sexta-feira, 30 de agosto de 2013
LIVRO PÃO NOSSO - CHICO XAVIER POR EMMANUEL
OLHOS
“Eles têm os olhos cheios de adultério.”
— (2ª EPÍSTOLA A PEDRO, CAPÍTULO 2, VERSÍCULO 14.)
“Olhos
cheios de adultério” constituem rebelde enfermidade em nossas lutas evolutivas.
Raros
homens se utilizam dos olhos por lâmpadas abençoadas e poucos os empregam como
instrumentos vivos de trabalho santificante na vigília necessária.
A maioria
das criaturas trata de aproveitá-los, àfrente de quaisquer paisagens, na
identificação do que possuem de pior.
Homens
comuns, habitualmente, pousam os olhos em determinada situação apenas para
fixarem os ângulos mais apreciáveis aos interesses inferiores que lhes dizem
respeito. Se atravessam um campo, não lhe anotam a função benemérita nos
quadros da vida coletiva e sim a possibilidade de lucros pessoais e imediatos
que lhes possa oferecer. Se enxergam a irmã afetuosa de jornada humana, que
segue não longe deles, premeditam, quase sempre, a organização de laços menos
dignos. Se encontram companheiros nos lugares em que atendem a objetivos
inferiores, não os reconhecem como possíveis portadores de idéias elevadas,
porém como concorrentes aos seus propósitos menos felizes.
Ouçamos o
brado de alarme de Simão Pedro, esquecendo o hábito de analisar com o mal.
Olhos
otimistas saberão extrair motivos sublimes de ensinamento, nas mais diversas
situações do caminho em que prosseguem.
Ninguém
invoque a necessidade de vigilância para justificar as manifestações de
malícia. O homem cristianizado e prudente sabe contemplar os problemas de si
mesmo, contudo, nunca enxerga o mal onde o mal ainda não existe.
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
LIVRO PÃO NOSSO - CHICO XAVIER POR EMMANUEL
DE MADRUGADA
“E no primeiro dia da semana Maria Madalena foi ao sepulcro, de
madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra removida do sepulcro.” — (JOÃO,
CAPÍTULO 20, VERSÍCULO 1.)
Não
devemos esquecer a circunstância em que Maria de Magdala recebe a primeira mensagem
da ressurreição do Mestre.
No seio
de perturbações e desalentos da pequena comunidade, a grande convertida não
perde tempo em lamentações estéreis nem procura o sono do esquecimento.
Os
companheiros haviam quebrado o padrão de confiança. Entre o remorso da própria
defecção e a amargura pelo sacrifício do Salvador, cuja lição sublime ainda não
conseguiam apreender, confundiam-se em atitudes negativas. Pensamentos contraditórios
e angustiados azorragavam-lhes os corações.
Madalena,
contudo, rompe o véu de emoções dolorosas que lhe embarga os passos. É
imprescindível não sucumbir sob os fardos, transformando-os, acima de tudo, em
elemento básico na construção espiritual, e Maria resolve não se acovardar,
ante a dor. Porque o Cristo fora imolado na cruz, não seria lícito condenar-lhe
a memória bem-amada ao olvido ou à indiferença.
Vigilante,
atenta a si mesma, antes de qualquer satisfação a velhos convencionalismos, vai
ao encontro do grande obstáculo que se constituía do sepulcro, muito cedo,
precedendo o despertar dos próprios amigos e encontra a radiante resposta da
Vida Eterna.
Rememorando
esse acontecimento simbólico, recordemos nossas antigas quedas, por havermos
esquecido o “primeiro dia da semana”, trocando, em todas as ocasiões, o “mais
cedo” pelo “mais tarde”.
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
LIVRO PÃO NOSSO - CHICO XAVIER POR EMMANUEL
ENTENDIMENTO
“Transformai-vos
pela renovação do vosso entendimento.” — Paulo.
(ROMANOS, CAPÍTULO 12, VERSÍCULO 2.)
Quando
nos reportamos ao problema da transformação espiritual, a comunidade dos
discípulos do Evangelho concorda conosco, quanto a semelhante necessidade, mas
nem todos demonstram perfeita compreensão do assunto.
No fundo,
todos anelam a modificação, no entanto, a maioria não aspira senão à mudança
de classificação convencional.
Os menos
favorecidos pelo dinheiro buscam escalar o domínio das possibilidades
materiais, os detentores de tarefas humildes pleiteiam as grandes posições e,
num crescendo desconcertante, quase todos pretendem a transformação indébita
das oportunidades a que se ajustam, mergulhando na desordem inquietante. A renovação
indispensável não é a de plano exterior flutuante.
Transformar-se-á
o cristão devotado, não pelos sinais externos, e sim pelo entendimento,
dotando a própria mente de nova luz, em novas concepções.
Assim
como qualquer trabalho terrestre pede a sincera aplicação dos aprendizes que a
ele se dedicam, o serviço de aprimoramento mental exige constância de esforço
no bem e no conhecimento.
Ainda
aqui, é forçoso reconhecer que a disciplina entrará com fatores decisivos.
Não te
cristalizes, pois, em falsas noções que já te prejudicaram o dia de ontem.
Repara a
estrutura dos teus raciocínios de agora, ante as circunstâncias que te rodeiam.
Pergunta
a ti próprio quanto ganhaste no Evangelho para analisar retamente esse ou
aquele acontecimento de teu caminho. Faze isto e a Bondade do Senhor te
auxiliará na esclarecedora resposta a ti mesmo.
terça-feira, 27 de agosto de 2013
LIVRO PÃO NOSSO - CHICO XAVIER POR EMMANUEL
CURA DO ÓDIO
“Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer;
se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo
sobre a sua cabeça.” — Paulo. (ROMANOS,
12, VERSÍCULO 20.)
O homem, geralmente, quando decidido ao
serviço do bem, encontra fileiras de adversários gratuitos por onde passe,
qual ocorre à claridade invariavelmente assediada pelo antagonismo das
sombras.
Às vezes, porém, seja por equívocos do
passado ou por incompreensões do presente, é defrontado por inimigos mais
fortes que se transformam em constante ameaça à sua tranqüilidade.
Contar com inimigo desse jaez é padecer dolorosa enfermidade no íntimo,
quando a criatura ainda não se afeiçoou a experiências vivas no Evangelho.
Quase sempre, o aprendiz de
boa-vontade desenvolve o máximo das próprias forças a favor da reconciliação;
no entanto, o mais amplo esforço parece baldado. A impenetrabilidade
caracteriza o coração do outro e os melhores gestos de amor passam por ele despercebidos.
Contra
essa situação, todavia, o Livro Divino oferece receita salutar. Não convém
agravar atritos, desenvolver discussões e muito menos desfazer-se a criatura
bem-intencionada em gestos bajulatórios. Espere-se pela oportunidade de
manifestar o bem.
Desde o
minuto em que o ofendido esquece a dissensão e volta ao amor, o serviço de
Jesus é reatado; entretanto, a visão do ofensor é mais tardia e, em muitas
ocasiões, somente compreende a nova luz, quando essa se lhe converte em
vantagem ao círculo pessoal.
Um
discípulo sincero do Cristo liberta-se facilmente dos laços inferiores, mas o
antagonista de ontem pode persistir muito tempo, no endurecimento do coração.
Eis o motivo pelo qual dar-lhe todo o bem, no momento oportuno, é amontoar o
fogo renovador sobre a sua cabeça, curando-lhe o ódio, cheio de expressões
infernais.
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
LIVRO PÃO NOSSO - CHICO XAVIER POR EMMANUEL
FALSOS DISCURSOS
“E sede cumpridores da palavra, e não
somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos.” — (TIAGO. CAPÍTULO 1,
VERSÍCULO 22.)
Nunca é
demasiado comentar a importância e o caráter sagrado da palavra.
O próprio
Evangelho assevera que no princípio era o Verbo, e quem examine atentamente a
posição atual do mundo reconhecerá que todas as situações difíceis se originam
do poder verbalista mal aplicado.
Falsos discursos enganaram indivíduos,
famílias e nações. Acreditaram alguns em promessas vãs, outros em teorias
falaciosas, outros, ainda, em perspectivas de liberdade sem obrigações. E
raças, agrupamentos e criaturas, identificando a ilusão, atritam-se,
mutuamente, procurando a paternidade das culpas.
Muito sangue e muita lágrima tem
custado a criação do verbo humano. Impossível, por agora, computar esse preço
doloroso ou determinar quanto tempo se fará necessário ao resgate preciso.
No
turbilhão de lutas, todavia, o amigo do Cristo pode valer-se do tesouro
evangélico, em proveito de sua esfera individual.
Cumprir a
palavra do Mestre em nós é o programa divino. Sem a execução desse plano de
salvação, os demais serviços sob nossa responsabilidade Constituirão sublimada
teologia, raciocínios brilhantes, magnífica literatura, muita admiração e
respeito do campo inferior do mundo, mas nunca a realização necessária.
Eis o motivo pelo qual é sempre perigoso estacionar,
no caminho, a ouvir quem foge à realidade de nossos deveres.
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
LIVRO PÃO NOSSO - CHICO XAVIER POR EMMANUEL
O DIABO
“Respondeu-lhe Jesus: Não vos escolhi a vós, os doze? e um de vós é
diabo.” — (JOÃO, CAPÍTULO 6, VERSÍCULO 70.)
Quando a
teologia se reporta ao diabo, o crente imagina, de imediato, o senhor absoluto
do mal, dominando num inferno sem-fim.
Na
concepção do aprendiz, a região amaldiçoada localiza-se em esfera distante, no
seio de tormentosas trevas...
Sim, as
zonas purgatoriais são inúmeras e sombrias, terríveis e dolorosas, entretanto,
consoante a afirmativa do próprio Jesus, o diabo partilhava os serviços
apostólicos, permanecia junto dos aprendizes e um deles se constituíra em
representação do próprio gênio infernal. Basta isto para que nos informemos
de que o termo “diabo” não indicava, no conceito do Mestre, um gigante de
perversidade, poderoso e eterno, no espaço e no tempo. Designa o próprio homem,
quando algemado às torpitudes do sentimento inferior.
Daí concluirmos
que cada criatura humana apresenta certa percentagem de expressão diabólica na
parte inferior da personalidade.
Satanás
simbolizará então a força contrária ao bem.
Quando o
homem o descobre, no vasto mundo de si mesmo, compreende o mal, dá-lhe combate,
evita o inferno íntimo e desenvolve as qualidades divinas que o elevam à
espiritualidade superior.
Grandes
multidões mergulham em desesperas seculares, porque não conseguiram ainda
identificar semelhante verdade.
E,
comentando esta passagem de João, somos compelidos a ponderar: — “Se, entre os
doze apóstolos, um havia que se convertera em diabo, não obstante a missão divina
do círculo que se destinava à transformação do mundo, quantos existirão em cada
grupo de homens comuns na Terra?”
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
LIVRO PÃO NOSSO - CHICO XAVIER POR EMMANUEL
AGRADECER
“E sede agradecidos.” — Paulo. (COLOSSENSES, CAPÍTULO 3,
VERSÍCULO 15.)
É curioso
verificar que a multidão dos aprendizes está sempre interessada em receber
graças, entretanto, é raro encontrar alguém com a disposição de ministrá-las.
Os
recursos espirituais, todavia, em sua movimentação comum, deveriam obedecer ao
mesmo sistema aplicado às providências de ordem material.
No
capitulo de bênçãos da alma, não se deve receber e gastar, insensatamente, mas
recorrer ao critério da prudência e da retidão, para que as possibilidades não
sejam absorvidas pela desordem e pela injustiça.
É por
isso que, em suas instruções aos cristãos de Colossos, recomenda o apóstolo que
sejamos agradecidos.
Entre os discípulos sinceros, não se
justifica o velho hábito de manifestar reconhecimento em frases bombásticas e
laudatórias. Na comunidade dos trabalhadores fiéis a Jesus, agradecer
significa aplicar proveitosamente as dádivas recebidas, tanto ao próximo,
quanto a si mesmo.
Para os
pais amorosos, o melhor agradecimento dos filhos consiste na elevada
compreensão do trabalho e da vida, de que oferecem testemunho.
Manifestando
gratidão ao Cristo, os apóstolos lhe foram leais até ao último sacrifício;
Paulo de Tarso recebe o apelo do Mestre e, em sinal de alegria e de amor, serve
à Causa Divina, através de sofrimentos inomináveis, por mais de trinta anos
sucessivos.
Agradecer
não será tão-somente problema de palavras brilhantes; é sentir a grandeza dos
gestos, a luz dos benefícios, a generosidade da confiança e corresponder,
espontaneamente, estendendo aos outros os tesouros da vida.
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
LIVRO PÃO NOSSO - CHICO XAVIER POR EMMANUEL
MANIFESTAÇÕES ESPIRITUAIS
“Mas a
manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil.” — Paulo. (1ª EPÍSTOLA AOS CORÍNTIOS,
CAPÍTULO 12, VERSÍCULO 7.)
Com a revivescência do Cristianismo
puro, nos agrupamentos do Espiritismo com Jesus, verifica-se idêntica
preocupação às que torturavam os aprendizes dos tempos apostólicos, no que se
refere à mediunidade.
A maioria dos trabalhadores na
evangelização inquieta-se pelo desenvolvimento imediato de faculdades
incipientes.
Em determinados centros de serviço,
exigem-se realizações superiores às possibilidades de que dispõem; em outros,
sonha-se com fenômenos de grande alcance.
O problema, no entanto, não se resume a
aquisições de exterior.
Enriqueça
o homem a própria iluminação Intima, intensifique o poder espiritual, através
do conhecimento e do amor, e entrará na posse de tesouros eternos, de modo
natural.
Muitos
aprendizes desejariam ser grandes videntes ou admiráveis reveladores,
embalados na perspectiva de superioridade, mas não se abalançam nem mesmo a
meditar no suor da conquista sublime.
Inclinam-se
aos proventos, mas não cogitam do esforço. Nesse sentido, é interessante
recordar que Simão Pedro, cujo espírito se sentia tão bem com o Mestre glorioso
no Tabor, não suportou as angústias do Amigo flagelado no Calvário.
É justo
que os discípulos pretendam o engrandecimento espiritual, todavia, quem possua
faculdade humilde não a despreze porque o irmão mais próximo seja detentor de
qualidades mais expressivas. Trabalhe cada um com o material que lhe foi
confiado, convicto de que o Supremo Senhor não atende, no problema de
manifestações espirituais, conforme o capricho humano, mas, sim, de acordo com
a utilidade geral.
terça-feira, 20 de agosto de 2013
LIVRO PÃO NOSSO - CHICO XAVIER POR EMMANUEL
VÓS, QUE DIZEIS?
“E
perguntou-lhes: E vós, quem dizeis que eu sou?” — (LUCAS, CAPÍTULO 9, VERSÍCULO 20.)
Nas
discussões propriamente do mundo, existirão sempre escritores e cientistas
dispostos a examinar o Mestre, na pauta de suas impressões puramente
intelectuais, sob os pruridos da presunção humana.
Esses
amigos, porém, não tiveram contacto com a alma do Evangelho, não superaram os
círculos acadêmicos e nem arriscam títulos convencionais, numa excursão
desapaixonada através da revelação divina; naturalmente, portanto, continuarão
enganados pela vaidade, pelo preconceito ou pelo temor que lhes são peculiares
ao transitório modo de ser, até que se lhes renove a experiência nas estradas
da vida imperecível.
Entretanto,
na intimidade dos aprendizes sinceros e fiéis, a pergunta de Jesus reveste-se
de singular importância.
Cada um
de nós deve possuir opiniões próprias, relativamente à sabedoria e à
misericórdia com que temos sido agraciados.
Palestras vãs, acerca do Cristo, quadram bem apenas a
espíritos desarvorados no caminho da vida. A nós outros, porém, compete o
testemunho da intimidade com o Senhor, porque somos usufrutuários diretos de
sua infinita bondade. Meditemos e renovemos aspirações segunda-feira, 19 de agosto de 2013
LIVRO PÃO NOSSO - CHICO XAVIER POR EMMANUEL
A GRANDE LUTA
“Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.”- Paulo. (EFÉSIOS, CAPÍTULO 6, VERSÍCULO 12.)
Segundo nossas afirmativas reiteradas, a grande luta não reside no combate com o sangue e a carne, propriamente, mas sim com as nossas disposições espirituais inferiores.
Paulo de Tarso agiu divinamente inspirado, quando escreveu sua recomendação aos companheiros de Éfeso.
O silencioso e incessante conflito entre os discípulos sinceros e as forças da sombra está vinculado em nossa própria natureza, porquanto nos acumpliciávamos abertamente com o mal, em passado não remoto.
Temos sido declarados participantes das ações delituosas nos lugares celestiais.
E, ainda hoje, entre os fluidos condensados da carne ou nas esferas que lhes são próximas, agimos no serviço de auto-restauração em pleno paraíso.
A Terra é, igualmente, sublime degrau do Céu.
Quando alguém se reporta aos anjos caídos, os ouvintes humanos guardam logo a impressão de um palácio soberbo e misterioso, de onde se expulsam criaturas sábias e luminosas.
Não se verifica o mesmo, quando um homem culto se entrega ao assassínio, à frente de uma universidade ou de um templo?
Geralmente o observador terrestre relaciona o crime, não se detendo, porém, no exame do lugar sagrado e venerável em que se consumou.
A grande luta, a que o Apóstolo se refere, prossegue sem descanso.
As cidades e as edificações humanas são zonas celestiais. Nem elas e nem as células orgânicas que nos servem, constituem os poderosos inimigos, e, sim, as “hastes espirituais da maldade”, com as quais nos sintonizamos através dos pontos inferiores que conservamos desesperadamente conosco, vastas arregimentações de seres e pensamentos sombrios que obscurecem a visão humana, e que operam com sutileza, de modo a não perderem os ativos companheiros de ontem.
“Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.”- Paulo. (EFÉSIOS, CAPÍTULO 6, VERSÍCULO 12.)
Segundo nossas afirmativas reiteradas, a grande luta não reside no combate com o sangue e a carne, propriamente, mas sim com as nossas disposições espirituais inferiores.
Paulo de Tarso agiu divinamente inspirado, quando escreveu sua recomendação aos companheiros de Éfeso.
O silencioso e incessante conflito entre os discípulos sinceros e as forças da sombra está vinculado em nossa própria natureza, porquanto nos acumpliciávamos abertamente com o mal, em passado não remoto.
Temos sido declarados participantes das ações delituosas nos lugares celestiais.
E, ainda hoje, entre os fluidos condensados da carne ou nas esferas que lhes são próximas, agimos no serviço de auto-restauração em pleno paraíso.
A Terra é, igualmente, sublime degrau do Céu.
Quando alguém se reporta aos anjos caídos, os ouvintes humanos guardam logo a impressão de um palácio soberbo e misterioso, de onde se expulsam criaturas sábias e luminosas.
Não se verifica o mesmo, quando um homem culto se entrega ao assassínio, à frente de uma universidade ou de um templo?
Geralmente o observador terrestre relaciona o crime, não se detendo, porém, no exame do lugar sagrado e venerável em que se consumou.
A grande luta, a que o Apóstolo se refere, prossegue sem descanso.
As cidades e as edificações humanas são zonas celestiais. Nem elas e nem as células orgânicas que nos servem, constituem os poderosos inimigos, e, sim, as “hastes espirituais da maldade”, com as quais nos sintonizamos através dos pontos inferiores que conservamos desesperadamente conosco, vastas arregimentações de seres e pensamentos sombrios que obscurecem a visão humana, e que operam com sutileza, de modo a não perderem os ativos companheiros de ontem.
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
LIVRO PÃO NOSSO - CHICO XAVIER POR EMMANUEL
A POSSE DO REINO
“Confirmando os ânimos dos discípulos,
exortando-os a permanecer na fé, e dizendo que por muitas tribulações nos
importa entrar no reino de Deus.” — (ATOS, CAPÍTULO 14, VERSÍCULO 22.)
O
Evangelho a ninguém engana, em seus ensinamentos.
É vulgar
a preocupação dos crentes tentando subornar as forças divinas. Não será, no
entanto, ao preço de muitas missas, muitos hinos ou muitas sessões psíquicas
que o homem efetuará a sublime aquisição de espiritualidade excelsa.
Naturalmente,
toda prática edificante deve ser aproveitada por elemento de auxilio, no
entanto, compete a cada individualidade humana o esforço iluminativo.
A Boa
Nova não distribui indulgências a preço do mundo e a criatura encontra inúmeros
caminhos para a ascensão.
Templos e instrutores se multiplicam e
cada qual oferece parcelas de socorro ou assistência, no serviço de orientação;
contudo, a entrada e posse na herança eterna se verificará através de justos
testemunhos.
Isto não
é acidental. É medida lógica e necessária.
Não se
improvisam estátuas raras, sem golpes de escopro, como não se colhe trigo sem
campo lavrado.
Não
poucos aprendizes costumam interpretar certas advertências do Evangelho por
excesso de exortação ao sofrimento, no entanto, o que lhes parece obsessão
pela dor é imperativo de educação da alma para a vida imperecível.
Homem
algum encontrará o estuário infinito das energias divinas, sem o concurso das
tribulações da Terra.
Personalidade sem luta, na Crosta Planetária,
é alma estreita. Somente o trabalho e o sacrifício, a dificuldade e o obstáculo,
como elementos de progresso e auto-superação, podem dar ao homem a verdadeira
notícia de sua grandeza.
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
LIVRO PÃO NOSSO - CHICO XAVIER POR EMMANUEL
GOVERNO INTERNO
“Antes
subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu
mesmo não venha de algum modo a ficar reprovado.” — Paulo. (1ª EPÍSTOLA AOS CORÍNTIOS, CAPÍTULO 9, VERSÍCULO 27.)
Efetivamente, o
corpo é miniatura do Universo.
É imprescindível,
portanto, saber governá-lo. Representação em material terrestre da
personalidade espiritual, é razoável esteja cada um atento às suas disposições.
Não é que a substância passiva haja adquirido poder superior ao da vontade
humana, todavia, é imperioso reconhecer que as tendências inferiores procuram
subtrair-nos o poder de domínio.
É indispensável
esteja cada homem em dia com o governo de si mesmo.
A vida interior,
de alguma sorte, assemelha-se à vida de um Estado. O espírito assume a
auto-chefia, auxiliado por vários ministérios, quais os da reflexão, do
conhecimento, da compreensão, do respeito e da ordem. As idéias diversas e
simultâneas constituem apelos bons ou maus do parlamento íntimo. Existem, no
fundo de cada mente, extensas potencialidades de progresso e sublimação,
reclamando trabalho.
O
governador supremo que é o espírito, no cosmo celular, redige leis
benfeitoras, mas nem sempre mobiliza os órgãos fiscalizadores da própria
vontade. E as zonas inferiores continuam em antigas desordens, não lhes
importando os decretos renovadores que não hostilizam, nem executam. Em se
verificando semelhante anomalia, passa o homem a ser um enigma vivo, quando se
não converte num cego ou num celerado.
Quem
espera vida sã, sem autodisciplina, não se distancia muito do desequilíbrio
ruinoso ou total.
É necessário
instalar o governo de nós mesmos em qualquer posição da vida. O problema
fundamental é de vontade forte para conosco, e de boa-vontade para com os
nossos irmãos.
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
LIVRO PÃO NOSSO - CHICO XAVIER POR EMMANUEL
O FILHO EGOÍSTA
“Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis
que te sirvo, há tantos anos, sem jamais transgredir um mandamento teu, e
nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos.” — (LUCAS,
CAPÍTULO 15, VERSÍCULO 29.)
A parábola
não apresenta somente o filho pródigo. Mais aguçada atenção e encontraremos o
filho egoísta.
O
ensinamento velado do Mestre demonstra dois extremos da ingratidão filial. Um
reside no esbanjamento; o outro, na avareza. São as duas extremidades que
fecham o círculo da incompreensão humana.
De
maneira geral, os crentes apenas enxergaram o filho que abandonou o lar
paterno, a fim de viver nas estroinices do escândalo, tornando-se credor de
todas as punições; e raros aprendizes conseguiram fixar o pensamento na conduta
condenável do irmão que permanecia sob o teto familiar, não menos passível de
repreensão.
Observando
a generosidade paterna, os sentimentos inferiores que o animam sobem à tona e
ei-lo na demonstração de sovinice.
Contraria-o
a vibração de amor reinante no ambiente doméstico; alega, como autêntico
preguiçoso, os anos de serviço em família; invoca, na posição de crente
vaidoso, a suposta observância da Lei Divina e desrespeita o genitor, incapaz
de partilhar-lhe o justo contentamento.
Esse tipo
de homem egoísta é muito vulgar nos quadros da vida. Ante o bem-estar e a
alegria dos outros, revolta-se e sofre, através da secura que o aniquila e do
ciúme que o envenena.
Lendo a
parábola com atenção, ignoramos qual dos filhos é o mais infortunado, se o
pródigo, se o egoísta, mas atrevemo-nos a crer na imensa infelicidade do
segundo, porque o primeiro já possuía a bênção do remorso em seu favor.
terça-feira, 13 de agosto de 2013
LIVRO PÃO NOSSO - CHICO XAVIER POR EMMANUEL
CÉU COM CÉU
“Mas ajuntai para vós tesouros no céu,
onde nem a traça nem a ferrugem os consomem, e onde os ladrões não penetram nem
roubam.” — Jesus. (MATEUS,
CAPÍTULO 6, VERSÍCULO 20.)
Em todas
as fileiras cristãs se misturam ambiciosos de recompensa que presumem
encontrar, nessa declaração de Jesus, positivo recurso de vingança contra
todos aqueles que, pelo trabalho e pelo devotamento, receberam maiores
possibilidades na Terra.
O que
lhes parece confiança em Deus é Ódio disfarçado aos semelhantes.
Por não
poderem açambarcar os recursos financeiros à frente dos olhos, lançam
pensamentos de critica e rebeldia, aguardando o paraíso para a desforra
desejada.
Contudo,
não será por entregar o corpo ao laboratório da natureza que a personalidade
humana encontrará, automaticamente, os planos da Beleza Resplandecente.
Certo,
brilham santuários imperecíveis nas esferas sublimadas, mas é imperioso
considerar que, nas regiões imediatas à atividade humana, ainda encontramos
imensa cópia de traças e ladrões, nas linhas evolutivas que se estendem além do
sepulcro.
Quando o
Mestre nos recomendou ajuntássemos tesouros no céu, aconselhava-nos a dilatar
os valores do bem, na paz do coração. O homem que adquire fé e conhecimento,
virtude e iluminação, nos recessos divinos da consciência, possui o roteiro
celeste. Quem aplica os princípios redentores que abraça, acaba conquistando
essa carta preciosa; e quem trabalha diariamente na prática do bem, vive
amontoando riquezas nos Cimos da Vida.
Ninguém
se engane, nesse sentido.
Além da
Terra, fulgem bênçãos do Senhor nos Páramos Celestiais, entretanto, é
necessário possuir luz para percebê-las.
É da Lei que o Divino se identifique com o que
seja Divino, porque ninguém contemplará o céu se acolhe o inferno no coração.
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
LIVRO PÃO NOSSO - CHICO XAVIER POR EMMANUEL
CONTRA A INSENSATEZ
“Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne?” — Paulo. (GÁLATAS, CAPÍTULO 3, VERSÍCULO 3.)
Um dos maiores desastres no caminho dos discípulos é a falsa compreensão com que iniciam o esforço na região superior, marchando em sentido inverso para os círculos da inferioridade. Dão, assim, a ideia de homens que partissem à procura de ouro, contentando-se, em seguida, com a lama do charco.
Semelhantes fracassos se fazem comuns, nos vários setores do pensamento religioso.
Observamos enfermos que se dirigem à espiritualidade elevada, alimentando nobres impulsos e tomados de preciosas intenções; conseguida a cura, porém, refletem na melhor maneira de aplicarem as vantagens obtidas na aquisição do dinheiro fácil. Alguns, depois de auxiliados por amigos das esferas sublimadas, em transcendentes questões da vida eterna, pretendem atribuir a esses mesmos benfeitores a função de policiais humanos, na pesquisa de objetivos menos dignos.
Numerosos aprendizes persistem nos trabalhos do bem; contudo, eis que aparecem horas menos favoráveis e se entregam, inertes, ao desalento, reclamando prêmio aos minguados anos terrestres em que tentaram servir na lavoura do Mestre Divino e plenamente despreocupados dos períodos multimilenários em que temos sido servidos pelo Senhor.
Tais anomalias espirituais que perturbam consideravelmente o esforço dos discípulos procedem dos filtros venenosos compostos pelos pruridos de recompensa.
Trabalhemos, pois, contra a expectativa de retribuição, a fim de que prossigamos na tarefa começada, em companhia da humildade, portadora de luz imperecível.
“Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne?” — Paulo. (GÁLATAS, CAPÍTULO 3, VERSÍCULO 3.)
Um dos maiores desastres no caminho dos discípulos é a falsa compreensão com que iniciam o esforço na região superior, marchando em sentido inverso para os círculos da inferioridade. Dão, assim, a ideia de homens que partissem à procura de ouro, contentando-se, em seguida, com a lama do charco.
Semelhantes fracassos se fazem comuns, nos vários setores do pensamento religioso.
Observamos enfermos que se dirigem à espiritualidade elevada, alimentando nobres impulsos e tomados de preciosas intenções; conseguida a cura, porém, refletem na melhor maneira de aplicarem as vantagens obtidas na aquisição do dinheiro fácil. Alguns, depois de auxiliados por amigos das esferas sublimadas, em transcendentes questões da vida eterna, pretendem atribuir a esses mesmos benfeitores a função de policiais humanos, na pesquisa de objetivos menos dignos.
Numerosos aprendizes persistem nos trabalhos do bem; contudo, eis que aparecem horas menos favoráveis e se entregam, inertes, ao desalento, reclamando prêmio aos minguados anos terrestres em que tentaram servir na lavoura do Mestre Divino e plenamente despreocupados dos períodos multimilenários em que temos sido servidos pelo Senhor.
Tais anomalias espirituais que perturbam consideravelmente o esforço dos discípulos procedem dos filtros venenosos compostos pelos pruridos de recompensa.
Trabalhemos, pois, contra a expectativa de retribuição, a fim de que prossigamos na tarefa começada, em companhia da humildade, portadora de luz imperecível.
domingo, 11 de agosto de 2013
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
LIVRO PÃO NOSSO - CHICO XAVIER POR EMMANUEL
OS CONTRÁRIOS
“Que diremos pois à vista destas coisas?
Se Deus é por nós, quem será contra nós?” — Paulo. (ROMANOS, CAPÍTULO 8, VERSÍCULO 31.)
A interrogação de
Paulo ainda representa precioso tema para a comunidade evangélica dos dias que
correm.
Perante nosso
esforço desdobra-se campo imenso, onde o Mestre nos aguarda a colaboração resoluta.
Muitas vezes,
contudo, grande número de companheiros prefere abandonar a construção para
disputar com malfeitores do caminho.
Elementos
adversos nos cercam em toda parte.
Obstáculos
inesperados se desenham ante os nossos olhos aflitos, velhos amigos deixam-nos
a sós, situações favoráveis, até ontem, são metamorfoseadas em hostilidades
cruéis.
Enormes
fileiras de operários fogem ao perigo, temendo a borrasca e esquecendo o
testemunho.
Entretanto,
não fomos situados na obra a fim de nos rendermos ao pânico, nem o Mestre nos
enviou ao trabalho com o objetivo de confundir-nos através de experiências dos
círculos exteriores.
Fomos
chamados a construir.
Naturalmente,
deveremos contar com as mil eventualidades de cada dia, suscetíveis de nascer
das forças contrárias, dificultando-nos a edificação; nosso dia de luta será
assediado pela perturbação e pela fadiga. Isto é inevitável num mundo que tudo
espera do cristão genuíno.
Em razão
de semelhante imperativo, entre ameaças e incompreensões da senda, cabe-nos
indagar, bem-humorados, à maneira do apóstolo aos gentios:
— “Se
Deus é por nós, quem será contra nós?”







































