da Vida Superior, muitos companheiros inquiriram espantados: - “Afinal, o que vem a ser isso? Os desencarnados olvidam assim a paragem de que procedem? Se as almas, em se materializando na Terra, chegam do mundo espiritual, por que as exclamações excessivas de júbilo quando para lá regressam, como se fossem estrangeiros ou filhos adotivos de nova pátria?”
O assunto, simples embora, exige reflexão.
E é necessário raciocinar dentro dele, não em termos de vida exterior, mas de vida íntima.
Cada criatura atravessa o portal do túmulo ou transpõe o limiar do berço, levando consigo a visão conceptual do Universo que lhe é própria.
Almas existem que varam dezenas de reencarnações sem a menor notícia da Espiritualidade Superior, em cuja claridade permanecem como que hibernadas, na condição de múmias vivas, já que não dispõem de recursos mentais para o registro de impressões que não sejam puramente de ordem física.
Assemelham-se, de alguma sorte, aos nossos selvagens, que, trazidos aos grandes espetáculos da ópera lírica, suspiram contrafeitos pela volta ao batuque.
E muitos de nós, como tantos outros, em seguida a romagens infelizes ou semi-corretas, tornamos do mundo às esferas espirituais compatíveis com a nossa evolução deficiente, e, além desses lugares de purgação e reajuste, habitualmente somos conduzidos por nossos Instrutores e Benfeitores para ensaios de sublimação a círculos mais nobres e mais elevados, nos quais nem sempre nos mantemos com o equilíbrio desejável, já que nos achamos saudosos de contato mais positivo com as experiências terrestres.
Agimos, então, como alunos inadaptados de Universidade venerável, cuja disciplina nos desagrada, por guardarmos o pensamento na retaguarda distante, ansiosos de comunhão com o ambiente doméstico, em razão do espírito gregário que ainda prevalece em nosso modo de ser.
Como é fácil observar, raras Inteligências descem, efetivamente, das esferas divinas para se reencarnarem na esfera física.
Todos alcançamos as estações do berço e do túmulo, condicionando nossas percepções do mundo externo aos valores mentais que já estabelecemos para nós mesmos, porque todos nos ajustamos, bilhões de encarnados e desencarnados, a diferentes faixas vibratórias de matéria, guardando, embora, o Planeta como nosso centro evolutivo, no trabalho comum.
Desse modo, a mais singela conquista interior corresponde para nossa alma a horizontes novos, tanto mais amplos e mais belos, quanto mais bela e mais ampla se faça a nossa visão espiritual.
Construamos, pois, o nosso paraíso por dentro.
Lembremo-nos que os grandes culpados que edificaram o inferno, em que se debatem, respiram o ambiente da Terra – da Terra que é um santuário do Senhor, evoluindo em pleno Céu.
Nosso ligeiro apontamento em torno do assunto destina-se, desse modo, igualmente a reconhecermos, mais uma vez, o acerto e a propriedade da palavra de Nosso Divino Mestre, quando nos afirmou , convincente: - “O reino de Deus está dentro de nós.”
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS
ENSINAMENTO VIVO
Maria da Conceição
Aqueles que se entregam às lides espiritistas encontram, surpresas consoladoras e emocionantes.
Visitáramos, várias vezes, Maria da Conceição, pobre moça que renascera paralítica, muda e surda, vivendo por mais de meio século num catre de sofrimento, sob os cuidados de
abnegada avó.
Nunca lhe esqueceremos os olhos tristes, repletos de resignação e humildade, e que a morte cerrou em janeiro de 1954, como quem liberta dos grilhões da sombra infortunada criatura desde muito sentenciada a terríveis padecimentos. Pois foi Maria da Conceição na nossa visitante, no encerramento das tarefas da noite de 30 de junho de 1955. Amparada por
benfeitores da Espiritualidade, falou-nos em lágrimas de sua difícil experiência.
Filhos de Deus, que a paz do Senhor seja a vossa luz.
Enquanto permanecemos no corpo de carne, não conseguimos, por mais clara se nos faça a compreensão da justiça, apreender-lhe a grandeza em toda a extensão.
Admitimos a existência do Inferno que pune os transgressores e acreditamos no braço vingador daqueles que se entregam ao papel de carrascos de quantos se renderam ao sorvedouro do crime.
Raras vezes, porém, refletimos nos tormentos que a consciência culpada impõe a si própria, além-túmulo.
Fascinados pelo mundo exterior, dormitamos ao aconchego da ilusão e não nos recordamos de que, um dia, virá o despertar no mundo de nós mesmos.
A morte arranca-nos o véu em que nos ocultamos e ai de nós quando não temos por moldura espiritual senão remorso e arrependimento, vileza e degradação.
Achamo-nos em plena nudez, diante do autojulgamento, e somente assinalamos os quadros e gritos acusadores que nascem de nossa própria alma, exprimindo maldição.
Nossos olhos nada mais vêem senão o painel das lembranças amargas, os ouvidos não escutam outras palavras que não as do libelo por nós e contra nós, e, por mais vagueemos com a ligeireza do pensamento, através de milhares de quilômetros no espaço, encontramos simplesmente a nós mesmos, na vastidão do tempo, confinados ao escuro e estreito horizonte de nossa própria condenação.
Os dias passam por nós como as vagas no mar, lambendo o rochedo na solidão que lhe é própria, até que os raios da Compaixão Divina nos dissipem as sombras, ensejando-nos a prece como caridosa luz que nos clareia a furna da inconsciência.
É então que a Bondade do Senhor interfere na justiça, permitindo ao criminoso traçar mentalmente a correção que lhe é necessária.
E o delinqüente sempre escolhe a posição das vítimas que lhe sucumbiram às mãos,
bendizendo a reencarnação expiatória que lhe faculta o reexame dos caminhos percorridos.
Trazida até aqui por nossos Benfeitores, falo-vos de minha experiência.
Sou a vossa irmã Conceição, que volta a fim de comentar convosco o impositivo da
consciência tranqüila perante a Lei.
Administrais o esclarecimento justo às almas desgarradas do trilho reto e determinam nossos Instrutores vos diga a todos, encarnados e desencarnados, daquele esclarecimento vivo que nos é imposto pelas duras provas da vida, quando não assimilamos o valor da palavra enquanto é tempo!...
Paralítica, surda, muda e quase cega, não era surda para as vozes que me acusavam, na profundez de minhas dores da consciência, não era paralítica para o pensamento que se movimentava a distância de minha cabeça flagelada, não era muda para as considerações que me saltavam do cérebro e nem cega para os quadros terrificantes do plano imaginativo...
Dama vaidosa e influente da Corte de Filipe II, na Espanha inquisitorial, reapareci neste século, de corpo desfigurado, a mergulhar nos próprios detritos, corpo que era simplesmente a imagem torturada de minhalma, açoitada de angústia e emparedada nos ossos doentes, para redimir o passado delituoso.
Durante mais de cinqüenta anos sucessivos, por felicidade minha experimentei fome, frio, enfermidade e desprezo de meus semelhantes... Em toda a existência, como bênção de calor na carne devastada de sofrimento, não recebi senão a das lágrimas que me escorriam dos olhos...
Mas a doutrinação regeneradora que não recolhi da palavra de quantos me ampararam noutro tempo, com amoroso aviso, fui constrangida a assimilá-la sob o rude tacão de atrozes padecimentos.
Quando a lição do Senhor é recusada por nossos ouvidos, ressurge invariável, em nós mesmos, na forma de provação necessária ao reajuste de nossos destinos.
Dirigindo-me, assim, a vós outro que me conhecestes o leito atormentado no mundo e a vós que me escutais sem a vestimenta física, rogo devoção e respeito para com o socorro moral de Jesus através daqueles que lhe distribuem os dons de conhecimento e consolação.
Quem alcança a verdade, sabe o que deve fazer.
Submetamo-nos ao amor de Deus, enquanto há tempo de partilhar o tempo daqueles que mais amamos, a fim de que a dor não nos submeta, implacável, obrigando-nos a partilhar o tempo da dificuldade e da solidão.
Essa tem sido para mim a mais severa advertência da vida.
Com o Amparo Divino, entretanto, sinto que o meu novo dia nasceu.
Aprendamos, pois, a ouvir e a refletir, sem jamais esquecer que o Amor reina, soberano, em todos os círculos do Universo, recordando, porém, que a Justiça cumprir-se-á, rigorosa, na senda de cada um.
Maria da Conceição
Aqueles que se entregam às lides espiritistas encontram, surpresas consoladoras e emocionantes.
Visitáramos, várias vezes, Maria da Conceição, pobre moça que renascera paralítica, muda e surda, vivendo por mais de meio século num catre de sofrimento, sob os cuidados de
abnegada avó.
Nunca lhe esqueceremos os olhos tristes, repletos de resignação e humildade, e que a morte cerrou em janeiro de 1954, como quem liberta dos grilhões da sombra infortunada criatura desde muito sentenciada a terríveis padecimentos. Pois foi Maria da Conceição na nossa visitante, no encerramento das tarefas da noite de 30 de junho de 1955. Amparada por
benfeitores da Espiritualidade, falou-nos em lágrimas de sua difícil experiência.
Filhos de Deus, que a paz do Senhor seja a vossa luz.
Enquanto permanecemos no corpo de carne, não conseguimos, por mais clara se nos faça a compreensão da justiça, apreender-lhe a grandeza em toda a extensão.
Admitimos a existência do Inferno que pune os transgressores e acreditamos no braço vingador daqueles que se entregam ao papel de carrascos de quantos se renderam ao sorvedouro do crime.
Raras vezes, porém, refletimos nos tormentos que a consciência culpada impõe a si própria, além-túmulo.
Fascinados pelo mundo exterior, dormitamos ao aconchego da ilusão e não nos recordamos de que, um dia, virá o despertar no mundo de nós mesmos.
A morte arranca-nos o véu em que nos ocultamos e ai de nós quando não temos por moldura espiritual senão remorso e arrependimento, vileza e degradação.
Achamo-nos em plena nudez, diante do autojulgamento, e somente assinalamos os quadros e gritos acusadores que nascem de nossa própria alma, exprimindo maldição.
Nossos olhos nada mais vêem senão o painel das lembranças amargas, os ouvidos não escutam outras palavras que não as do libelo por nós e contra nós, e, por mais vagueemos com a ligeireza do pensamento, através de milhares de quilômetros no espaço, encontramos simplesmente a nós mesmos, na vastidão do tempo, confinados ao escuro e estreito horizonte de nossa própria condenação.
Os dias passam por nós como as vagas no mar, lambendo o rochedo na solidão que lhe é própria, até que os raios da Compaixão Divina nos dissipem as sombras, ensejando-nos a prece como caridosa luz que nos clareia a furna da inconsciência.
É então que a Bondade do Senhor interfere na justiça, permitindo ao criminoso traçar mentalmente a correção que lhe é necessária.
E o delinqüente sempre escolhe a posição das vítimas que lhe sucumbiram às mãos,
bendizendo a reencarnação expiatória que lhe faculta o reexame dos caminhos percorridos.
Trazida até aqui por nossos Benfeitores, falo-vos de minha experiência.
Sou a vossa irmã Conceição, que volta a fim de comentar convosco o impositivo da
consciência tranqüila perante a Lei.
Administrais o esclarecimento justo às almas desgarradas do trilho reto e determinam nossos Instrutores vos diga a todos, encarnados e desencarnados, daquele esclarecimento vivo que nos é imposto pelas duras provas da vida, quando não assimilamos o valor da palavra enquanto é tempo!...
Paralítica, surda, muda e quase cega, não era surda para as vozes que me acusavam, na profundez de minhas dores da consciência, não era paralítica para o pensamento que se movimentava a distância de minha cabeça flagelada, não era muda para as considerações que me saltavam do cérebro e nem cega para os quadros terrificantes do plano imaginativo...
Dama vaidosa e influente da Corte de Filipe II, na Espanha inquisitorial, reapareci neste século, de corpo desfigurado, a mergulhar nos próprios detritos, corpo que era simplesmente a imagem torturada de minhalma, açoitada de angústia e emparedada nos ossos doentes, para redimir o passado delituoso.
Durante mais de cinqüenta anos sucessivos, por felicidade minha experimentei fome, frio, enfermidade e desprezo de meus semelhantes... Em toda a existência, como bênção de calor na carne devastada de sofrimento, não recebi senão a das lágrimas que me escorriam dos olhos...
Mas a doutrinação regeneradora que não recolhi da palavra de quantos me ampararam noutro tempo, com amoroso aviso, fui constrangida a assimilá-la sob o rude tacão de atrozes padecimentos.
Quando a lição do Senhor é recusada por nossos ouvidos, ressurge invariável, em nós mesmos, na forma de provação necessária ao reajuste de nossos destinos.
Dirigindo-me, assim, a vós outro que me conhecestes o leito atormentado no mundo e a vós que me escutais sem a vestimenta física, rogo devoção e respeito para com o socorro moral de Jesus através daqueles que lhe distribuem os dons de conhecimento e consolação.
Quem alcança a verdade, sabe o que deve fazer.
Submetamo-nos ao amor de Deus, enquanto há tempo de partilhar o tempo daqueles que mais amamos, a fim de que a dor não nos submeta, implacável, obrigando-nos a partilhar o tempo da dificuldade e da solidão.
Essa tem sido para mim a mais severa advertência da vida.
Com o Amparo Divino, entretanto, sinto que o meu novo dia nasceu.
Aprendamos, pois, a ouvir e a refletir, sem jamais esquecer que o Amor reina, soberano, em todos os círculos do Universo, recordando, porém, que a Justiça cumprir-se-á, rigorosa, na senda de cada um.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS
ENQUANTO BRILHA O AGORA
Emmanuel
Na reunião da noite de 24 de junho de l956 tivemos a ventura de novamente receber o nosso benfeitor espiritual Emmanuel, cuja palavra, através do médium, se fez ouvir, vibrante e bela.
Atendei, enquanto é hoje, aos enigmas que vos torturam a mente.
Enquanto a Lei vos faculta a bênção do agora, extirpai do campo de vossa vida os vermes da inimizade, os pântanos da preguiça, os espinheiros do ódio, a venenosa erva do egoísmo e o pedregulho da indiferença, cultivando, com a segurança possível, a lavoura da educação, as árvores do serviço, as flores da simpatia e os frutos da caridade.
Enquanto os talentos do mundo vos favorecem, fazei o melhor que puderdes, porque, provavelmente, amanhã... quem sabe?
Amanhã, talvez, os problemas aparecerão mais aflitivos.
Os dias modificados...
As oportunidades perdidas...
As provas imprevistas...
Os ouvidos inertes...
Os olhos em plena sombra...
A língua muda...
As mãos mirradas...
Os pés sem movimento...
A cabeça incapaz...
A carência de tempo...
A visita da enfermidade...
A mensagem da morte...
Despertai as energias mais profundas, enquanto permaneceis nas linhas da experiência física, entesourando o conhecimento e o mérito, através do estudo e da ação que vos nobilitem as horas, porque, possivelmente, amanhã, as questões surgirão mais complexas.
Não nos esqueçamos de que os princípios de correspondência funcionam exatos.
Sementeira do bem - colheita de felicidade.
Dever irrepreensivelmente cumprido - ascensão aberta.
Trabalho ativo - progresso seguro.
Cooperação espontânea - auxílio pronto.
Busquemos o melhor para que o melhor nos procure.
Tendes convosco o solo precioso fecundado pela chuva de bênçãos. Utilizemo-lo, assim, na preparação do grande futuro, recordando advertência do nosso Divino Mestre: - "Avançai, valorosos, enquanto tendes luz."
Emmanuel
Na reunião da noite de 24 de junho de l956 tivemos a ventura de novamente receber o nosso benfeitor espiritual Emmanuel, cuja palavra, através do médium, se fez ouvir, vibrante e bela.
Atendei, enquanto é hoje, aos enigmas que vos torturam a mente.
Enquanto a Lei vos faculta a bênção do agora, extirpai do campo de vossa vida os vermes da inimizade, os pântanos da preguiça, os espinheiros do ódio, a venenosa erva do egoísmo e o pedregulho da indiferença, cultivando, com a segurança possível, a lavoura da educação, as árvores do serviço, as flores da simpatia e os frutos da caridade.
Enquanto os talentos do mundo vos favorecem, fazei o melhor que puderdes, porque, provavelmente, amanhã... quem sabe?
Amanhã, talvez, os problemas aparecerão mais aflitivos.
Os dias modificados...
As oportunidades perdidas...
As provas imprevistas...
Os ouvidos inertes...
Os olhos em plena sombra...
A língua muda...
As mãos mirradas...
Os pés sem movimento...
A cabeça incapaz...
A carência de tempo...
A visita da enfermidade...
A mensagem da morte...
Despertai as energias mais profundas, enquanto permaneceis nas linhas da experiência física, entesourando o conhecimento e o mérito, através do estudo e da ação que vos nobilitem as horas, porque, possivelmente, amanhã, as questões surgirão mais complexas.
Não nos esqueçamos de que os princípios de correspondência funcionam exatos.
Sementeira do bem - colheita de felicidade.
Dever irrepreensivelmente cumprido - ascensão aberta.
Trabalho ativo - progresso seguro.
Cooperação espontânea - auxílio pronto.
Busquemos o melhor para que o melhor nos procure.
Tendes convosco o solo precioso fecundado pela chuva de bênçãos. Utilizemo-lo, assim, na preparação do grande futuro, recordando advertência do nosso Divino Mestre: - "Avançai, valorosos, enquanto tendes luz."
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS
EM TORNO DO PENSAMENTO
Antônio Cardoso
Reunião de 6 de setembro.
Completando-nos as tarefas da noite, o Espírito Antônio Cardoso, antigo batalhador das hostes espiritualistas no Brasil, tomou as faculdades psicofônicas do médium e teceu comentários acerca do pensamento.
Em verdade, já disse alguém, que tudo é amor em nosso caminho, porque todos vivemos nas situações a que nos afeiçoamos pelos laços da simpatia.
Sendo o amor, portanto, a raiz de todas as nossas atividades mentais, o pensamento é a base de todas as nossas manifestações, dentro da vida.
Senão vejamos:
A bondade é o pensamento em luz.
O ódio é o pensamento em treva.
A humildade é o pensamento que ajuda.
O orgulho é o pensamento que tiraniza.
O trabalho é o pensamento em ação.
A preguiça é o pensamento estanque.
A ignorância é o pensamento instintivo.
A cultura é o pensamento educado.
A alegria é o pensamento harmonioso.
A tristeza é o pensamento em desequilíbrio.
A conformidade é o pensamento pacífico.
O desespero é o pensamento desgovernado.
A exigência é o pensamento destruidor.
O serviço é o pensamento edificante.
A sobriedade é o pensamento simples.
O luxo é o pensamento complexo.
O carinho é o pensamento brando.
A aspereza é o pensamento enrijecido.
A compreensão é o pensamento elevado ao Céu.
O preconceito é o pensamento enquistado na Terra.
O respeito é o pensamento nobre.
O deboche é o pensamento imundo.
O auxílio fraterno é o pensamento que ampara.
A ironia é o pensamento que fere.
O crime é o pensamento perverso.
A santidade é o pensamento sublime.
O egoísmo é o pensamento exclusivo do “eu”.
O bem de todos e com todos é o pensamento da Lei Divina.
Vigiemos, assim, as nossas idéias, porque, se transparece claramente das lições de Jesus que a cada um de nós será conferido segundo as nossas obras, não podemos olvidar que todos os nossos pensamentos são filhos do amor que nos preside os interesses na vida e que todas as nossas obras são filhas de nossos pensamentos.
Antônio Cardoso
Reunião de 6 de setembro.
Completando-nos as tarefas da noite, o Espírito Antônio Cardoso, antigo batalhador das hostes espiritualistas no Brasil, tomou as faculdades psicofônicas do médium e teceu comentários acerca do pensamento.
Em verdade, já disse alguém, que tudo é amor em nosso caminho, porque todos vivemos nas situações a que nos afeiçoamos pelos laços da simpatia.
Sendo o amor, portanto, a raiz de todas as nossas atividades mentais, o pensamento é a base de todas as nossas manifestações, dentro da vida.
Senão vejamos:
A bondade é o pensamento em luz.
O ódio é o pensamento em treva.
A humildade é o pensamento que ajuda.
O orgulho é o pensamento que tiraniza.
O trabalho é o pensamento em ação.
A preguiça é o pensamento estanque.
A ignorância é o pensamento instintivo.
A cultura é o pensamento educado.
A alegria é o pensamento harmonioso.
A tristeza é o pensamento em desequilíbrio.
A conformidade é o pensamento pacífico.
O desespero é o pensamento desgovernado.
A exigência é o pensamento destruidor.
O serviço é o pensamento edificante.
A sobriedade é o pensamento simples.
O luxo é o pensamento complexo.
O carinho é o pensamento brando.
A aspereza é o pensamento enrijecido.
A compreensão é o pensamento elevado ao Céu.
O preconceito é o pensamento enquistado na Terra.
O respeito é o pensamento nobre.
O deboche é o pensamento imundo.
O auxílio fraterno é o pensamento que ampara.
A ironia é o pensamento que fere.
O crime é o pensamento perverso.
A santidade é o pensamento sublime.
O egoísmo é o pensamento exclusivo do “eu”.
O bem de todos e com todos é o pensamento da Lei Divina.
Vigiemos, assim, as nossas idéias, porque, se transparece claramente das lições de Jesus que a cada um de nós será conferido segundo as nossas obras, não podemos olvidar que todos os nossos pensamentos são filhos do amor que nos preside os interesses na vida e que todas as nossas obras são filhas de nossos pensamentos.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
LIVRO VOZES DO GRANDE ALEM DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER POR ESPIRITOS DIVERSOS
EM PRECE A JESUS
Cerinto
Nas tarefas da noite de 29 de março de 1956, justamente quando a Cristandade comemorava o sacrifício de Jesus, foi Cerinto, o amigo espiritual que já apresentamos aos nossos leitores, quem veio orar conosco.
Emocionando-nos intensamente com a sua inflexão de voz, que lhe denunciava a profunda renovação íntima, pronunciou Cerinto a sua prece em lágrimas.
Senhor Jesus!
Divino condenado sem culpa!...
Enquanto te rememoramos o madeiro de ignomínia, lança tua bênção sobre nós, os que nos enfileiramos, junto à rebeldia do Mau Ladrão...
Tu que te deixaste sacrificar pelos que morriam no cativeiro do mundo, lembra-te daqueles que ainda escravizam.
Tu que te confiaste à extrema renúncia pelos que padeciam na miséria, não te esqueças daqueles que ainda estendem na Terra o sofrimento e a ignorância, a fome e a nudez!
Muitos, ó Eterno Benfeitor, te rogarão socorro para os que foram relegados à intempérie, entretanto, nós sabemos que a tua presença sublime aquece todos os que foram abandonados à noite da provação e, por isso, rogar-te-emos abrigo para as mãos que erguem templos em tua memória, esquecendo fora das portas os que soluçam de frio...
Ah! Senhor! quantos te pedirão pela ovelha estraçalhada, longe do aprisco!... Nós, no entanto, não desconhecemos que o teu olhar vela, poderoso e vigilante, ao pé de todos os vencidos, convertendo-lhes a dor em pão de tua graça, nos celeiros da eterna vitória!... Suplicar-te-emos, assim, abençoes o lobo que se julga triunfante.
Mestre da Cruz, compadece-te, pois, de todos nós, os que te buscam com a oração do arrependimento, crucificados ainda no madeiro de nossa crueldade, algemados ao cárcere de nossos próprios crimes, garroteados pelas recordações dolorosas que nos entenebrecem a consciência!
Ampara-nos, Senhor, a nós, os que abusamos da inteligência, os que exploramos as viúvas e os órfãos, os que deliberadamente fugimos ao amor que nos ensinaste!...
Excelso Benfeitor, estende sobre nós teu olhar compassivo, tu, Senhor, que, enquanto recebias as manifestações de solidariedade e pesar das mulheres piedosas de Jerusalém, pensavas em como haverias de converter a fraqueza de Pedro em resistência e como haverias de levantar o espírito de Judas, nosso irmão!...
Ó Senhor, compadece-te, ainda, das cruzes que talhamos, das aflições criadas por nós mesmos e lança do lenho que não merecias o teu olhar de perdão sobre as nossas dores, para que sejamos, ainda, hoje como ontem, aliviados por tuas sublimes palavras: - “Perdoa-lhes, meu Pai, porque efetivamente não sabem o que fazem”.
Cerinto
Cerinto
Nas tarefas da noite de 29 de março de 1956, justamente quando a Cristandade comemorava o sacrifício de Jesus, foi Cerinto, o amigo espiritual que já apresentamos aos nossos leitores, quem veio orar conosco.
Emocionando-nos intensamente com a sua inflexão de voz, que lhe denunciava a profunda renovação íntima, pronunciou Cerinto a sua prece em lágrimas.
Senhor Jesus!
Divino condenado sem culpa!...
Enquanto te rememoramos o madeiro de ignomínia, lança tua bênção sobre nós, os que nos enfileiramos, junto à rebeldia do Mau Ladrão...
Tu que te deixaste sacrificar pelos que morriam no cativeiro do mundo, lembra-te daqueles que ainda escravizam.
Tu que te confiaste à extrema renúncia pelos que padeciam na miséria, não te esqueças daqueles que ainda estendem na Terra o sofrimento e a ignorância, a fome e a nudez!
Muitos, ó Eterno Benfeitor, te rogarão socorro para os que foram relegados à intempérie, entretanto, nós sabemos que a tua presença sublime aquece todos os que foram abandonados à noite da provação e, por isso, rogar-te-emos abrigo para as mãos que erguem templos em tua memória, esquecendo fora das portas os que soluçam de frio...
Ah! Senhor! quantos te pedirão pela ovelha estraçalhada, longe do aprisco!... Nós, no entanto, não desconhecemos que o teu olhar vela, poderoso e vigilante, ao pé de todos os vencidos, convertendo-lhes a dor em pão de tua graça, nos celeiros da eterna vitória!... Suplicar-te-emos, assim, abençoes o lobo que se julga triunfante.
Mestre da Cruz, compadece-te, pois, de todos nós, os que te buscam com a oração do arrependimento, crucificados ainda no madeiro de nossa crueldade, algemados ao cárcere de nossos próprios crimes, garroteados pelas recordações dolorosas que nos entenebrecem a consciência!
Ampara-nos, Senhor, a nós, os que abusamos da inteligência, os que exploramos as viúvas e os órfãos, os que deliberadamente fugimos ao amor que nos ensinaste!...
Excelso Benfeitor, estende sobre nós teu olhar compassivo, tu, Senhor, que, enquanto recebias as manifestações de solidariedade e pesar das mulheres piedosas de Jerusalém, pensavas em como haverias de converter a fraqueza de Pedro em resistência e como haverias de levantar o espírito de Judas, nosso irmão!...
Ó Senhor, compadece-te, ainda, das cruzes que talhamos, das aflições criadas por nós mesmos e lança do lenho que não merecias o teu olhar de perdão sobre as nossas dores, para que sejamos, ainda, hoje como ontem, aliviados por tuas sublimes palavras: - “Perdoa-lhes, meu Pai, porque efetivamente não sabem o que fazem”.
Cerinto



































